Com concepção global, direcção e redacção de LUÍS DE MATOS e edição do JORNAL DE NOTÍCIAS foi lançada a ENCICLOPÉDIA MÁGICA. É naturalmente uma iniciativa de aplaudir com ambas as mãos, pois pode ser uma semente da qual resulte o germinar de uma nova geração de mágicos em Portugal. Mas, como costuma dizer-se... não há bela sem senão. E este também é o caso.
Obviamente que não estou a referir-me à inclusão de um certo truque em detrimento da publicação de um qualquer outro. Sendo tal escolha fruto de um critério pessoal, não é de admirar que um outro mágico tomasse diferentes opções. Mas no que diz respeito a opções de material publicado há algo que entendo dever criticar. Trata-se da pouca relevância dada aos mágicos portugueses do passado. No conjunto das 20 fichas da secção ILUSÕES COM HISTÓRIA apenas há referência a 2 mágicos portugueses... e mesmo assim tiveram que dividir protagonismo, pois foram abordados ambos na mesma ficha. Sendo esta obra publicada em Portugal e, obviamente, destinada ao mercado português, considero que a opção tomada nesta matéria é má. Em função dos livros que publicaram nomes como DAVID CASTRO e MARTINS OLIVEIRA não mereceriam ter sido dados a conhecer?
Logo no início da obra, na página intitulada APRENDER MAIS se nota uma lacuna importante: não referenciar o CLUBE ILUSIONISTA FENIANOS. A não ser que, face ao conturbado momento que o CIF atravessa, se entenda não dever encaminhar novos praticantes para o mesmo...
Por último não posso deixar de referenciar a má qualidade das cartas de jogar fornecidas com a obra. Não só foram fabricadas numa cartolina imprópria para consumo (no que a cartas diz respeito) como também foram fornecidas em folhas de 4 cartas o que implicou uma separação que deixou as cartas com bordos irregulares. Questiono-me se um jovem principiante, ao tentar realizar, com tal baralho, algumas das técnicas explicadas não irá desistir e considerar que se tivesse que fazer, com tais cartas, cartomagia por sobrevivência... não sobreviveria!
Os senãos apontados não impedem, naturalmente, o meu aplauso a esta iniciativa.