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sábado, julho 13, 2019

A OPEN HOUSE PORTO 2019 E O CIF


Realizou-se, no fim de semana 29-30 de Junho de 2019, o evento OPEN HOUSE PORTO. Tendo presente as críticas que teci à participação do Clube Ilusionista Fenianos na edição 2018 de tal evento, tive curiosidade em verificar se as mesmas tinham “caído em saco roto” ou se, pelo contrário, o ano que mediou entre as duas edições do evento teria sido aproveitado para elaborar uma participação à altura da importância histórica que o CIF tem no panorama do Ilusionismo nacional.

Há que começar por reconhecer que, na sua maioria, as críticas não “caíram em saco roto” pois não se repetiram muitos dos erros, então, apontados. No entanto, a “estratégia” adoptada para não cometer tais erros foi, no meu ponto de vista, a menos indicada. E qual foi essa estratégia? Foi escrever menos e “passar a bola” a outro, reproduzindo (com alguma adaptação/edição) o que havia sido publicado em 1979, ou seja, há 40 anos!… 
Parece impossível que uma agremiação, que completou, precisamente este ano, 60 anos de existência, queira transmitir de si mesma uma imagem suportada, principalmente, no primeiro terço da sua existência. Parece que depois disso, há muito pouco a realçar, mas, curiosamente, merecem amplo destaque as chamadas para direcções do CIF de Ana Maria Meixieira “Niké Bás” (2009 e 2017). Ora como Ana Maria Meixieira faz parte da actual direcção do CIF, parece haver aqui um espírito demasiado egocêntrico na elaboração da história mais recente do CIF.

No entanto, a reprodução adaptada de um texto já publicado leva a cair na esparrela de voltar a pôr “preto no branco” erros existentes na publicação original. 
Por isso, a determinada altura, pode ler-se: “[…] apenas em 1961, em Liège (Bélgica), e em 1976, em Viena de Áustria, se tornou possível a participação do C.I.F. em Congressos da F.I.S.M. Em Liège, por intermédio do Eng. Camacho Barriga e em Viena, através de uma representação constituída por 9 elementos - 6 associados ilusionistas, 3 dos quais se fizeram acompanhar das duas esposas (e suas partenaires).” (sic)
Mesmo que esta asserção fosse verdadeira (e não o é, como adiante mostrarei) comete, no meu ponto de vista, o erro de tratar de forma desigual aquilo que é igual. Então o representante do CIF na FISM de 1961 merece ter o seu nome referenciado e os representantes do CIF na FISM de 1976 não merecem idêntico tratamento?
Não tenho presente elementos que me permitam dizer se houve ou não representantes do CIF nos Congressos FISM de 1964, 1967 e 1970, mas posso garantir que houve 4 elementos a participar em representação do CIF no Congresso FISM de 1973 (Paris), até porque eu fui um deles!
Mas será que esta situação é apenas do conhecimento restrito dos próprios? Seria impossível ao autor do texto de 1979 ou a quem o copiou (e adaptou) em 2019 terem tal conhecimento? A resposta a ambas as perguntas é… NÃO! Na rubrica “Magia por Cardinal” que era, com regularidade, publicada aos domingos no Jornal de Notícias apareceram as seguintes referências:
- Em 1 de Julho de 1973. no artigo titulado “Gente do Porto no F.I.S.M. - 73” estavam referenciados os nomes dos participantes do CIF, a saber, “Joferk, Marques Pinto, Jomaguy e Homero Rocha” (Nota: há um erro nesta lista, pois não foi Marques Pinto que se deslocou a Paris, mas sim Manuel da Costa);
- Em 8 de Julho de 1973 foi publicada a fotografia do Dr. Homero Rocha com a seguinte legenda: “De Rock, ilusionista do C.I.F. (Clube Fenianos), é uma das presenças do Norte no F.I.S.M. - 73, que hoje termina em Paris."
Também no Dicionário do Ilusionismo em Portugal de Camacho Barriga (Jónio) estão referenciados (página 97) os portugueses que participaram no Congresso FISM de 1973. Embora não estejam discriminados os que eram sócios do CIF, é mais ou menos fácil reconhecer os respectivos nomes.
A acrescentar a este erro reproduzido do texto de 1979, há “opção calaceira” de não fazer qualquer investigação quanto à presença de representantes do CIF nos Congressos FISM de 1979 até ao presente. Será assim que se contribui para a dignificação do Ilusionismo e do Clube Ilusionista Fenianos?… Eu acho que não.

Mas também houve erros que se repetiram do ano transacto. Por exemplo, no painel “História do Clube Ilusionista Fenianos”, por baixo do emblema do CIF estava escrito “Clube Ilusonista Fenianos”. E o pior é que tal erro era replicado no pequeno opúsculo “Venha conhecer as muitas histórias que o Clube Fenianos tem para contar” que era distribuído aos visitantes. E, em tal opúsculo, o erro era a duplicar pois o capítulo dedicado ao CIF tinha como título “A história do Clube Ilusonista Fenianos”. 
Em tal opúsculo foi apresentada como “Fundadores” a mesma foto utilizada no ano passado, que, tal como eu referi, incluía um ilusionista inglês (Victor Peacock) que era apenas visita assídua do CIF e colaborador da revista Magia. No entanto, no painel exposto na sala do CIF, apareciam referenciados cinco nomes como fundadores: Eduardo Franco, Dr. Fernando Pires de Carvalho, Armindo de Matos, Arnaldo Horta (sem foto) e Magalhães Aguiar. Como se costuma dizer: foi pior a emenda do que o soneto! E era totalmente escusado. Bastaria uma consulta ao primeiro boletim do CIF Magia (que foi publicado em Julho de 1959) e não restariam quaisquer dúvidas que o CIF não teve três, nem quatro, nem cinco, mas sim dezassete fundadores, cujos nomes constam nas páginas 12 e 13 do citado boletim. E é fácil verificar que o nome Magalhães Aguiar não se encontra entre os dezassete fundadores.

Num outro painel com o título “Clube Ilusionistas Fenianos” eram apresentadas inúmeras fotografias com destaque, em áreas separadas, para Fundadores e Direcção atual do CIF. Mais uma vez há desleixo na forma de escrever o nome do CIF (que é Clube Ilusionista Fenianos) e repete-se (uma vez mais!) o erro no nome existente por baixo do emblema do CIF.
A referência a Fundadores do CIF repete os erros já referenciados anteriormente. Quanto à colagem das muitas fotografias apresentadas, parece-me não haver qualquer critério, além daquele que é dar uso às fotografias guardadas. De facto há fotografias de mágicos que nunca foram sócios do CIF e faltam fotografias de mágicos que o foram (e com alguma relevância!).

Por último relembro que, no programa apresentado no website OPEN HOUSE PORTO (https://2019.openhouseporto.com) estava referido: ”Secção da Magia e Museu: A História do Ilusionismo no Porto e o CIF”. Já se viu que a a história do ilusionismo no CIF foi muito mal/pouco contada… E a história do ilusionismo no Porto onde estava?… Este ano havia uma referência histórica, num quadro próprio, à Magiarte. Mas onde estavam as mais do que merecidas referências pormenorizadas a David Castro e a Martins Oliveira (I.I.R.S. / Academia Portuguesa de Ilusionismo)? Sinceramente não consegui descortiná-las.


quarta-feira, julho 04, 2018

A OPEN HOUSE PORTO 2018 E O CIF


Realizou-se no passado fim de semana, na cidade invicta, o evento OPEN HOUSE PORTO (https://2018.openhouseporto.com). Um dos espaços portuenses que integrava tal evento era o CLUBE FENIANOS PORTUENSES (https://2018.openhouseporto.com/plus/exposicoes-visitas-fenianos/). Tendo sido, durante muitos anos, sócio do Clube Fenianos Portuenses e membro activo da respectiva secção de ilusionismo (CIF - Clube Ilusionista Fenianos) achei por bem aproveitar o citado evento para actualizar a minha memória pessoal relativamente a uma instituição de grandes pergaminhos na nossa cidade. Naturalmente que, no âmbito do programa OPEN HOUSE PORTO, mereceu a minha especial atenção o ponto referido como “SECÇÃO E MUSEU DE MAGIA: A história do ilusionismo no Porto e no CIF”. E foi essa minha especial atenção que me levou a sair de tal visita triste e desiludido!…

Ora como num post, colocado no Facebook por Ana Maria Meixieira (dirigente do CIF), em que o meu nome é referenciado, foi escrito, de forma genérica, “Recebemos os melhores elogios de quem nos visitou.” (sic) sinto-me na obrigação de deixar, de forma clara e pública, que eu não teci elogios à exposição patente no CIF. Bem pelo contrário, eu critiquei os erros e lapsos existentes na exposição do CIF perante Eduardo Meixieira e Ana Maria Meixieira (dirigentes do CIF) e Dr. Vitor Tito (dirigente do Clube Fenianos Portuenses). Vou tentar resumir as razões da minha tristeza e desilusão supracitadas. 

Para elucidar os visitantes ao espaço do Ilusionismo (CIF) foram elaborados dois painéis informativos, os quais incluíam a reprodução de algumas fotografias. 

No painel BREVE HISTÓRIA DO CLUBE ILUSONISTA FENIANOS há, logo à partida, a registar o erro ortográfico na palavra ilusionista (Por acaso tal erro passava despercebido nas primeiras leituras de quem sabe, de cor e salteado, o nome do CIF). Infelizmente tal erro ortográfico repetia-se no desdobrável “VENHA CONHECER AS MUITAS HISTÓRIAS QUE O CLUBE FENIANOS TEM PARA CONTAR”, que era distribuído aos visitantes à entrada do clube. Infelizmente muitos outros erros ortográficos existem no mesmo painel, no que concerne aos nomes de ilusionistas que actuaram e/ou conferenciaram no CIF. Mas, infelizmente, não é essa quantidade de erros ortográficos que me causou tristeza e desilusão. Há erros e lapsos bem piores, como, por exemplo:
1 - A breve história do CIF é apresentada de forma errática, com critérios de destaque pouco claros. A título de mero exemplo posso referir que a presença do CIF no I Festival Mágico da Costa Verde merece o destaque como actividade do ano em 1975 e as presenças nos diversos Festivais Mágicos da Figueira da Foz apenas merecem uma menção conjunta num parágrafo “partilhado” com as participações nas Convenções Mágicas da API. De igual forma é feita uma referência, como destaque anual (1978), às Primeiras Jornadas Mágicas de Lamego e nada é referido relativamente ao MAGICPORTO/CIF 84. Estes são apenas dois exemplos que me saltam à vista, mas, certamente, muitos outros poderia apontar.
2 - Neste painel está escrito “2006 - Estocolmo, Suécia, onde dois jovens que nasceram no CIF, apoiados pela Associação Portuguesa de Ilusionismo (API), foram premiados: Helder Guimarães, 1º Prémio Mundial em cartomagia e David Sousa, 2º Prémio Mundial em Magia de Palco” (sic). Esta asserção contém um erro que considero muito grave: é MENTIRA dizer que os dois jovens nasceram no CIF!… Obviamente que se entende que o “nascimento” referido é o nascimento como mágicos, mas nem o Helder Guimarães nem o David Sousa nasceram, magicamente falando, no CIF. E é muito feio tentar atribuir a nós próprios méritos que não temos… Um outro erro é referir o David Sousa como 2º Prémio de Magia de Palco. Tal erro só vem pôr a nu a ignorância mágica de quem elaborou o texto, pois, nos Campeonatos Mundiais de Magia da FISM, existem várias modalidades em Magia de Palco e o David Sousa obteve o 2º lugar numa dessas modalidades (Manipulação).
3 - Não se consegue vislumbrar qualquer critério na escolha das fotografias reproduzidas para ilustrar este painel. 
Na primeira fotografia (com a legenda Fundadores) aparecem 4 elementos em destaque, um dos quais me era totalmente desconhecido. Segundo informação que me foi dada pelo Tony Klauf trata-se de Victor Peacock, ilusionista inglês que visitava, com frequência, o Porto e era colaborador da revista MAGIA. 
Nas 9 fotografias seguintes (sem quaisquer legendas) são apresentados nove ilusionistas. Ora, se a presença das fotografias de Cardinal, Maury, Fred Allen e Savil é mais do que justificada porque são (ou foram) associados do CIF com contributos relevantes na vida do clube, já a presença das fotografias de Fu-Manchú (não o reconheço na foto, mas foi identificado como tal por Ana Maria Meixieira), Jahn Gallo, Lanydrak e Andrély é TOTALMENTE DESCABIDA. Falta referir o caso da fotografia de Hortiny. Apesar de não ser sócio do CIF, a sua fotografia poderia fazer sentido, no painel, se estivesse, em algum lugar, referido que Hortiny faleceu no palco do Clube Fenianos Portuenses após terminar uma actuação. Como tal não é referido no painel, também a fotografia de Hortiny é DESCABIDA. E no lugar de tais fotografias poderiam (melhor dizendo, deveriam…) estar as de Joferk, De Rock (Prof. Virgolino), Raiuga, Marques Pinto, Tony Klauf ou tantos outros sócios do CIF que, por mérito próprio, fazem parte da vida e história do clube.
A última fotografia a ilustrar tal painel tem como legenda “VANDERMAG (Capitão Lacerda Machado). Grande ilusionista e pai de Vandermag Jr. (Pedro Lacerda) relevante figura do ilusionismo nacional e internacional” (sic). É evidente que, na minha opinião, a presença de tal fotografia ainda é MAIS DESCABIDA do que as outras cuja presença considerei descabida (Nota explicativa: acho MAIS descabida do que as restantes porque tem uma dimensão MAIOR do que as outras descabidas; com igual dimensão seria igualmente descabida…). No entanto o dirigente do Clube Fenianos Portuenses, Dr. Vítor Tito, ao ouvir as minhas críticas, apressou-se a esclarecer que a presença de tal foto nada tinha a ver com ilusionismo, mas era resultado da política do Clube Fenianos Portuenses… Fiquei esclarecidíssimo!… Resta-me apenas dizer: mal vai o CIF quando os respectivos dirigentes aceitam este tipo de ingerência num âmbito que apenas lhes deveria dizer respeito.

No painel ANO DE OURO DO ILUSIONISMO PORTUGUÊS é dado um destaque especial a Helder Guimarães e David Sousa. No destaque dado ao Helder também sou referenciado com palavras elogiosas. Tais elogios, no entanto, não apagam a MENTIRA expressa da seguinte forma: “Ambos começaram a carreira mágica no CIF" (sic). Nem eu nem o Helder começamos a carreira mágica no CIF e portanto tenho que repetir: é muito feio tentar atribuir a nós próprios méritos que não temos… Também aqui se repete o erro de referir o prémio FISM de David Sousa como sendo em “magia de palco” (sic). Conforme já expressei anteriormente, nos Campeonatos Mundiais de Magia da FISM, existem várias modalidades em Magia de Palco e o David Sousa obteve o 2º lugar numa dessas modalidades (Manipulação).

Relativamente à exposição de material, achei que estava nos moldes que eu antevia. Apenas tenho uma dúvida: será adequado, num evento tipo OPEN HOUSE, fazer uma exposição usando objectos emprestados? Não será isto a mesma coisa que, quando convido alguém para ir a minha casa, pedir a um amigo meia dúzia de quadros emprestados para não mostrar as paredes nuas? Aderir a uma OPEN HOUSE é, precisamente, abrir as portas de nossa casa e mostrar exactamente como ela é, não como gostaríamos que ela fosse.

Por último relembro o que era prometido no programa: “SECÇÃO E MUSEU DE MAGIA: A história do ilusionismo no Porto e no CIF” (sic). Já se viu que a história do ilusionismo no CIF foi muito mal/pouco contada… E a história do ilusionismo no Porto onde estava?… Em lado nenhum, respondeu eu!... Onde estavam as mais do que merecidas referências pormenorizadas a David Castro, a Martins Oliveira (I.I.R.S. / Academia Portuguesa de Ilusionismo) e à Magiarte? (Nota: A Magiarte aparece apenas referida por ter representado o CIF no Congresso de Sevilha em 1951; terá sido esse o mérito maior da Magiarte?)

Posteriormente à publicação deste texto, o Tony Klauf teve a amabilidade (que agradeço) de me chamar a atenção para a impossibilidade da Magiarte "ter representado o CIF no Congresso de Sevilha em 1951"... É que a Magiarte foi fundada em 1956 e o CIF foi fundado em 1959... Enfim, mais um erro a juntar a tantos outros!

Percebem agora a minha tristeza e desilusão?