sábado, abril 13, 2024

CUIDADO COM AS CARTEIRAS!...


A frase que dá titulo a este post foi por mim escutada inúmeras vezes quando, nos primórdios da minha actividade como mágico, me apresentava como ilusionista perante grupos  para os quais eu era um... desconhecido.

Sempre foi, para mim, evidente que a tal expressão estava subjacente um claro desconhecimento do que era o Ilusionismo enquanto arte performativa. Mas claro que, a par de tal desconhecimento, também estaria um conjunto de factos, transmitidos oralmente (e não só) de geração em geração, relativamente a procedimentos pouco (ou nada) correctos de alguns indivíduos que se "aproximavam" do Ilusionismo para adquirirem técnicas para utilizações pouco recomendáveis.

Recentemente encontrei, num periódico de Outubro de 1865, uma notícia que, inequivocamente, suporta tal género de pensamento. Aqui deixo a respectiva reprodução.


quarta-feira, fevereiro 28, 2024

Um novo conceito: CÓPIA COLORIDA


No meu anterior post (O C.I.F. MERECIA MAIS E MELHOR!...) faço referência à figura que preenche a página 42 do opúsculo como sendo totalmente descabida.

Seguidamente reproduzo tal figura para se perceber que a mesma nada acrescenta à história dos 65 anos do C.I.F., mesmo que tal história tivesse sido bem contada, o que não foi o caso!


É caso para dizer que, quando escrevi tais palavras, "eu não sabia da missa, nem metade". Vim agora a descobrir que aquilo que é apresentado como sendo um "desenho de Ana Maria Meixieira" (sic)  estaria melhor referenciado como cópia colorida de um desenho do catálogo "MAGICORAMA 2 - Catalogue General", publicado por uma casa francesa especializada na venda de material para ilusionistas. 

É precisamente desse catálogo, publicado em Outubro de 1975 pela MAYETTE MAGIE MODERNE, que reproduzo, com a devida vénia, a ilustração seguinte.


Percebem agora o conceito de cópia colorida?

Mas o caso não é único, pois, na página 54 do opúsculo, podemos encontrar a seguinte ilustração:


Ora no já citado catálogo da casa MAYETTE MAGIE MODERNE poderemos encontrar o desenho que seguidamente reproduzo.


É caso para concluir: o catálogo da casa MAYETTE MAGIE MODERNE pode não inspirar uma boa apresentação mágica, mas é capaz de suscitar o desejo de colorir o que está a "preto e branco".


terça-feira, fevereiro 13, 2024

O C.I.F. MERECIA MAIS E MELHOR!…


Não estive presente no Festival S. João Bosco 2024 organizado pelo Clube Ilusionista Fenianos (Secção de Ilusionismo do Clube Fenianos Portuenses), mas um amigo teve a gentileza de me oferecer um exemplar do livro “65 Anos de Ilusionismo no C.I.F.” cujo autor é José António Salazar Ribeiro “Salazars”.

Foi, portanto, com o interesse próprio de quem viveu muitos bons momentos no âmbito de tal instituição, que me embrenhei na leitura do citado livro, disposto a “saborear” as suas 77 páginas que (imaginava eu…) teriam sido preenchidas com conteúdos verdadeiros e capazes de fazer jus a uma vida de 65 anos sempre a lutar pela dignificação do Ilusionismo.

A leitura foi célere, pois muito do conteúdo é aquilo que habitualmente se designa “palha para gastar tinta a encher papel” e a conclusão final foi: “QUE GRANDE DESILUSÃO!…”

Mais adiante farei uma análise à maioria dos erros que encontrei em tal publicação, mas, para já, apetece-me enunciar duas conclusões inevitáveis que um qualquer leitor (não integrado nos meandros do Ilusionismo) tiraria da leitura atenta do referido livro.

1ª conclusão: 

O evento mais importante da história de 65 anos do C.I.F foi o facto das Sras. D. Madalena Salazar e D. Zita Reis Boal terem organizado o espólio da secção de Ilusionismo do Clube Fenianos Portuenses.

2ª conclusão:

Em 65 anos de vida do C.I.F. apenas faleceu a mãe de um sócio. O que se pode extrapolar para uma de duas situações: ou os ilusionistas que entram no C.I.F são órfãos ou as mães dos ilusionistas têm uma longevidade muito superior ao normal.

A seu tempo perceberão as razões de tais inevitáveis conclusões. Para uma melhor percepção dos pontos negativos que encontrei na publicação irei fazer uma análise individualizada de cada capítulo. Mas, antes disso, vou referir um erro que nada tem a ver com o conteúdo do livro, mas sim com a falta de conteúdo do mesmo. Na realidade, no verso da página 27, está impressa, de novo, a página 27!… E após a página 27 (bis) vem a página 29. Falta portanto o conteúdo do que deveria ser a página 28, o qual corresponderia, essencialmente, ao relatório relativo ao ano de 1966. Um tremendo erro de falta de cuidado na paginação e também da revisão da publicação.

Passemos, então, à análise dos diversos capítulos que merecem reparo.

Capítulo 1 – Resumo

Apenas quero realçar que é dito “Neste opúsculo, sem querer ser exaustivo, deitei mão ao presentemente acessível, em termos de informação e documentação, sabendo que sendo tão rica a história do CIF, por certo haveriam de acontecer involuntárias lacunas, as quais previamente salvaguardo” (sic).

É evidente que involuntárias lacunas é algo perfeitamente admissível num trabalho deste género. Mas outra coisa totalmente diferente são as lacunas por falta de empenho e rigor na busca e consulta de informação existente.

Capítulo 3 – 65 Anos num passe de Varinha Mágica

A “Breve História” contida neste capítulo corresponde a uma tradução quase integral da página da MAGICPEDIA referenciada, no rodapé da página 9, como fonte #1.

Para mim é indubitável concluir que o “comodismo” tido na elaboração deste trabalho chegou ao ponto de se traduzir um conteúdo escrito em inglês, o qual enferma de inúmeros erros e omissões, nomeadamente:

- Não referir todos os Congressos Mundiais da FISM, nos quais o CIF esteve representado. De memória, lembro-me que o CIF esteve representado na FISM1988 (Den Haag) e na FISM1991 (Lausanne), porque estive presente em tais eventos.

- Também é errado (porque é mentira!) dizer que dois membros do CIF foram premiados na FISM2006. Quer o Helder Guimarães quer o David Sousa concorreram com o aval da API (Associação Portuguesa de Ilusionismo). Desconheço se o David Sousa alguma vez foi sócio efectivo do Clube Fenianos Portuenses (e, portanto, membro da respectiva secção de Ilusionismo), mas sei que o meu filho Helder Guimarães, à data da realização do congresso FISM de Estocolmo já não era associado do Clube Fenianos Portuenses. Será que, ao “capitalizar” para si os sucessos do Helder Guimarães e do David Sousa na FISM estará o CIF a “reforçar” a “longa e fraterna relação com a API – Associação Portuguesa de Ilusionismo” como, mais adiante é referido?

- É referido “Em 2009, a Direcção conjuntamente com Madalena Salazar e Zita Reis Boal, encarregam-se da recuperação e inventariação de todo o espólio da Biblioteca e demais acervo da Sala-Museu do CIF.” (Nota: 1ª referência a este assunto.)

- A referência aos ilusionistas estrangeiros que passaram pelo CIF enferma de diversos erros nos nomes apresentados. A título de exemplo refiro Jean Charles (correcto seria Jean Carles), Jarry Darlenne (correcto seria Jerry Darnelle), Chade Long (correcto seria Chad Long), Artur Ascanio (correcto seria Arturo Ascanio), Thom Person (correcto seria Thom Peterson), Richard & Lara Jarmin (correcto seria Richard & Lara Jarmain) e Kiko Pasteur (correcto seria Kiko Pastur).

- No último parágrafo deste capítulo é dado destaque à actual direcção do CIF, referindo, de passagem outros nomes que foram, anteriormente, também directores. É evidente que aqui haveria sempre lugar a uma ou outra omissão, mas acho que são demasiadas as omissões, o que reforça a minha ideia de um trabalho “feito em cima do joelho”….  Não refiro esta situação por estar melindrado visto o meu nome ter sido “esquecido”, mas por entender que nomes como João Marques Pinto, Magalhães Aguiar ou Manuel da Costa não deveriam sê-lo!

Capitulo 4 – Fundação do CIF – Clube Ilusionista Fenianos

A fotografia que encima este capítulo apresenta, inexplicavelmente, dois pontos de interrogação em substituição do que seria a correcta identificação de duas pessoas. Digo e repito: inexplicavelmente! 

Esta fotografia esteve presente em exposição na sala do CIF durante o evento OPEN HOUSE 2018 e a ela me refiro aqui. Na altura a fotografia tinha a legenda “Fundadores”. Tive oportunidade de, em conversa com Ana Maria Meixieira, identificar, de imediato, Armindo de Matos, Pires de Carvalho e Eduardo Franco. No entanto, o quarto elemento em destaque na fotografia permanecia, para mim, como um desconhecido. Tal como expressei no supracitado post do meu blogue, trata-se de Victor Peacock, que nada tinha a ver com a fundação do C.I.F., sendo um ilusionista inglês que visitava, com frequência, o Porto e era colaborador da revista Magia.

O conteúdo deste capítulo não passa de uma cópia (com alguns cortes) da reportagem publicada no primeiro exemplar da revista Magia (Julho 1959).

Capítulo 5 – Quem foram os Primeiros Directores do CIF?

As biografias de Pires de Carvalho, Armindo de Matos e Eduardo Franco foram quase integralmente copiadas do Dicionário do Ilusionismo em Portugal da autoria de JÓNIO (Camacho Barriga), tal como o próprio opúsculo refere em rodapé. 

Isso em si mesmo não é um erro, mas quando se muda ou acrescenta um pormenor, acaba por se introduzir erro e confusão no que estava bem. 

Foi o que aconteceu na biografia de Pires de Carvalho quando se refere “[...]actuando num espectáculo organizado pela As.P.I.[...]” e “[...]foi sócio da As.P.I.[…]”. (Nota: na obra de Camacho Barriga não aparece As.P.I. mas sim A.P.I.)

Se consultarmos a página 77 onde se encontra a descrição das siglas usadas no opúsculo veremos que não está referenciada nenhuma sigla As.P.I., pois às entidades Academia Portuguesa de Ilusionismo e Associação Portuguesa de Ilusionismo é atribuída a mesma sigla (A.P.I.), o que só ajuda a criar confusão. Mas a sigla As.P.I. não é completamente desconhecida no meio mágico. De facto, quando foi criada a Associação Portuguesa de Ilusionismo (muitos anos após a extinção da Academia Portuguesa de Ilusionismo), muitas vezes a sigla As.P.I. era usada para referenciar a Associação Portuguesa de Ilusionismo para garantir que não houvesse confusão com a extinta Academia Portuguesa de Ilusionismo. Ora, no caso em análise, o erro é demasiado grosseiro, pois o Dr. Pires de Carvalho estreou-se num espectáculo organizado pela Academia Portuguesa de Ilusionismo da qual foi sócio.

Também foi um erro acrescentar na biografia de Eduardo Franco “[…] reactivou uma rotina de Magia Geral, tendo como partenaire, a sua sobrinha Ana Maria Sequeira (NANY).” Ora Ana Maria Sequeira não era sobrinha do Sr. Eduardo Franco, mas sim do Prof. Armindo de Matos, como pode ser visto no Dicionário do Ilusionismo em Portugal que foi fonte de consulta do autor.

Por último, os três biografados já faleceram, mas não houve a preocupação de completar a informação que foi copiada de uma fonte publicada numa data em que todos ainda eram vivos. 

Capitulo 7 – Os primeiros 20 anos (1959-1979)

Nas 18 páginas deste capítulo são, basicamente, copiados conteúdos dos relatórios do Clube Fenianos Portuenses. Por um lado, parece-me completamente desnecessário detalhar os locais/entidades onde o Clube Ilusionista Fenianos realizou espectáculos numa publicação deste género. Por outro lado, ao serem “simplificados”, há conteúdos copiados que aparecem como sendo uma duplicação injustificável. A título de exemplo, no ano de 1962, existem duas referências a Associação Nun’Álvares de Campanhã e duas referências a Associação Musical de Miragaia, e , no ano de 1963, aparecem referências em duplicado a Salão Paroquial do Santíssimo Sacramento e Associação Protectora da Infância. Isto acontece porque nos relatórios do Clube Fenianos Portuenses tal informação está expressa em conjunto com a respectiva data de realização do espectáculo e, ao ser eliminada a referência a datas, surge a inevitável duplicação que só seria evitada com uma cuidada revisão, a qual, obviamente, não existiu.

Capítulo 8 – Anos de Ouro

Este capítulo de três páginas de texto e uma imagem cobre quase 30 anos de vida do C.I.F. (de 1980 a 2008) com um GRANDÍSSIMO NADA!…

No texto chamou a minha atenção o seguinte conteúdo: “Também, foi durante estes anos que vimos surgir os ilusionistas que marcaram estes anos: Joferk & Christy, Maury & Tany, The Boal’s, Cardinal’s Magic Show, Eduardo Franco e Nany, Edgar e Teresa, Joy & Lay, Serge & Faty, etc etc, com a particularidade de que constituíam rotinas de palco com as respectivas “partenaires, que normalmente eram as suas mulheres, exceptuando FRANCOF, que era com a sobrinha Nany.”

Então CARDINAL, que havia ganho um prémio no Festival Mágico da Figueira da Foz de 1973 (conforme página 31 do opúsculo), só aparece nestes anos? 

E JOFERK que igualmente ganhou um prémio no Festival da Figueira da Foz de 1973 (conforme página 31 do opúsculo) e que foi o grande vencedor do Festival Mágico da Figueira da Foz de 1975 (conforme página 33 do opúsculo) só aparece nestes anos?

Por seu turno, Eduardo Franco & Nany (que realizaram poucos espectáculos) continuavam a não ser tio e sobrinha como o autor pretende fazer crer.

Para encher o GRANDÍSSIMO NADA que é este capítulo, o autor aproveitou para tecer considerações pessoais sobre o “desaparecer do brilhantismo das actuações de palco” e o “grande relevo da stand-up magic e da cartomagia”, considerações que me parecem ser totalmente descabidas numa publicação com o objectivo de sintetizar os 65 anos do Clube Ilusionista Fenianos.

Tal como é totalmente descabida a figura que preenche a página 42 do opúsculo.

Capítulo 9 – A última década e meia (2009 – 2023)

Neste capítulo o autor voltou ao formato usado no capítulo 7, ou seja, referenciar, em cada ano, o que foi considerado mais relevante. 

Portanto, no ano de 2009, está referido o seguinte: “Foi também neste ano que as Srªs. Dªs. Madalena Salazar e Zita Reis Boal, colaboraram, juntamente com outros, na actualização do espólio da Secção, seleccionando, limpando, arrumando e organizando as suas Biblioteca e Património, restaurando mobiliário inclusive, onde ficaram as várias peças exibidas para disfrute de todos os Ilusionistas.”. (Nota: 2ª referência a este assunto.)

Também no ano de 2009 foi realizado o 24º Congresso Mundial de Magia FISM e houve a preocupação de referir que o delegado do CIF foi Salazar Ribeiro, que, por mero acaso, é o autor do opúsculo. Em todos os anteriores Congressos Mundiais de Magia FISM nos quais o CIF esteve representado, não houve a preocupação de referir o nome do delegado…

No ano de 2010 está referido o seguinte: “O trabalho de restauro da nova sala da Secção de Ilusionismo prosseguiu durante este ano, pelas Srªs. Dªs. Madalena Salazar e Zita Reis Boal, com outros apoios, por forma a que esta nova valência pudesse ser apresentada aos associados, aquando do Festival de S. João Bosco 2011.” (Nota. 3ª referência a este assunto.)

No ano de 2011 está referido o seguinte: “Continuaram os trabalhos de arranjo e restauro de móveis, livros e restante património na Sala da Secção de Ilusionismo, no 2º Andar, a cargo das Dª. Madalena Salazar e Zita Reis Boal.” (Nota: 4ª referência a este assunto.)

No ano de 2018 aparece, pela primeira vez no livro, referência a confrades falecidos. Até parece que, em anos anteriores, nunca tinham falecido ilusionistas do CIF… Faz todo o sentido esta referência, tal como faria todo o sentido ter referido em anos anteriores, os falecimentos de Arnaldo Brandão Horta, Pires de Carvalho, Armindo de Matos, Eduardo Franco, João Marques Pinto, Magalhães Aguiar, Homero Rocha e outros cujos nomes não me ocorrem neste momento. São falhas imperdoáveis que uma pesquisa cuidadosa, certamente, evitaria. Igualmente é imperdoável a falta de referência, no ano de 1996, ao falecimento de José Carlos Gomes (HORTINY) , que, não sendo associado do CIF, faleceu nos bastidores do palco do Salão Nobre do Clube Fenianos Portuenses, alguns minutos após terminar a sua actuação.

No ano 2020 é feita referência ao falecimento de Fernando Coimbra (JOFERK) e no ano de 2022 é referido o óbito de Fernando Reis Boal (BOAL’S). Sendo estas referências perfeitamente justificadas, já não posso dizer o mesmo da referência feita, em 2022, ao falecimento da Mãe de José António Salazar Ribeiro. Nunca antes haviam falecido Mães de ilusionistas do CIF? Porquê esta referência em concreto? Será por a falecida ser Mãe do autor do livro? 

A minha conclusão

Acho que ficou “claro como água” o mau trabalho que foi feito na elaboração deste opúsculo, o que justifica plenamente o título “O C.I.F. MERECIA MAIS E MELHOR!…”

Os erros a apontar a este trabalho não se esgotam no que atrás foi escrito. Mais haveria a dizer, nomeadamente, a nível da ortografia e sintaxe. Muitas vezes tais erros acontecem devido a mau funcionamento de correctores ortográficos (cá entre nós, é sempre uma boa desculpa…). Não sei se foi o caso do único erro desse tipo que irei referir.

Na página 43 (primeiro parágrafo) pode ler-se: “Assim, eis um enxerto:”. Obviamente que o autor queria escrever excerto e não enxerto… Mas por vezes há erros que parecem premonitórios… E parece mesmo que o “corrector ortográfico” nos quis transmitir que, devido ao mau trabalho efectuado, o autor merece um enxerto...


sábado, janeiro 27, 2024

PRÉMIOS E GALARDÕES EM MAGIA


No meu ponto de vista, nas áreas artísticas, as distinções podem dividir-se em duas categorias: prémios e galardões.

Analisemos estas duas categorias.

Os prémios são as distinções obtidas em concursos em que um júri avalia uma prestação artística realizada durante um intervalo de tempo limitado. Portanto, deve ficar fora de avaliação qualquer conhecimento prévio que os jurados possam ter sobre a valia artística dos concorrentes em apreço. No fundo, um concurso trata-se de uma espécie de corrida em que não há qualquer handicap positivo para um concorrente que já tenha sido vencedor em anteriores corridas. 

Naturalmente que estou a retratar a situação ideal, pois sendo um júri constituído por jurados humanos, haverá sempre lugar a variações de análise de cada um deles, fruto da respectiva sensibilidade artística e de algum conhecimento anterior quanto à valia dos concorrentes.

Mas, se a influência de tal conhecimento, não sendo desejável, é compreensível, já o mesmo não direi de outro tipo de conhecimento sobre a personalidade e comportamento social dum qualquer concorrente. Assim não me choca absolutamente nada que um prémio num concurso de magia seja atribuído a alguém que seja alcoólico ou vigarista (apenas para dar dois exemplos dos muitos possíveis).

Concursos em que os premiados das sucessivas edições constroem sólidas carreiras artísticas acabam por se tornar cada vez mais atraentes para praticantes que buscam impulsionar as respectivas carreiras estejam elas numa fase de arranque ou num fase de estagnação. São exemplos desta situação, os concursos da FISM, o Prémio Ascanio e o International Magic Competition.

Os galardões deverão ter, no meu entender, outro tipo de análise e enquadramento.

Os galardões são distinções atribuídas em função de uma análise circunstanciada do percurso do galardoado (realizada por uma comissão ou por uma só pessoa) a que não pode (nem deve!) ser alheia a consideração de situações extra-artísticas que possam diminuir seriamente a sua importância no âmbito da respectiva Arte.

Assim, de forma alguma considero que alguém com comportamentos reprováveis, como fazer uma pequena chantagem para calar vozes que dele discordam ou burlar uma entidade patronal (apenas para dar dois exemplos dos muitos possíveis), possa, por maiores que sejam os respectivos méritos artísticos, merecer a a atribuição duma distinção deste tipo. E, mais do que o próprio galardoado, será a entidade que atribuiu o galardão que ficará, com tal decisão, em xeque perante a comunidade esclarecida e com boa memória.

São bem conhecidas, na comunidade mágica internacional, as histórias à volta dos Merlin Awards atribuídos por International Magician Society de Tony Hassini.


terça-feira, novembro 14, 2023

Como NÃO levar a carta a Garcia…


A expressão “levar a carta a Garcia” tem o sentido abrangente de “‘cumprir, eficazmente, uma missão, por mais difícil ou impossível que possa parecer.” E, se tal expressão se aplica nas mais diversas actividades, ela tem um significado mais literal quando nos referimos à actividade de distribuição de correspondência e encomendas da empresa CTT.

Lembro-me de ouvir contar histórias de cartas endereçadas de maneira bizarra que, com mais o menos esforço dos trabalhadores dos CTT envolvidos na respectiva distribuição, tinham conseguido alcançar o respectivo destinatário. Claro que isso aconteceu muito antes da implementação do “código postal”, que, como todos sabemos é “meio caminho andado”… Mas será mesmo?

Esta introdução leva-me a partilhar a história que se segue, a qual ocorre nos dias de hoje, em que um funcionamento suportado em tecnologias de ponta e comunicações instantâneas via internet não permitem disfarçar o PÉSSIMO funcionamento dos serviços dos CTT.

Ontem estava previsto ser-me entregue uma encomenda. Tomei conhecimento de tal facto pelo mail recebido às 09h15m que seguidamente apresento.


A mesma informação já me havia sido enviada às 09h07m via SMS, o que aliás antecipava a entrega inicialmente prevista para dia 14. Tais SMS são reproduzidos seguidamente.



Entretanto durante o dia consultei o website dos CTT para perceber o eventual horário de entrega e, pouco depois das 16h07m, apercebi-me que a encomenda não havia sido entregue (Motivo: morada incorrecta). Na realidade, a morada não estava incorrecta, mas sim incompleta. Não referia a rua onde resido, mas apenas o número de porta e o respectivo código postal.

Uma simples pesquisa do código postal na Internet teria permitido obter o nome da rua onde resido. Por outro lado, se os CTT tinham usado o meu número de telemóvel para me informarem o horário previsto para a entrega da encomenda, poderiam usar esse mesmo número para confirmar o meu endereço completo. Nada disso foi feito.

Quando me apercebi da situação, através do website dos CTT, solicitei uma alteração da morada de entrega, tendo recebido, às 16h23m, a confirmação do registo de tais alterações como se pode ver pela reprodução do mail recebido.


Apesar disso, às 17h41m, a encomenda entrou em processo de devolução, como se pode ver pela imagem seguinte.


Hoje de manhã (às 09h30m) efectuei a devida reclamação através do website dos CTT como demonstra o mail de resposta recebido.


Apesar disso, às 12h03m o envio saiu para entrega ao remetente como se vê numa das imagens anteriores.

Palavras para quê?!?!?!? É o funcionamento NORMAL dos CTT


PS: Este assunto sai fora do tema deste meu blogue (Ilusionismo), mas não encontrei melhor sítio para publicar texto e imagens de maneira fácil e perceptível.


sábado, novembro 04, 2023

FALECEU DAVID BERGLAS

 

A morte de um nome grande da Magia deixa sempre a nossa Arte mais pobre. Por isso é justo recordar alguém que fez furor em meados do século XX, com inúmeras presenças em canais de televisão dos mais diversos países.

A quem pretender saber com mais detalhe as vicissitudes de uma vida repleta de peripécias aconselho a leitura do livro THE MIND & MAGIC OF DAVID BERGLAS, publicado em 2002 e com autoria de David Britland.

Mas a principal razão deste meu texto é evidenciar uma ligação de David Berglas a Portugal que, provavelmente, será desconhecida da maioria dos ilusionistas portuguesas. Essa ligação resulta de David Berglas ter escolhido para sua "melodia de assinatura", o tema de Raúl Ferrão que ficaria internacionalmente conhecido como April in Portugal (uma interpretação de tal tema pode ser ouvida aqui). Tal ligação está referida na página 36 do livro supracitado, a qual, seguidamente, se reproduz com a devida vénia.




sexta-feira, outubro 13, 2023

A propósito de HOCUS POCUS

 

A seguir à expressão ABRACADABRA, talvez seja a expressão HOCUS POCUS aquela que tem sido mais usada pelos ilusionistas ao longo dos tempos para acompanhar a apresentação dos seus "milagres".

Na sua coluna PARALLAX (publicada na revista MAGIC de Setembro de 1993), Max Maven refere a possível origem da expressão HOCUS POCUS nos seguintes termos:

Hocus pocus may also stem from a religious source; one prevalent conjecture holds that it is a corruption of the phrase “hoc est corpus” from the Latin liturgy. Whatever its origin, the phrase is at least 450 years old, and it seems likely that in turn it generated the now common word for a prankish deception, hoax.

A tradução (mais ou menos) livre de tal asserção é a seguinte:

Hocus pocus pode provir de uma fonte religiosa; uma conjectura predominante sustenta que se trata de uma corruptela da frase “hoc est corpus” (=isso é um corpo) da liturgia latina. Seja qual for sua origem, a frase tem pelo menos 450 anos e parece provável que, por sua vez, tenha gerado a palavra inglesa agora comum para um engano travesso: “hoax” (=fraude).

Tendo presente na memória a ideia obtida com a leitura do texto de Max Maven, fiquei pensativo ao deparar com o anúncio na montra de uma loja de vinhos da baixa portuense, que a foto seguinte documenta:




quinta-feira, setembro 21, 2023

A MENTIRA RECORRENTE...

 

Nos últimos anos temos assistido ao propagar de uma mentira nos meios de comunicação social. E qual é essa mentira? 

A mentira é afirmar que o Festival de Magia de Coimbra é o mais antigo que se realiza em Portugal. É fácil concluir que o departamento de comunicação dos Encontros Mágicos de Coimbra tem mais e melhor acolhimento na generalidade da comunicação social do nosso país daquele que é dado ao seu congénere do MagicValongo. Mas a verdade é uma e só uma: o MagicValongo é o mais antigo festival de ilusionismo que, neste momento, se realiza em Portugal.

Para aqueles "ceguinhos" que continuam com dúvidas aqui deixo as imagens dos programas das primeiras edições dos eventos mágicos supracitados.



Já tinha abordado este assunto em 4 de Junho de 2022 no post que pode ser lido aqui.


segunda-feira, setembro 11, 2023

A FALTA DE RIGOR IRRITA-ME!


Já sei que vão comentar que sou um "gajo picuinhas", mas se há coisa que me irrita profundamente é a falta de rigor na informação que se transmite. Pior ainda seria verificar que tal falta de rigor era propositada e teria o objectivo de empolar méritos ou obras.

Vem este arrazoado a propósito de algo que li recentemente no Facebook. Vamos aos factos.

O conhecido mágico espanhol RAÚL ALEGRÍA foi recentemente premiado no Campeonato de España de  Magia FISM Qualified Contest e publicitou tal cometimento, no Facebook, nos moldes seguintes:


Bastaria ao Sr. Fernando Castro (SAVIL) carregar no link CEM FISM QC-Manresa-Barcelona destacado na publicação do RAÚL ALEGRIA para encontrar a seguinte informação:


Desta forma ficaria perfeitamente esclarecido quanto ao evento no qual o mágico espanhol havia sido premiado. No entanto não o deve ter feito e caiu no ridículo de inventar um "evento FISM" em Espanha, como se pode verificar na publicação seguinte:


Haja paciência!


terça-feira, agosto 22, 2023

LISBOA MÁGICA 2023


Começa hoje o evento LISBOA MÁGICA (Festival Internacional de Magia de Rua de Lisboa) e voltou à “velha forma” de ter (quando tem…) apenas um mágico português como convidado.


Bem me parecia que o “puxão de orelhas” da Câmara Municipal de Lisboa iria ter pouco impacto em futuras edições do evento… 

Assim podemos actualizar a lista publicada neste post, a qual ficará assim:

LM2006 - 15 (quinze) convidados - 0 (zero) portugueses
LM2007 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (Helder Guimarães)
LM2008 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (David Sousa)
LM2009 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (Mário Daniel)
LM2010 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (José de Lemos)
LM2018 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (José de Lemos)
LM2019 - 15 (quinze) convidados - 0 (zero) portugueses
LM2020 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (José de Lemos)
LM2021 - 15 (quinze) convidados - 0 (zero) portugueses
LM2022 - 15 (quinze) convidados - 2 (dois) portugueses (Francisco Mousinho / Zé Mágico)
LM2023 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (Gabriel Ferreira) 

Resumindo e concluindo: em 11 edições do evento, num total de 165 convidados, há 9 portugueses, o que dá a "miserável percentagem" de 5,45%. 



quarta-feira, agosto 16, 2023

REESCREVER A HISTÓRIA ?


Há dias deparei com um post colocado por Fernando Castro “SAVIL” no grupo público MAGICVALONGO do Facebook, o qual está reproduzido na imagem seguinte.


É curiosa uma certa maneira de escrever… 

Dizer “A equipa organizadora do MagicValongo deu sempre oportunidade aos artistas portugueses.” é o mesmo que dizer… NADA.  De facto, sendo o MagicValongo um festival mágico que incluiu dois concursos (palco e mesa), qualquer ilusionista português tem oportunidade de se inscrever nos mesmos e poder actuar no evento.

Portanto o “dar oportunidade aos artistas portugueses” parece querer transmitir a ideia de “apoiar os artistas portugueses”, o que nem sempre foi uma realidade. Ou será que “não convidar artistas que participaram nos concursos e neles foram premiados e convidar outros artistas que nunca foram premiados nos mesmos”  é sinal do tal apoio que, subliminarmente, o “dar oportunidade” tenta transmitir?

E, quanto ao destaque dado aos magos do nosso país, estamos conversados... Eu ainda sou do tempo em que só havia destaque para os magos estrangeiros, situação contra a qual sempre levantei a minha voz. Assim como fui capaz de elogiar a inversão da situação em 2003, conforme pode ser lido aqui.

Por último, uma palavra para a escolha das quatro fotos que ilustram o post. Não percebo a inclusão da foto do DANIEL GUEDES em detrimento de outros igualmente "destacados magos do nosso país", como, por exemplo, PEDRO LACERDA MACHADO.


quinta-feira, maio 11, 2023

HÁ COISAS QUE NÃO MUDAM...


Recentemente foi publicada uma notícia sobre o novo espectáculo de Helder Guimarães que estreará em Los Angeles em 25 de Abril do próximo ano. Tal notícia pode ser lida aqui.

E essa notícia permite-nos perceber que os editores do website “Notícias ao Minuto” continuam a ter uma imagem do que é a Arte Mágica colada a estereótipos anteriores a meados do século passado.

Uma cartola (bem fatela por sinal) e uma varinha mágica (que parece saída de uma Caixa de Magia para principiantes) foram os adereços que o “bom gosto” editorial do “Notícias ao Minuto” encontrou para ilustrar uma notícia onde se fala do novo espectáculo de Helder Guimarães. 

Isso não é apenas um grande desconhecimento do tipo de magia que Helder Guimarães pratica. É também uma total falta de conhecimento dos parâmetros pelos quais se pautam as modernas actuações da grande maioria dos mágicos.

sábado, março 11, 2023

UM "TESOURINHO"


Descobri um “tesourinho” nos Arquivos da RTP. Trata-se do programa Ligeiríssimo de 3 de Dezembro de 1977 (que pode ser visto aqui), o qual apresenta uma desenvolvida reportagem sobre a 1ª Convenção da Associação Portuguesa de Ilusionismo.

Nela podemos apreciar excertos das actuações, em close-up, de HORCAR, JOÃO GASPAR, CAMILO VAZQUEZ e EBERHARD LIEBENOW e das actuações, em palco, de HORCAR, SERAVAT, VAN-DER-MAG Jr., FRED ALAN, JODIVIL E MARGOT, ROVIT AND MAY, EBERHARD LIEBENOW e HUGO DONJAR.

Também se tem a oportunidade de ver pequena entrevista feita ao Arq. Fernando Lima (um dos responsáveis da API), na qual é interessante verificar a forma como salienta as dificuldades técnicas na implementação de uma “Gala de Close-up” para público leigo. 

O que deve ser motivo de reflexão para todos os ilusionistas é o facto de, em recentes eventos mágicos, continuarem a existir as mesmas dificuldades técnicas referidas pelo Arq. Fernando Lima. 

Ou seja, em mais de 40 anos, não se conseguiu, na generalidade, suprir tais dificuldades… Dá que pensar.


segunda-feira, fevereiro 13, 2023

MAGIA DE ALUGUER: UMA NOVA OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO


A minha alma está parva!... Acabo de ver, no Facebook um post com o seguinte teor:


Estou convicto que, se FRED KAPS, ARTURO DE ASCANIO ou DAI VERNON ressuscitassem, teriam direito a morte súbita ao ver o teor de tal post.

Se a primeira interrogação até pode parecer apropriada pois conseguimos imaginar a aflição de um mágico que tem no seu repertório o efeito "Master Prediction" e que, em "cima da hora" de um espectáculo importante, se vê confrontado com a avaria (ou desaparição) do material necessário e a urgência da necessidade de o substituir, já a segunda interrogação só pode ser fruto de uma completa falta de noção do que é o Ilusionismo.

Mas não tenho dúvidas que, por este caminho, não tardará muito a florescer um negócio do aluguer de truques à hora, numa qualquer esquina de Lisboa.

P.S.: Reparei agora mesmo que nem sequer a primeira interrogação é minimamente apropriada, pois a expressão "ou similar" parece indiciar que o potencial candidato a alugar não tem qualquer preocupação em estar familiarizado com o funcionamento do equipamento que vai alugar. É TUDO IGUAL AO LITRO!


quarta-feira, fevereiro 01, 2023

MUSEU DA MAGIA



Ocorreu ontem a inauguração oficial do Museu da Magia Portugal. Fruto da iniciativa de Miguel Ângelo este equipamento cultural localiza-se no concelho de Valongo, cuja Câmara Municipal já tem uma longa tradição no apoio à Arte Mágica, com os 30 anos de realização ininterrupta do MAGICVALONGO.

Não estive presente na inauguração oficial deste espaço, mas pude testemunhar o empenho do Miguel Ângelo na concretização deste projecto quando visitei, a seu convite, o Museu da Magia nas primitivas instalações. No entanto tive oportunidade de assistir à Gala de Magia que teve lugar, à noite, no Fórum Cultural de Ermesinde e é sobre esta Gala que irei tecer algumas considerações.

Não irei referir-me ao desempenho individual de cada um dos intervenientes, pois percebi que as opiniões pessoais que expressei quando escrevi apreciações críticas a actuações de mágicos não foram entendidas como contributos desinteressados para a sua melhoria futura, mas sim como “críticas destrutivas”. Direi apenas que o espectáculo decorreu em bom ritmo, mas que a duração da gala ultrapassou o limite de tempo adequado a um espectáculo sem intervalo.

Irei, no entanto, referir-me a José de Lemos que esteve em palco na função de apresentador. Não o faço para enaltecer ou depreciar os seu méritos como apresentador, mas sim para realçar a necessidade de escolher bem as palavras que se dizem para não deturpar a verdade dos factos.

Ora o José de Lemos, na apresentação que fez à actuação de David Sousa, FALTOU À VERDADE. Se o fez de forma involuntária ou propositada só a sua consciência o sabe. Não estive a gravar as suas palavras pelo que não as posso reproduzir de forma exacta, mas a minha memória reteve o conteúdo essencial das mesmas, o qual se pode expressar assim:

“De três em três anos realiza-se o Campeonato do Mundo de Magia. O de 2006 realizou-se em Estocolmo e é inesquecível para nós pois um português foi premiado. A partir daí actuou por todo o mundo e serviu de inspiração a outros mágicos. Hoje vai estar neste palco com um novo trabalho.”

Foi para mim claro que os espectadores presentes na Gala de Magia ficaram com a ideia (errada) que, na FISM 2006, tinha havido apenas um português premiado, o que todos os que andam nas lides mágicas sabem ser mentira! 

Ora o José de Lemos poderia ter enaltecido o prémio FISM do David Sousa sem necessidade de faltar à verdade dizendo algo do género:

“De três em três anos realiza-se o Campeonato do Mundo de Magia. O de 2006 realizou-se em Estocolmo e é inesquecível para nós pois, pela primeira vez, houve portugueses premiados. Um deles é o nosso próximo atuante, o qual, a partir de 2006, actuou por todo o mundo e serviu de inspiração a outros mágicos. Hoje vai estar neste palco com um novo trabalho.”

Considero que é errado o apresentador de um qualquer espectáculo faltar à verdade na introdução que faz para apresentação dos artistas. Neste caso a gravidade aumenta, pois trata-se de um apresentador que também é mágico e está a conduzir uma gala promovida pelo Museu da Magia. Ora um museu que tem por missão preservar memórias de factos mágicos verdadeiros não deve contribuir para a criação de memórias mágicas falsas como será a ideia implantada ontem de que só teria havido um ilusionista português premiado na FISM de Estocolmo.

Também merece uma forte crítica da minha parte a forma MENTIROSA como a Câmara Municipal de Valongo publicitou a Gala de Magia no respectivo website (ver aqui). Tal informação termina com o seguinte parágrafo:

"Para marcar essa data, que se pretende que seja memorável, irá decorrer, no Fórum Cultural de Ermesinde, no mesmo dia, às 21h30, uma Gala de Magia, que contará com as atuações de Solange Kardinaly, José de Lemos, Rafael Titonelly, David Sousa, Zé Mágico, Ricardo Pimenta e André Gomes, todos eles portugueses, com várias participações constantes nas TV’s nacionais e em eventos internacionais, sendo um campeão mundial português e outra campeã de Espanha no Congresso de Magia." (sic)

Ora nem a Solange Kardinally é campeã de Espanha nem o David Sousa é campeão mundial. Como não acredito que tenha sido a Câmara Municipal a "inventar" estes títulos, eles devem ter sido fruto de informação (ERRADA) transmitida pelo Museu da Magia. Se assim foi, é caso para dizer que o Museu da Magia logo no seu começo já está a trilhar caminhos muito errados...

Até parece que, passados 17 anos, há quem ainda não tenha absorvido a ideia que há um ÚNICO português que é CAMPEÃO MUNDIAL DE MAGIA: Helder Guimarães

Como diria o primeiro-ministro António Costa: “HABITUEM-SE!”


sábado, outubro 29, 2022

A DIFERENÇA...


Hoje , num grupo de magia do Facebook, havia um comentário a um post sobre livros da DOVER que cativou a minha atenção. Eis o respectivo conteúdo:

A respectiva tradução é a seguinte:

"Quando eu tinha uma loja de magia, sugeria livros, mas a maioria dos clientes queria um truque, então eu executava "Gemini Twins" do livro "More Self Working Card Tricks". Eles perguntavam: "Quanto?". Eu respondia: “5 dólares”. Eles pagavam-me 5 dólares e eu entregava-lhes o livro."

Este comentário atraiu a minha atenção pois fez-me lembrar um episódio acontecido em 2009. Neste caso uma Loja de Magia pôs à venda (como download) um truque com o nome "Engano Calculado" que mais não era do que o truque "VOILÀ, CUATRO ASES" descrito por Roberto Giobbi no livro ROBERTO EXTRA LIGHT. A cópia era tão exacta que até mesmo o cinco usado como "carta enganada" era o 5 de copas, que Giobbi apresenta para exemplo da sua descrição!

Conseguem ver a diferença de comportamento ético entre os dois vendedores? 

Eu vejo... Por isso, para a este segundo vendedor, eu só consigo encontrar uma classificação: CHICO-ESPERTO!


segunda-feira, outubro 24, 2022

TEN



Para o próximo fim de semana está programado um evento virtual que reune 10 dos mais prestigiados mágicos do nosso planeta. 

Por isso mesmo o evento tem o o nome "TEN" e, entre os dez, figura Helder Guimarães.


sexta-feira, outubro 21, 2022

ATÉ SEMPRE, VICTOR!



"O Ilusionismo português está mais pobre" parece ser um chavão, mas é totalmente justificável neste momento, pois faleceu ontem, com 83 anos, o ilusionista português ROVIT. 

De seu nome completo Victor Manuel Ferreira Alves, ROVIT foi um dos mágicos mais conceituados da sua geração, sendo, provavelmente, o ilusionista português mais reconhecido além-fronteiras no último quartel do século XX. Após ter abraçado, em 1975, o profissionalismo a tempo inteiro, fixou residência em Espanha durante largos anos. 


Depois de já o ter visto actuar num programa da RTP ("Domingo à Noite", creio eu) e ter ficado impressionado com a qualidade da sua performance, lembro-me de conhecer pessoalmente ROVIT no casamento de JOFERK (outro dos GRANDES dessa geração, infelizmente já desaparecido) e de ter estreitado a nossa amizade e conhecimento mútuo na viagem de comboio para a FISM de Paris (1973).

Ao longo da sua carreira ROVIT conquistou vários prémios, sendo junto destacar o 1º Prémio de Manipulação no 1º Festival Mágico da Figueira da Foz e o Prémio Frakson (que lhe foi atribuído pela SEI Madrid no ano de 1989). 

ROVIT foi também uma presença assídua nos ecrãs da RTP com participações em diversos programas de variedades e a responsabilidade de realizar 4 séries de programas de Ilusionismo.

Em Março de 1999, a revista "O Mágico" dedicou-lhe o respectivo dossier, o qual incluíu o meu contributo com o texto que seguidamente reproduzo.

Até sempre, Victor!                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 

8 X ( R + O + V + I + T ) 
Jomaguy


Recordação A viagem a Paris (FISM’73).
Recursos Muitos. Manipulação, Magia Geral, Grandes Ilusões, 
                        Close-up, etc.
Regalo A presença em palco.
Relevante O trabalho em prol do Ilusionismo.
Renovar O reportório. Preocupação constante.
Renúncia A uma vida sedentária de bancário (ou seria banqueiro?).
Ressalvar A palavra “alfenetes”.
Rolas Uma rotina impecável. “Profissionalíssima”.

Obstinado Quanto baste.
Ocasião O primeiro encontro (no casamento do Coimbra).
Ocupação Magia, encher balões e... visitar boites.
Opinião Sempre abalizada.
Organizador Dos Encontros de Sintra.
OriginalidadeUma caixa de espadas com uma cartola.
Ortografia Sempre errou ao escrever “alfenetes”.
Ousadia Trocar a vida de “banqueiro” pela de ilusionista.

Vacilar Apenas ao pronunciar alfinetes (ou será alfenetes?).
Vadiagem As saídas nocturnas... para ir trabalhar!
Vagabundo Como qualquer mágico profissional.
Vanguarda Da dignificação do Ilusionismo.
Vaticínio Ainda tem muito para dar à MAGIA portuguesa.
Vendedor  Esse é o outro, o Mr. Balloon.
Vitória A maior foi sobre um aparatoso (e grave) acidente.
Vocabulário Com um óbice enorme: a palavra “alfenetes”.

Ibérico Pudera, com tantos anos em Espanha.
Ideal Seria o mundo mágico... sem alfenetes.
Idioma Houve tempos em que misturava portunhol com espanhês.
Ilusionista Uma certa maneira de ser e estar.
Imposição Dos temas de Sintra... como um “capo mafioso”.
Impossível Pronunciar alfinetes.
Impulsionar O desenvolvimento da nossa Arte.
Insuflar         Balões de todas as formas e feitios.

Tabu A palavra... (o leitor já adivinha qual é!).
Tarde A manhã do artista que trabalha de noite.
Teatros Oficinas de trabalho.
Televisão  Muitos TEMPOS DE MAGIA...
Teresa A MAY sem lantejoulas.
Traje Preocupação com a renovação.
Transporte A mania do CITROËN.
Treinar A obrigação permanente do profissional competente.


terça-feira, setembro 20, 2022

Uma vez mais... o baralho invisível!


Se tivesse que apostar no truque de cartas que mais vezes foi feito em programas de televisão, eu apostaria no "baralho invisível". 

Hoje, mais uma vez, tive oportunidade de ver esse velhinho truque no programa Praça da Alegria (RTP 1), executado pelo Mário Daniel. 

Felizmente o artista teve a criatividade suficiente para lhe acrescentar um "melhoramento": a carta escolhida pelo espectador muda de lugar num "abrir e fechar de olhos", perdão... num "abrir e fechar de baralho".


segunda-feira, setembro 19, 2022

25 ANOS MAGICANDO COM JOFERK


Seguidamente reproduzo o texto de minha autoria que integrou o dossier "JOFERK & CRISTY", publicado na edição de Dezembro de 1997 da revista "O Mágico".


25 ANOS MAGICANDO COM JOFERK

por Jomaguy

Joferk é, sem sombra de dúvida, desde há muitos anos, um padrão de referência no Ilusionismo nortenho. Tive a felicidade de o conhecer há 25 anos e, desde esse momento, construimos e solidificamos uma amizade que nos transformou em compadres. Tenho a certeza que o meu percurso mágico não seria o mesmo se esse encontro não tivesse acontecido. Por isso é com enorme prazer que aqui relembro os factos mais marcantes desta vivência mágica paralela.

1º Acto

Em 4 de Janeiro de 1970, quando me encontrava numa fase de despertar para a descoberta desta Arte maravilhosa que é o Ilusionismo, tomei conhecimento, através da rubrica MAGIA (da autoria de Cardinal e que o Jornal de Notícias publicava aos domingos), da existência  de um ilusionista amador de nome artístico JOFERK. Apesar da biografia aí publicada ser quase telegráfica, fixei, imediatamente, o respectivo nome para tentar assistir a uma das respectivas actuações, logo que possível... Esse meu projecto levou mais do que 1 ano e 3 meses a ser concretizado, como veremos.

2º Acto

Três meses depois (mais concretamente em  5 de Abril de 1970), na mesma rubrica, voltei a tomar contacto com Joferk, pois foi publicada uma carta aberta de sua autoria dirigida ao Dr. Pires de Carvalho. Pelo conteúdo da mesma fiquei ciente que o seu autor era uma pessoa preocupada com o desenvolvimento do Ilusionismo e interessada em contribuir para a união de esforços de todos os intervenientes válidos para a concretização de tal objectivo.

3º Acto

Passou cerca de um ano e, finalmente, em Abril (ou Maio) de 1971 tive, pela 1ª vez, oportunidade de assistir a uma actuação de Joferk, a qual me marcou profundamente. Ainda recordo, como se fosse hoje, a beleza da rotina do pintor mágico. Que excelente ideia e que lástima o Coimbra não a ter mantido e desenvolvido como ela merecia. A propósito desta actuação transcrevo, seguidamente, o que expressei no meu pequeno opúsculo “25 ANOS MAGICANDO...”.

«Creio que não falhei a presença num único desses espectáculos [programa Pica-Pau],  onde tive oportunidade de apreciar algumas actuações que me maravilharam, até porque fugiam do figurino habitual das actuações de circo. Foi, nesse programa, que adoptei o meu primeiro ídolo no âmbito do Ilusionismo. Adivinham de quem se tratava? Se responderam JOFERK, acertaram.»

4º Acto

Finalmente, em 20 de Maio de 1972, tive oportunidade de conhecer, pessoalmente, Joferk. Aconteceu num espectáculo de beneficiência em que ambos fomos convidados para actuar e sobre esse encontro deixo as impressões que registei no supracitado opúsculo.

«Esse espectáculo que, inicialmente, estava previsto ser integrado, apenas, por artistas amadores principiantes, acabou por registar a presença de vários artistas consagrados, entre os quais aquele ilusionista que era o meu ídolo: JOFERK. Imaginem os sentimentos contraditórios que então me assaltaram: por um lado o júbilo de ir conhecer, pessoalmente, aquele mágico que considerava como modelo de referência e por outro lado o receio de ver a minha actuação menos apreciada ao estar sujeita a comparação com tão excelente ilusionista. 

Como era habitual no final de tal tipo de espectáculo houve um convívio entre os artistas intervenientes e foi aí que me apaixonei pelo... close-up. Foi decididamente um caso de amor à primeira vista fruto de uma impecável exibição informal de JOFERK, de que ainda recordo o “Chop Cup” e a “Carta Polaroid”. O que aí presenciei em cartomagia nada tinha a ver com os enfadonhos truques de cartas que, até essa altura, se haviam cruzado comigo nas minhas leituras mágicas. Também o JOFERK me convidou a aparecer no CIF, depois de passar o Verão.»

5º Acto

A partir dessa data o meu contacto com o Coimbra foi-se, a pouco e pouco, estreitando, enquanto eu bebia, sofregamente, todos os conhecimentos que de tal fonte brotavam. Recordo aqui o que expressei no mesmo opúsculo.

«A partir do último trimestre de 1972, sempre que os estudos permitiam, aparecia nos Fenianos e na respectiva filial de Mouzinho da Silveira: A Fogueira das Meias. Atravessei uma fase de descoberta do Ilusionismo e aprendizagem constante em que o contributo do Coimbra foi, como sempre reconheci, fundamental.»

É da mais elementar justiça registar que o apoio que o Coimbra me dava causava-lhe, por vezes, alguns transtornos na sua ocupadíssima vida... de solteiro (entenderam?). Daí que o meu reconhecimento por tal apoio seja, naturalmente, o maior.

6º Acto

Passaram-se 25 anos num percurso mágico paralelo de presenças em espectáculos, festivais e congressos, para além da vivência, mais ou menos assídua, dos encontros semanais no nosso CIF. No entanto, como não há bela sem senão, deve registar-se que a presença do Coimbra nas nossas actividades semanais tem sido escassíssima nos últimos tempos. Mas isso não faz diminuir a nossa amizade nem lhe retira o lugar que, por direito próprio, ocupa no panorama mágico nortenho (e nacional). 

7º (e último) Acto

Estou certo que o Coimbra vai ultrapassar rapidamente um certo estado de letargia mágica em que se tem mantido, pois ainda tem muito para dar ao Ilusionismo português. Se tal ajudar poderá reler a carta aberta que referenciei no 2º Acto, imaginando que foi assinada por mim e lhe está dirigida. Pela minha parte termino fazendo votos que este artigo o possa estimular a dar um novo impulso à sua brilhante carreira mágica. 

Todos ficaremos a ganhar com isso.