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terça-feira, agosto 24, 2021

“MAGIA DE RUA” e “MAGIA NA RUA”

(A propósito do evento LISBOA MÁGICA 2021)


Em 17 de Agosto p.p. coloquei, no Facebook, um post com o seguinte conteúdo:

“Assisti a espectáculos de algumas das anteriores edições do evento LISBOA MÁGICA e, numa situação normal, iria colocar o meu “gosto” na divulgação do evento deste ano.

Mas não estamos numa situação normal… Estamos numa situação de PANDEMIA!… E esta situação levou a uma crise no mundo do espectáculo com imensos artistas e técnicos a passarem as dificuldades que conhecemos… e as que desconhecemos!

É portanto para mim inconcebível que a organização não tenha tido a desejada sensibilidade para apoiar os ilusionistas profissionais portugueses. Não seria possível, no leque dos 15 mágicos do evento, incluir 5 portugueses?…

Quando, em tantas outras situações, se fala em quotas de preenchimento de lugares, será uma aberração desejar ter 33% de mágicos portugueses no elenco?

E, se pensarmos que o evento é pago por uma autarquia, mais “revoltados” deveremos ficar por ver o erário público a contribuir para dar trabalho a artistas estrangeiros em detrimento de portugueses. 

Qual seria a reação geral dos media se, de repente, a Câmara Municipal de Lisboa decidisse, em época de PANDEMIA, comemorar uma qualquer data festiva contratando um concerto de um qualquer artista estrangeiro, afastando as opções Pedro Abrunhosa, Marisa, Toni Carreira, Rui Veloso ou tantos outros?

E não me venham com a “treta” de que em Portugal não existem mágicos especialistas em “Magia de Rua”… É que, para esse peditório, já dei!…”


Hoje, vi o Luís de Matos, no programa Esta Manhã (TVI), ser entrevistado sobre o LISBOA MÁGICA 2021 e, a certa altura pareceu querer, de alguma maneira, justificar os mágicos contratados para o evento com as seguintes palavras:

“[…] os mágicos, um dos aspectos mais curiosos é o facto de que fazem parte de um grupo de artistas cuja abordagem, nesta Arte, é, seguramente, uma das mais interessantes, na medida em que… Por exemplo, quando eu actuo num teatro, as pessoas compram bilhete, vão assistir, mas, se não gostarem, não saem a meio, não é? Pronto… Quando os mágicos actuam na rua, eles têm que, permanentemente, estar a conquistar os transeuntes, a mantê-los durante… a duração do espectáculo, fazendo com que não percam o interesse … (é quase como uma audiência de televisão)… e ainda têm que garantir que, no final, elas não se vão embora, sem contribuir financeiramente… para o entretenimento… Este não é o caso… Isso não acontece aqui… Os espectáculos são gratuitos…” (sic)


Esteve muito bem o Luís de Matos a caracterizar a “Magia de Rua”, mas acontece que o evento LISBOA MÁGICA 2021 não é um festival de “Magia de Rua”. Na realidade, estando cada um dos espectáculos programados para uma determinada hora, num local específico, os mágicos não têm que fazer o mais difícil da “Magia de Rua” que é fazer parar pessoas que transitam na via pública sem qualquer intenção de assistirem a um espectáculo e “construir um público” a partir do nada. No caso do LISBOA MÁGICA (Nota: eu assisti a algumas edições pré-pandemia), alguns minutos antes de cada espectáculo começar já há um público numeroso (atraído pela publicidade ao evento), o qual, naturalmente, vai sendo engrossado por transeuntes curiosos que param para espreitar e ficam.

Portanto, ficamos cientes que o LISBOA MÁGICA não é um evento de “Magia de Rua”, mas sim um evento de “Magia na Rua”, onde cabem perfeitamente os “especialistas” de “Magia de Rua”, mas também os que não o são.

Infelizmente, parece que só não cabem mágicos portugueses… É interessante pensar em como, para alguns, é fácil reivindicar apoios para a cultura, mas não conseguem apoiar os mágicos portugueses quando dispõem de tal possibilidade…