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quarta-feira, junho 17, 2020

DESFAÇATEZ, FALTA DE ÉTICA E “LAPSUS LINGUAE” PARCIAL DE LUÍS DE MATOS


No passado dia 13 de Junho, Luís de Matos (LM) foi entrevistado para o programa N’AGENDA do Porto Canal a propósito da “sua” mais recente criação: o Drive-In!... (Nota: o programa N'AGENDA pode ser visto aqui). Têm sido inúmeras as entrevistas que LM tem dado para promover esse projecto, mas foi a primeira vez que o vi abordar, igualmente, um outro projecto: o “Luís de Matos ZOOM”.

Vamos por partes. A edição do N'AGENDA dividiu a entrevista a LM em quatro partes, que foram apresentadas separadas por blocos de informação que divulgaram outros projectos. Nas três primeiras partes da entrevista tivemos o habitual LM, seguro de si e fluente na exposição do que pretendia transmitir, mas, na quarta parte da entrevista, apareceu-nos, em certos momentos, um LM muito diferente: titubeando, gaguejando e engolindo em seco algumas vezes. Qual seria a razão de tal desconforto? Não tenho dúvida nenhuma que a razão desse desconforto teve a ver com o tema tratado: o "Luís de Matos ZOOM".

Em 21 de Maio de 2020, LM anunciava, na sua página de Facebook, o "Luís de Matos ZOOM" nos seguintes termos:
 “Luis de Matos ZOOM”, um formato que inaugurámos no início deste mês e que nos permite estar perto... à distância. Fundamentalmente dirigido às empresas que gostam de estar próximo dos seus colaboradores e clientes, seja pela via da motivação ou do entretenimento. Absolutamente costumizável, faz acontecer a magia através do ecrã somando-lhe a tridimensionalidade que lhe falta. Dias antes, cada participante recebe todos os elementos físicos que contribuirão para uma experiência mágica, plena e original. A emissão, em directo do Estúdio33, com recurso a multi-camara e disponível em múltiplas plataformas, está desenhada para ser vivida por um conjunto de espectadores individuais ou em grupo. Com 25 anos de experiência na área dos espectáculos corporativos, estamos preparadas para tornar cada “Luis de Matos ZOOM” em algo pessoal e intransmissível...

Em 22 de Abril de 2020, ou seja, um mês antes, Helder Guimarães tinha anunciado, na sua página Instagram, o seu novo espectáculo (“THE PRESENT”) nos seguintes termos:
I so excited to announce this. I will return to Los Angeles' Geffen Playhouse—virtually—for the world premiere of my newest show “The Present”. Directed by Oscar nominee Frank Marshall (Jurassic World, Indiana Jones), this live, interactive online show marks the first full-length production of the Geffen Stayhouse initiative. “The Present” will take place virtually via a secure online platform with a maximum of 25 participants per show. Each participant will be mailed a sealed mystery package in advance, the contents of which will only be revealed during the course of each performance, as the story unfolds.
Do you want to experience MAGIC right now, in your own house and in your own hands?

Portanto, no passado dia 21 de Maio, toda a gente percebeu que LM tinha copiado o formato de espectáculo online criado por Helder Guimarães. Ou seja: DESFAÇATEZ e FALTA DE ÉTICA.

Se lermos com atenção o texto de divulgação do "Luís de Matos ZOOM", verificamos que não refere, em nenhuma passagem, que o formato é criação sua. A utilização da expressão  “um formato que inauguramos” (em vez de “um formato que criamos”, que, seguramente, seria usada caso fosse essa a realidade) pretende passar a ideia que tal formato é algo corrente e convencional. E não é, pois trata-se de um formato criado por Helder Guimarães com o espectáculo "THE PRESENT", cujo sucesso é inegável (Nota: a terceira extensão da temporada inicial esgotou em cerca de uma hora).
Agora, na quarta parte da entrevista supracitada (que começa por volta do minuto 18:21), poderemos ouvir LM dizer o que seguidamente se transcreve (Nota: apenas transcrevo o que considero relevante para a comparação da cópia com o original):

[...]
E, quando pensamos nisso, encontramos soluções verdadeiramente diferentes.... Aaah... Inventamos esta ideia do Drive-In para espectáculos ao vivo.... Aaah... Mas também criamos outras coisas, outras coisas que eu tenho feito e que não estão debaixo do escrutínio do público em geral... Aaah... Mas, hoje mesmo... Aaah... Tenho duas situações dessas que é...
Nós co... desenhamos uma experiência, um espectáculo, que se chama "Luís de Matos ZOOM"... e que é dedicado...  dedicado ah... eh... a empresas...
[...]
E o que fizemos foi nada mais nada menos do que aah... criar uma espécie de um mini-cenário em que aaah... conseguimos fazer a magia acontecer através do ecrã... E fomos um bocadinho mais longe...
[...]
Eu não tinha pensado falar sobre isso... olhei para ali e vi que tava ali... É só para... É só para te... dar este exemplo... que é... Aaaah... o Luís de Matos Zoom Aaaah... é esse formato que nós criamos.... e que no fundo Aaaah...   fizemos aaaah.... a...a...adaptamos o mais possível à... a... à... à... situação que estamos a viver.
Então... todas as pessoas que participam no "Luís de Matos ZOOM" nós enviamos por correio primeiro uma caixinha... esta caixinha tem uma série de coisas que são costumizáveis...
[...]
E isto é enviado com antecedência para as pessoas... as pessoas abrem só no momento em que estão em directo comigo e nós fazemos à distancia com q... fazemos com que a magia aconteça nas casas das pessoas... nos seus escritórios... onde estão a fazer teletrabalho...
[...]

O LM sabe que copiou descaradamente o formato do espectáculo do Helder Guimarães. E agora a DESFAÇATEZ e a FALTA DE ÉTICA aumentam exponencialmente quando se afirma criador do mesmo.

Não tenho dúvida nenhuma que, se o LM estivesse a pensar neste formato em 22 de Abril (quando o Helder Guimarães  anunciou o espectáculo "THE PRESENT"), desde logo viria a público publicitar o  "Luís de Matos ZOOM". Mais ainda... Não tenho dúvida que se, no momento que apareceu o anúncio feito pelo Helder Guimarães, o LM achasse que lhe interessava copiar o formato, viria, no imediato,  publicitar o seu projecto, afirmando que já estava a trabalhar nele. É, para mim, evidente que só algum tempo mais tarde o LM teve a certeza que lhe interessava copiar o formato criado pelo Helder Guimarães.

Mas, por vezes, o subconsciente é levado da breca e é capaz de trair o mais pintado. E foi precisamente isso que aconteceu nesta entrevista do LM ao Porto Canal. Conforme está transcrito acima, a certa altura da entrevista (por volta do minuto 19:21), o LM disse:
“Nós co... desenhamos uma experiência” (sic)

Não tenho dúvida que o subconsciente do LM é muito mais ético do que o seu consciente e que o estava a empurrar para dizer a verdade, ou seja: “Nós copiamos uma experiência”.

O “lapsus linguae” não foi completo, mas a evidência está lá, sem qualquer sofisma.