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terça-feira, setembro 06, 2022

A GALA DE CLOSE-UP DA FISM 2006


Reprodução do artigo publicado na revista MAGICAMENTE (API) de Outubro 2006.


A GALA DE CLOSE-UP
por Jomaguy

Já me habituei que, nos Congressos FISM, a Gala de Close-up é algo de muito sui generis. De facto num Congresso que, desde 1988, reúne mais de 2000 participantes (exceptuando a incursão por terras do Oriente realizada em 1994) não é possível criar condições de autêntica Magia de Proximidade. Mas tenho a sensação que, em Estocolmo, houve uma das piores condições que me lembro pois a sala tinha uma capacidade de cerca de 800 lugares, pouco declive e as actuações realizaram-se em cima do respectivo palco. Nestas condições nem mesmo os espectadores das primeiras filas conseguiam ver o tampo da mesa onde decorriam as actuações. Portanto, todos os espectadores tiveram que seguir as actuações pelos ecrãs gigantes e a única autêntica espectadora de proximidade foi a operadora de câmara de TV que dava os grandes planos da mesa quando necessários (melhor dizendo, nem sempre…). 

Esta Gala foi repetida 3 vezes e o grupo em que fiquei integrado assistiu à segunda apresentação da mesma (Quarta-feira, 2 de Agosto). Esta gala começou da pior maneira possível: um grande burburinho provocado por uma falha imperdoável da Organização. De facto quando abririam as portas os porteiros de serviço começaram a recolher os bilhetes dos participantes, informando que não haveria lugares marcados. Entretanto começaram a chegar participantes que tinham lugares atribuídos nas filas da frente e que não se resignaram a ir para lugares em filas do fundo da sala. Instalou-se um verdadeiro caos, pois entretanto as pessoas que haviam deixado os bilhetes nas mãos dos porteiros tiveram que ir recuperá-los, obviamente não conseguindo obter os lugares primitivos (o Andrély foi um dos prejudicados). 

Um dos que estava irritadíssimo com toda esta situação era Ali Bongo que, inclusivamente, subiu a palco para protestar veementemente com o elemento da organização que tentava conseguir que as pessoas se acalmassem. Nunca imaginei ver um gentleman como Ali Bongo tão fora de si… A situação só foi debelada quando Dag Lofalk (Presidente do Congresso) veio a palco assumir o erro, pedir imensa desculpa e solicitar a colaboração de todos para se conseguir ultrapassar a situação e dar início à gala. Lembro que esta era a segunda apresentação da Gala de Close-up, pelo que um erro como este é totalmente inadmissível.

Foi então que o apresentador (cujo nome desconheço, pois não constava do programa) deu início à Gala, apresentando Belinda Sinclair. Por conversas tidas com amigos que haviam assistido à Gala do dia anterior, já estava mais ou menos preparado para o que me esperava, mas, mesmo assim, a decepção foi muito grande. Aliás o facto de Belinda Sinclair ter sido escolhida para abrir esta segunda Gala de Close-up quando tinha encerrado a Gala da noite anterior é sintomático… Acompanhada por dançarinos, músicos e cantores, a pouca magia desta actuação perdeu-se totalmente devido a uma realização televisiva aparentemente mal ensaiada… Mas, se calhar, ainda bem, pois cada vez que era dado um grande plano do trabalho de Belinda Sinclair com as cartas nas mãos era gritante a sua pouco apurada técnica…Definitivamente um péssimo começo para esta gala. Sorte tiveram os assistentes da primeira gala de Close-up que, ao verem a qualidade deste número e sabendo que era o último, puderam sair a meio. E muitos o fizeram, tanto quanto sei.

Seguiu-se Tim Star. Um ar de cowboy e uma actuação à base de cartas que não me convenceram a ir ver a sua conferência. Não o recomendaria para um qualquer festival nacional. Um daqueles convidados FISM que, sem comprometer, passaria despercebido se tivesse participado no concurso.

Ao ser anunciado o nome do convidado seguinte, os espectadores, que estavam no estado de apatia provocado pelas actuações já relatadas, despertaram para a realidade de irem, finalmente, assistir a uma actuação com nível FISM. Lennart Green não os desiludiu. Melhor dizendo, iludiu-nos mais do que nunca, sendo, indiscutivelmente, o mais ovacionado de toda a noite. A sua matrix em que “esconde cartas de tamanho poker debaixo de moedas de tamanho normal”, por si só, era merecedora da ovação em pé que lhe foi tributada. Numa palavra: ARRASOU!

Adivinhava-se muito difícil a tarefa do artista seguinte, Bob Sheets, que, à última hora, substituiu o anunciado Tim Conover, impedido de viajar por razões de saúde. No seu estilo habitual, Bob Sheets conseguiu entreter com o truque “Homing Card” (versão “quase semelhante” à de Fred Kaps) e intrigar com o truque dos “Cubos Numerados”, o qual não sendo um truque de close-up, foi particularmente bem escolhido face às condições da sala, pois permitiu aos presentes seguirem a actuação sem olharem para os ecrãs.

Seguiu-se Michael Vincent cujo trabalho foi bastante prejudicado pela pobreza da realização de TV. Chegou-se ao cúmulo do público gritar instruções para que o realizador mostrasse aquilo que realmente era importante ser visto. Não se percebe a falta de ensaio nesta matéria.

A gala encerrou com a actuação de Armando Lucero. Foi a segunda vez que o vi actuar e, desta vez, fiquei com uma impressão muito mais positiva do que acontecera em Espanha (onde, provavelmente, esteve num dia de azar). Não há dúvida que certos efeitos que apresenta quando vistos do ângulo certo (e a câmara de TV estava lá) são verdadeiramente mágicos. 

Conclusão: uma gala a merecer nota positiva, mas não muito alta, por culpa exclusiva da organização.

Para melhorar substancialmente a opinião generalizada dos presentes bastaria a organização ter as seguintes 3 precauções:

  • Informar correctamente os porteiros, para evitar a confusão inicial;
  • Contratar uma boa equipa de realização de TV e/ou dar-lhes condições para realizar os necessários ensaios;
  • Não contratar Belinda Sinclair.