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quarta-feira, maio 06, 2026

SERÁ 17 UM NÚMERO MÁGICO?


Quando iniciei a escrita deste texto hesitei quanto ao melhor título que poderia adoptar… A outra opção que me veio à mente foi “163 anos igual a 200 metros!”. E, na realidade, qualquer um deles era apropriado ao conteúdo que se segue.

Em Março de 1863 foi inaugurado, no Porto, o TEATRO MINERVA, um espaço pensado para apresentar espectáculos de Ilusionismo (e não só). Tal teatro foi construído a expensas da David Castro, filho da 3ª Baronesa de Nevogilde, nas traseiras da respectiva residência situada no número 17 da Travessa da Fábrica. Há que reconhecer em David Castro uma certa dose de pioneirismo, a par da capacidade de criar algo semelhante ao que, alguns anos antes, Robert-Houdin fizera em Paris. 

Ora é sobejamente conhecido que, há alguns anos, começaram a multiplicar-se, em diferentes cidades europeias, os espaços virados para a apresentação de espectáculos de Magia de Proximidade e/ou Magia de Salão. Inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, tal tendência também chegaria a Portugal. E assim é, pois, em  21 de Maio de 2026 vai ser inaugurado no Porto o espaço TIME FOR MAGIC, com o objectivo primordial de acolher apresentações de espectáculos mágicos. E o responsável por tal implementação é Helder Guimarães.

Curiosamente as inaugurações do TEATRO MINERVA e de TIME FOR MAGIC estão separados por um enorme lapso de tempo (mais do que 163 anos) mas as respectivas localizações permitem calcular que entre os dois espaços existe, virtualmente, uma distância de menos do que 200 metros!

Na realidade o TEATRO MINERVA situava-se no nº 17 da Travessa da Fábrica e o TIME FOR MAGIC situa-se no nº 17 da Rua da Picaria.  Por isso, é caso para perguntar: será 17 um número mágico?

P.S.: Mais informações sobre o funcionamento do Estúdio TIME FOR MAGIC pode ser visto aqui.  


sábado, julho 01, 2006

UMA CORRECÇÃO HISTÓRICA


Reprodução do artigo publicado na revista MAGICAMENTE (API) de Junho 2006.


CORRECÇÃO HISTÓRICA

Por Jomaguy


“Se, inquiridos a citar o nome do ilusionista português mais categorizado de todos os tempos, os mágicos nacionais apontariam, decerto, para David de Castro” (sic). Foi precisamente com este parágrafo que o saudoso Eng. Camacho Barriga (Jónio) iniciou o artigo sobre David de Castro publicado na revista 4 ASES de Setembro de 1976. Sendo perfeitamente legítimo que muitos mágicos possam discordar do conteúdo de tal asserção, julgo que será consensual a ideia de que David de Castro tem direito a um lugar de grande destaque na história do Ilusionismo português. Por isso julgo apropriado aproveitar a revista que a A.P.I., em boa hora, decidiu publicar para corrigir um erro existente nos escritos de Jónio sobre David de Castro.

No já citado artigo da revista 4 ASES diz-se: “Ao falecer, em data que desconhecemos, [David de Castro] deixou um filho que já morreu, sem deixar descendência” (sic). Mais tarde, no seu DICIONÁRIO DO ILUSIONISMO EM PORTUGAL, publicado em 1978, Jónio aborda esta matéria da seguinte forma: [David de Castro] Casou-se em 1860, com Silvina da Glória Pinto da Fonseca Rangel, de quem teve um filho, Arnaldo Augusto Borges de Alvim Morais e Castro (1871-1912) que, por sua vez, deixou um único descendente, casado e sem filhos, funcionário superior da Mesiricórdia do Porto. Chamava-se Américo Deolindo Borges de Alvim Morais e Castro e parece não se ter entusiasmado pelo ilusionismo.” (sic)

Nota-se que, na abordagem feita no DICIONÁRIO DO ILUSIONISMO EM PORTUGAL, há uma rectificação relativamente ao conteúdo do artigo publicado em 4 ASES ao reconhecer-se que o filho único de David de Castro afinal tinha tido “um filho”, o qual morrera sem deixar descendentes. Esta nova informação está mais próxima da realidade. No entanto continua imperfeita, pois o filho de David de Castro, além do citado filho Américo Deolindo, teve também duas filhas, Maria Augusta e Maria Isabel, ambas com descendência. Esta informação (que me parece ser totalmente fidedigna) foi recolhida no roteiro da exposição “OS CARRANCAS E O SEU PALÁCIO” (realizada no Museu Nacional de Soares dos Reis em 1984), publicado pelo Ministério da Cultura – Instituto Português do Património Cultural. É precisamente desta publicação que se reproduz, com a devida vénia, a árvore genealógica relativa a David de Castro, a partir de sua mãe, D. Carlota Rita Borges de Alvim Moraes e Castro, Baronesa de Nevogilde.

Na supracitada exposição estiveram incluídos diversos objectos pertencentes a David de Castro, gentilmente cedidos pelos seus descendentes. Para terminar, reproduzo o texto sobre David de Castro que foi incluído no roteiro da exposição.

“David Augusto de Moraes e Castro é uma curiosa e interessante personalidade característica do «microcosmo romântico» do Porto de Camilo e das tertúlias literárias da época.

Na casa da Rua da Fábrica mostra o seu «museu de armas onde guardava religiosamente aquela bala que entrara um dia pelo quarto do Palácio dos Carrancas em que dormia D. Pedro IV, despedaçando-lhe a cabeceira do leito.

Aí lhe construirá sua mãe o teatro Minerva, para seu entretenimento e dos seus amigos, onde serão frequentes as récitas de amadores de teatro, de poesia e certamente de ilusionismo, matéria que tanto atraía este artista, escritor e poeta, «carácter nobre e cavalheiro muito tratável» no dizer de Pinho Leal.” (sic)


domingo, setembro 07, 2003

ENCICLOPÉDIA MÁGICA


Com concepção global, direcção e redacção de LUÍ­S DE MATOS e edição do JORNAL DE NOTÍCIAS foi lançada a ENCICLOPÉDIA MÁGICA. É naturalmente uma iniciativa de aplaudir com ambas as mãos, pois pode ser uma semente da qual resulte o germinar de uma nova geração de mágicos em Portugal. Mas, como costuma dizer-se... não há bela sem senão. E este também é o caso. 

Obviamente que não estou a referir-me à inclusão de um certo truque em detrimento da publicação de um qualquer outro. Sendo tal escolha fruto de um critério pessoal, não é de admirar que um outro mágico tomasse diferentes opções. Mas no que diz respeito a opções de material publicado há algo que entendo dever criticar. Trata-se da pouca relevância dada aos mágicos portugueses do passado. No conjunto das 20 fichas da secção ILUSÕES COM HISTÓRIA apenas há referência a 2 mágicos portugueses... e mesmo assim tiveram que dividir protagonismo, pois foram abordados ambos na mesma ficha. Sendo esta obra publicada em Portugal e, obviamente, destinada ao mercado português, considero que a opção tomada nesta matéria é má. Em função dos livros que publicaram nomes como DAVID CASTRO e MARTINS OLIVEIRA não mereceriam ter sido dados a conhecer? 

Logo no início da obra, na página intitulada APRENDER MAIS se nota uma lacuna importante: não referenciar o CLUBE ILUSIONISTA FENIANOS. A não ser que, face ao conturbado momento que o CIF atravessa, se entenda não dever encaminhar novos praticantes para o mesmo... 

Por último não posso deixar de referenciar a má qualidade das cartas de jogar fornecidas com a obra. Não só foram fabricadas numa cartolina imprópria para consumo (no que a cartas diz respeito) como também foram fornecidas em folhas de 4 cartas o que implicou uma separação que deixou as cartas com bordos irregulares. Questiono-me se um jovem principiante, ao tentar realizar, com tal baralho, algumas das técnicas explicadas não irá desistir e considerar que se tivesse que fazer, com tais cartas, cartomagia por sobrevivência... não sobreviveria! 

Os senãos apontados não impedem, naturalmente, o meu aplauso a esta iniciativa.