O nome de António Ramos Pinto é citado em diversos escritos de Martins Oliveira, com referências bastante elogiosas, de que é exemplo o artigo publicado em 1925 na revista “O Illusionista” que seguidamente reproduzo:
No livro “Adriano Ramos Pinto - Vinhos e Arte” (Edições Ramos Pinto) é contada a história da Ramos Pinto, sendo pontualmente referenciada a ligação de António Ramos Pinto à Arte do ilusionismo. Vejamos alguns excertos de tais referências.
A página 50 é encimada pelo seguinte título:
E nessa página pode ler-se:
"Por sua vez, António Ramos Pinto dedicava-se ao ilusionismo com o seu irmão José, o mais velho, com quem formou o duo Irmãos Ramenport, de que existe uma curiosa fotografia, uma foto montagem e um folheto intitulado Souvenir, datado de 15 de julho de 1877, tinha então António vinte e três anos e o irmão vinte e cinco. Em quadras, entre o popular e o galante, passam da alusão dos tempos antigos de bruxarias e feitiços para os tempos da “luz do progresso” em que as feiticeiras são agora as senhoras que assistem aos seus espectáculos. O ilusionismo, a prestidigitação e outras artes mágicas eram então muito apreciadas no Porto e não havia sarau ou récita onde tais números não fossem apresentados. Desenvolveu assim António a arte de encantar a assistência através da fantasia, ou dito de outro modo, cedo aprendeu que o público gostava de se deixar encantar com arte, com graça, com talento." (sic)
Na mesma página é apresentada uma fotografia do duo Irmãos Ramenport, a qual, seguidamente, reproduzo com a devida vénia.
A referência ao nome Ramenport adoptado pela dupla de mágicos remete para uma nota final explicativa. Segunda tal nota, a origem do nome Ramenport seria a seguinte:
“Esta aparentemente estranha denominação terá a ver com a palavra japonesa ramen, que designa um alimento de origem chinesa composto por filamentos longos de massa alimentícia com ervas e legumes temperados com carne de porco ou peixe de água doce e que se vendia nas tabernas dos portos, daí o ramenport, cf. Wikipédia…, 2011.05.11. Ora também a cidade do Porto, por esta época, dedicou especial interesse aos orientalismos e a vários exotismos; cf. Orientalismo em Portugal…, 199; Guimarães, 2008a, p. 169 e seguintes, e Graça, 2008, p. 185 e seguintes.” (sic)
Julgo que a explicação apresentada para o nome Ramenport é pouco credível. Na minha perspectiva a explicação será outra bem diferente. Na época faziam algum furor como ilusionistas os “Davenport Brothers” (https://en.wikipedia.org/wiki/Davenport_brothers), os quais eram tema de notícias publicadas e, portanto, de conversa em reuniões sociais de todo o mundo. Certamente, Portugal não seria excepção. Portanto, na minha opinião, terá sido o nome Davenport a servir de inspiração ao nome adoptado por António e José, que se limitaram a substituir o DAV (de Davenport) por RAM (do seu apelido Ramos). Aliás foi, certamente, esta semelhança dos nomes que levou Martins Oliveira a designar erradamente, no artigo da revista O Illusionista acima reproduzido, o duo como Ravenport.
Seguidamente reproduzo, com a devida vénia, o folheto supracitado.
Numa outra página do livro “Adriano Ramos Pinto - Vinhos e Arte” (Edições Ramos Pinto) está expresso o seguinte:
"António era diferente. Aparentemente mais fechado com outros, incluindo os familiares, realizava também grandes festas na sua casa de S. Roque no dia 1 de janeiro nas quais, depois do jantar exibia os seus dotes de prestidigitador, atividade que nunca abandonou." (sic)
Esta última parte entra em contradição com o que vem expresso no último parágrafo do artigo de O Illusionista. Fica a dúvida, à espera que a descoberta de novos documentos possa vir dissipar a mesma.





