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segunda-feira, abril 28, 2025

Inteligência artificial... ou talvez não!

 

Hoje fui surpreendido na aplicação WhatsApp com a possibilidade de perguntar o que quisesse ao META AI. Por mera curiosidade fiz uma pergunta a tal "entidade" e obtive a resposta que seguidamente reproduzo:


E fiquei a conhecer o nome de três talentosos ilusionistas portugueses dos quais nunca ouvira falar... E também fiquei a saber que 15 anos de experiência já dá estatuto de veterano... 

"E esta, hein?" como diria o saudoso Fernando Pessa.


quarta-feira, agosto 16, 2023

REESCREVER A HISTÓRIA ?


Há dias deparei com um post colocado por Fernando Castro “SAVIL” no grupo público MAGICVALONGO do Facebook, o qual está reproduzido na imagem seguinte.


É curiosa uma certa maneira de escrever… 

Dizer “A equipa organizadora do MagicValongo deu sempre oportunidade aos artistas portugueses.” é o mesmo que dizer… NADA.  De facto, sendo o MagicValongo um festival mágico que incluiu dois concursos (palco e mesa), qualquer ilusionista português tem oportunidade de se inscrever nos mesmos e poder actuar no evento.

Portanto o “dar oportunidade aos artistas portugueses” parece querer transmitir a ideia de “apoiar os artistas portugueses”, o que nem sempre foi uma realidade. Ou será que “não convidar artistas que participaram nos concursos e neles foram premiados e convidar outros artistas que nunca foram premiados nos mesmos”  é sinal do tal apoio que, subliminarmente, o “dar oportunidade” tenta transmitir?

E, quanto ao destaque dado aos magos do nosso país, estamos conversados... Eu ainda sou do tempo em que só havia destaque para os magos estrangeiros, situação contra a qual sempre levantei a minha voz. Assim como fui capaz de elogiar a inversão da situação em 2003, conforme pode ser lido aqui.

Por último, uma palavra para a escolha das quatro fotos que ilustram o post. Não percebo a inclusão da foto do DANIEL GUEDES em detrimento de outros igualmente "destacados magos do nosso país", como, por exemplo, PEDRO LACERDA MACHADO.


sexta-feira, setembro 16, 2022

"Capital mundial da magia"



O título "capital mundial da magia" adoptado para esta notícia tem um sabor demasiado requentado. 

Há 17 anos (sim, leram bem, dezassete anos!) eu escrevi, no meu blogue, um texto alusivo a várias capitais de magia, o qual pode ser lido aqui.


quarta-feira, agosto 17, 2022

LISBOA MÁGICA 2022


Há precisamente um ano, escrevi um post no Facebook, o qual reproduzi num post colocado neste blogue em 24 de Agosto de 2021.

Verifico, com regozijo, que as minhas palavras não caíram em saco roto, pois, na programação do evento Lisboa Mágica deste ano vejo a inclusão de dois (sim, leram bem, DOIS) mágicos portugueses.

Ora, se fizermos um resumo das anteriores edições do evento, verificamos que NUNCA a organização contratara mais do que um mágico português num evento, como, seguidamente, detalho.

LM2006 - 15 (quinze) convidados - 0 (zero) portugueses

LM2007 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (Helder Guimarães)

LM2008 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (David Sousa)

LM2009 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (Mário Daniel)

LM2010 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (José de Lemos)

LM2018 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (José de Lemos)

LM2019 - 15 (quinze) convidados - 0 (zero) portugueses

LM2020 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (José de Lemos)

LM2021 - 15 (quinze) convidados - 0 (zero) portugueses


Até me apetecia dizer: “ Bravo, Luís de Matos! Finalmente vejo que quer apoiar os mágicos portugueses.” 

Só não o digo, pois estou plenamente convencido que o Luís de Matos não efectuou esta contratação de dois mágicos portugueses de “motu proprio”, mas sim porque, muito provavelmente, “levou nas orelhas” da Câmara Municipal de Lisboa no ano transacto…


terça-feira, agosto 09, 2022

PROVOCAÇÃO



Há quem goste de provocar... São feitios... E ninguém tem nada com isso. Mas as provocações não devem ficar sem resposta, penso eu de que...

Vem isto na sequência do post que, em 14 de Julho p.p., coloquei no Facebook a propósito do programa VIZINHANÇAS elaborado pela Empresa Municipal "ÁGORA CULTURA E DESPORTO" para animação da cidade do Porto.

Seguidamente, reproduzo o conteúdo desse meu post.


Como qualquer pessoa inteligente deduzirá quando, no dia 14 de Julho, eu critiquei a ausência de referência ao nome do mágico envolvido em tal animação, fi-lo na perspectiva de quem reivindica para o Ilusionismo o mesmo tipo de tratamento que é dado a outras Artes Performativas, pois não fazia a mínima ideia do mágico contratado para o programa VIZINHANÇAS. Apenas no dia 16 de Julho, quando me desloquei ao Jardim do Calém, tomei conhecimento que tal mágico era o FREDERICO FERREIRA.

Vir agora dizer que, se o mágico contratado fosse o LUÍS DE MATOS, eu não faria tal crítica é mera especulação (e mentira) de quem apenas pretende provocar. E foi isso que fez o ZACARIAS FERREIRA no comentário que, seguidamente, reproduzo.

Enfim... As acções classificam quem as pratica...


segunda-feira, junho 27, 2022

PENSAMENTOS SOLTOS ligados por MEMÓRIAS MÁGICAS


Este artigo foi publicado em "A FOLHA MÁGICA (CIF)" em Julho de 1996.

PENSAMENTOS SOLTOS 
ligados por 
MEMÓRIAS MÁGICAS


Domingo, 16 de Junho de 1996. Croácia/Dinamarca. 3 bolas a zero. Fazem-se conjecturas... Basta empatar... Mas, para ser mais fácil, o melhor é... 

CASA CHEIA ... Mas, mais uma vez, ficaram vazios alguns dos quadrados. Que, semanalmente, se procuram encher com cruzes ou bolas. 

Ora bolas!... Podia ser um DOMINGO EM CHEIO! É, precisamente, o programa que se segue. Com a condução de Luís de Matos. Mas sem Magia. Portanto, não atrai a minha atenção. 

Pego num livro (de Ilusionismo, obviamente). Embrenho-me na respectiva leitura. A televisão permanece, maquinalmente, ligada. Qual visitante inesperado cuja despedida é permanentemente adiada. 

De repente, os meus ouvidos captam uma voz que a memória auditiva reconhece. Levanto, contrariado comigo mesmo, os olhos, parando, por momentos a leitura. É o Júlio Isidro. Lado a lado com o Luís de Matos. Que é sinónimo de Ilusionismo para o grande público. 

Algo choca a minha sensibilidade... Pesquiso os arquivos da memória, procurando a causa dessa sensação... Já sei. 

Num ápice recuo no tempo. Mais do que 12 anos. Como por MAGIA. 15 de Abril de 1984. Também domingo. Mas à tarde. 

A FESTA CONTINUA de Júlio Isidro. O programa de hoje é dedicado ao Ilusionismo. Assim se publicita. Numa época em que a Magia só entrava na RTP, quando o rei fazia anos. E não havia rei! Grande expectativa. Não pela falta de rei. Mas para ver Ilusionismo. Ou, à moda do Porto,  pra ber Ilusionismo, carago! Ia ser um domigo em cheio. 

Grande ilusão (...sem ser mágica). Logo GRANDE DESILUSÃO. Um programa (???) de Magia sem mágicos!!!... Mas com músicos! Grande músico, o apresentador/autor da paródia. Que ganha coragem. E apresenta (!?!?!?) alguns truques. Ainda não se falava em polivalência. Isto foi vanguardismo. Algum ilusionista colaborou na palhaçada. E lhe emprestou o material. Que foi muito mal utilizado. Como era de esperar. 

Que ideia do Ilusionismo! Que fantochada!

Baixo os olhos.Volto ao presente. E à minha leitura. 

HÁ IMAGENS NA MEMÓRIA QUE O TEMPO NUNCA APAGARÁ.


terça-feira, maio 10, 2022

EM ABONO DA VERDADE

 


Por vezes, a vontade de produzir um discurso laudatório sobre alguém tolda a capacidade de pesquisar a verdade dos factos e leva a que o jornalista, inconscientemente, propale mentiras que em nada contribuem para a preservação da verdade histórica.

Vem isto a propósito do texto escrito por Armindo Guimarães (que pode ser lido aqui) e no qual li o seguinte:

Ora dizer que Luis de Matos foi "o primeiro artista português a actuar como convidado, em 1997" numa FISM é pura e simplesmente mentira

Não sei quem terá sido o primeiro, mas sei que não foi Luis de Matos. E também sei que, nove anos anos antes de Luis de Matos, já JOE MARVEL havia actuado como convidado numa FISM. Tal aconteceu em 1988 na FISM que se realizou na Holanda (Den Haag), como mostra a imagem que encima este post.

terça-feira, agosto 24, 2021

“MAGIA DE RUA” e “MAGIA NA RUA”

(A propósito do evento LISBOA MÁGICA 2021)


Em 17 de Agosto p.p. coloquei, no Facebook, um post com o seguinte conteúdo:

“Assisti a espectáculos de algumas das anteriores edições do evento LISBOA MÁGICA e, numa situação normal, iria colocar o meu “gosto” na divulgação do evento deste ano.

Mas não estamos numa situação normal… Estamos numa situação de PANDEMIA!… E esta situação levou a uma crise no mundo do espectáculo com imensos artistas e técnicos a passarem as dificuldades que conhecemos… e as que desconhecemos!

É portanto para mim inconcebível que a organização não tenha tido a desejada sensibilidade para apoiar os ilusionistas profissionais portugueses. Não seria possível, no leque dos 15 mágicos do evento, incluir 5 portugueses?…

Quando, em tantas outras situações, se fala em quotas de preenchimento de lugares, será uma aberração desejar ter 33% de mágicos portugueses no elenco?

E, se pensarmos que o evento é pago por uma autarquia, mais “revoltados” deveremos ficar por ver o erário público a contribuir para dar trabalho a artistas estrangeiros em detrimento de portugueses. 

Qual seria a reação geral dos media se, de repente, a Câmara Municipal de Lisboa decidisse, em época de PANDEMIA, comemorar uma qualquer data festiva contratando um concerto de um qualquer artista estrangeiro, afastando as opções Pedro Abrunhosa, Marisa, Toni Carreira, Rui Veloso ou tantos outros?

E não me venham com a “treta” de que em Portugal não existem mágicos especialistas em “Magia de Rua”… É que, para esse peditório, já dei!…”


Hoje, vi o Luís de Matos, no programa Esta Manhã (TVI), ser entrevistado sobre o LISBOA MÁGICA 2021 e, a certa altura pareceu querer, de alguma maneira, justificar os mágicos contratados para o evento com as seguintes palavras:

“[…] os mágicos, um dos aspectos mais curiosos é o facto de que fazem parte de um grupo de artistas cuja abordagem, nesta Arte, é, seguramente, uma das mais interessantes, na medida em que… Por exemplo, quando eu actuo num teatro, as pessoas compram bilhete, vão assistir, mas, se não gostarem, não saem a meio, não é? Pronto… Quando os mágicos actuam na rua, eles têm que, permanentemente, estar a conquistar os transeuntes, a mantê-los durante… a duração do espectáculo, fazendo com que não percam o interesse … (é quase como uma audiência de televisão)… e ainda têm que garantir que, no final, elas não se vão embora, sem contribuir financeiramente… para o entretenimento… Este não é o caso… Isso não acontece aqui… Os espectáculos são gratuitos…” (sic)


Esteve muito bem o Luís de Matos a caracterizar a “Magia de Rua”, mas acontece que o evento LISBOA MÁGICA 2021 não é um festival de “Magia de Rua”. Na realidade, estando cada um dos espectáculos programados para uma determinada hora, num local específico, os mágicos não têm que fazer o mais difícil da “Magia de Rua” que é fazer parar pessoas que transitam na via pública sem qualquer intenção de assistirem a um espectáculo e “construir um público” a partir do nada. No caso do LISBOA MÁGICA (Nota: eu assisti a algumas edições pré-pandemia), alguns minutos antes de cada espectáculo começar já há um público numeroso (atraído pela publicidade ao evento), o qual, naturalmente, vai sendo engrossado por transeuntes curiosos que param para espreitar e ficam.

Portanto, ficamos cientes que o LISBOA MÁGICA não é um evento de “Magia de Rua”, mas sim um evento de “Magia na Rua”, onde cabem perfeitamente os “especialistas” de “Magia de Rua”, mas também os que não o são.

Infelizmente, parece que só não cabem mágicos portugueses… É interessante pensar em como, para alguns, é fácil reivindicar apoios para a cultura, mas não conseguem apoiar os mágicos portugueses quando dispõem de tal possibilidade…


domingo, junho 27, 2021

Carta aberta à jornalista Alexandra Tavares-Teles


Estando envolvido na arte do ilusionismo há mais de 50 anos, mantenho um interesse permanente na leitura de tudo o que se escreve sobre tal matéria.Foi, portanto, em tal contexto que, hoje, me concentrei na leitura da entrevista efectuada a Luís de Matos, publicada na revista Notícias Magazine.


E devo dizer que me espantou sobejamente a formulação de uma das perguntas nos exactos termos em que está feita… Concretamente, refiro-me à seguinte questão: “Durante anos foi o único nome - e ainda é - na magia portuguesa. Tem sido um promotor da magia ou o seu eucalipto?” (sic)


O “e ainda é” publicado numa semana em que vem a público a notícia de um ilusionista português que obteve um prémio de relevância internacional (https://sicnoticias.pt/cultura/2021-06-24-Helder-Guimaraes-e-o-primeiro-ilusionista-portugues-a-vencer-um-Allan-Slaight-Award-0e5734d3?) parece querer gozar com a ignorância dos leitores menos esclarecidos… 


E se atentarmos que este galardão é o segundo ganho, este ano, pelo mesmo mágico, mais descabido o seu “e ainda é” se revela! (Nota: Pode ver a referência ao tal outro prémio a partir do momento 1h 16m 16s de https://tviplayer.iol.pt/programa/jornal-da-uma/53c6b2633004dc00624392e1/video/60b4e98c0cf29ea860550cb1).


Uma breve pesquisa permitir-lhe-á ficar a saber que tal mágico (Helder Guimarães) é o ÚNICO português que até hoje se sagrou Campeão Mundial de Magia. 


Acha que, depois de tomar conhecimento destes factos, ainda consegue balbuciar aquele “e ainda é”? Ninguém tem dúvidas que, para os portugueses, Luís de Matos é o nome mais conhecido da magia portuguesa, mas daí até se dizer que é o “único nome da magia portuguesa” vai uma enorme distância.


Quanto a uma resposta concreta à pergunta formulada, não me parece que o entrevistado fosse a pessoa mais indicada para a dar, pois ninguém é bom juiz em causa própria. Por isso reproduzo o que escrevi, em 28 de Maio de 2020, no meu blogue NOV@M@GI@:


“Aliás, o Luís de Matos, numa estratégia perfeitamente perceptível de “em terra de cegos quem tem um olho é rei” nunca “puxou” pela valorização dos mágicos portugueses.... “Puxou” sim pela valorização da magia como Arte com a vinda de inúmeros bons mágicos estrangeiros, ajudando a implantar a ideia de que ele, Luís de Matos, era o “oásis no deserto” da magia em Portugal.

[…]

O Luís de Matos sempre teve “boa imprensa” em Portugal. Nunca lhe fazem perguntas difíceis... Mas, se não estou enganado, creio que foi no LISBOA MÁGICA 2006, uma jornalista fez-lhe uma pergunta difícil, a saber, “porque é que não havia mágicos portugueses no cartaz”... Acho que ele foi apanhado um pouco de surpresa, mas lá se desenrascou, afirmando que, em Portugal havia bons mágicos, mas que naquele tipo específico de magia (street magic / magia de rua) não havia especialistas... E ele até desejava que o festival servisse para fazer despertar praticantes para tal modalidade. Foi, naturalmente, uma resposta inteligente, mas a jornalista não tinha todo o “trabalho de casa” bem feito, pois, caso contrário, poderia confrontá-lo com os nomes de diversos mágicos estrangeiros (sem dúvida, excelentes) que ele já havia convidado para trabalharem em magia de rua e que não eram especialistas em tal modalidade. No ano seguinte (2007) ele convidou o Helder Guimarães para trabalhar no LISBOA MÁGICA, não por ser um especialista em tal modalidade, mas por ser CAMPEÃO DO MUNDO DE CARTOMAGIA (FISM 2006), logo um nome que não poderia ignorar…”


quarta-feira, fevereiro 03, 2021

HÁ 25 ANOS FALECEU HORTINY


Completam-se hoje 25 anos sobre a morte repentina de José Carlos Gomes, conhecido no meio mágico pelo pseudónimo HORTINY. Ele próprio explica a origem de tal nome artístico na biografia que integra o seu livro COCKTAIL MAGIC.

José Carlos Gomes nasceu em Gouveia a 1 de Agosto de 1942 e muito cedo "emigrou" para Angola. Foi aí que, em 1958, nasceu o "mágico Hortiny", numa festa de escuteiros. A partir daí desdobrou-se em inúmeros espectáculos e a sua veia artística explorou outros campos como, por exemplo, o teatro e rádio. Na área do ilusionismo ia construindo os aparelhos que necessitava para as suas ilusões antes de "descobrir" a existência de Martins Oliveira e da Academia Portuguesa de Ilusionismo, da qual passou a ser cliente.

Em 1975 regressou a Portugal continental, passando a residir em Coimbra. Em 1977, puxado pelo Fausto Caniceiro da Costa, participou no Festival Mágico da Figueira da Foz e, a partir desse momento, passou a ser um elemento muito participativo no âmbito da comunidade mágica portuguesa. E tal participação recrudesceu, a partir de 1979, com a criação do seu "HORTINY - MÃOS MÁGICAS ESTÚDIO"

Hortiny foi um mágico eclético (praticava Magia Geral, Grandes Ilusões, Micromagia, Cartomagia e Ventriloquia) premiado em diversos concursos mágicos nacionais e internacionais. Além das vertentes de actuante e "magic dealer", Hortiny destacou-se pela criatividade e originalidade com que procurava dotar os seus trabalhos e pela sua vontade de "remar contra a maré" e publicar livros e revistas sobre magia em português, mesmo sabendo que, à partida, tais projectos eram deficitários.

Como escreveu o saudoso Dr. Jorge Teixeira no Prefácio do livro supracitado:

"Pode gostar-se ou não de Hortiny. No entanto, há um facto que ninguém ignora: A PAIXÃO deste homem pela MAGIA.
Haverá alguns que não concordam com muitas das suas posições e opiniões acerca da nossa arte. Mas há um aspecto insofismável a não esquecer. Hortiny tem sido um trabalhador incansável, produzindo sem parar literatura mágica não só de carácter opinativo ou de magazine, mas também análise e investigação." (sic)

É precisamente esta vertente de Hortiny (a de escritor/publicador) que pretendo relevar, ao listar as seguintes publicações (que foram da sua responsabilidade editorial):

- Cartas Rasgadas e Outros Buracos (Ano: 1986)
- Top Hat Magic - Revista (5 exemplares publicados entre 1986 e 1987)
- Colectânea Mágica (Ano: 1987)
- Cocktail Magic (Ano: 1988)
- Da Carta Dupla (Ano: 1989)
- Outros Mágicos Rumos - Magazine (5 exemplares publicados entre 1991 e 1993)
- Ilusões - Revista (3 exemplares publicados entre 1994 e 1995)

A par das publicações referidas, Hortiny aproveitava a produção de circulares informativas do seu "Mãos Mágicas Estúdio" para as enriquecer com reportagens, opiniões e críticas. Na década 80 esse espaço de opinião e crítica tinha uma presença regular e intitulava-se "A PALAVRA CONTRA O MURO".

Por tudo o que atrás foi dito, percebe-se que a morte de Hortiny aos 53 anos (faleceu em 3 de Fevereiro de 1996) foi prematura, pois ainda havia muito a esperar do seu espírito empreendedor. As circunstâncias da morte de Hortiny estão descritas no artigo intitulado "Hortiny morreu" publicado na Folha Mágica (Boletim Informativo do C.I.F.) de Janeiro/Fevereiro de 1996. 

Em tal artigo é expresso que, no final do espectáculo, "Hortiny estava particularmente feliz" (sic). Mas estaria totalmente feliz? Teria sido uma noite perfeita? Não foi!

25 anos passaram e há memórias que não se apagaram. E, no final da 1ª parte do espectáculo, houve um momento em que, nos bastidores, o Hortiny ficou particularmente agastado. Aconteceu na altura em que Luís de Matos proferiu palavras de agradecimento ao receber o galardão "Mágico do Ano". Nesse breve discurso, Luís de Matos agradeceu a inúmeras pessoas, mas "esqueceu-se" de referir Hortiny.

Para quem se referiu a Luís de Matos como 'o "meu filho" Luís' (Ver Outros Mágicos Rumos nº2 - Pág.4) e escreveu 'Não exagero quando digo que ensinei mais ao Luís que a meu filho Bruno' (Ver Outros Mágicos Rumos nº5 - Pág.31) de certeza que a ingratidão de tal esquecimento tocou bem fundo.

Por tudo o que aqui foi escrito (e pelo muito mais que poderia ser) Hortiny, foi, sem dúvida, um mágico de relevo no panorama mágico português, no último quartel do século XX. A sua morte prematura deixou o ilusionismo português mais pobre. Como forma de singela homenagem deixo seguidamente o video da sua participação televisiva no programa Nunca Mais É Sábado.




UMA MEMÓRIA MÁGICA COM 25 ANOS


Como poderá ser lido na Folha Mágica (Boletim Informativo do C.I.F.) de Dezembro de 1995 o Clube Ilusionista Fenianos decidiu, nesse ano, atribuir três galardões “MÁGICO DO ANO”, em três áreas distintas de intervenção, aos seguintes ilusionistas:

Luís de Matos - Magia de palco

Jomaguy - Close-up

Maik Magic - Prestígio mágico

Em tal notícia também está expresso que os troféus seriam entregues aos “premiados no decorrer da Noite de Gala das Comemorações de S. João Bosco, a realizar no dia 3 de Fevereiro pelas 22 horas, no salão Nobre do Clube Fenianos Portuenses” (sic).

Faz, portanto, hoje 25 anos que subi ao palco do Salão Nobre do Clube Fenianos Portuenses para receber o troféu que a fotografia documenta. Aconteceu no final da 1ª parte da Gala do Festival São João Bosco 1996 organizado pelo C.I.F. (Secção de Ilusionismo do Clube Fenianos Portuenses). Tal como os restantes galardoados, no momento da recepção do respectivo galardão, proferi um pequeno discurso de agradecimento.

25 anos depois lembro esse dia com um misto de alegria e tristeza, pois a lembrança feliz correspondente ao recebimento de tal galardão é abafada pela memória triste do infausto acontecimento ocorrido no final da Gala, a morte súbita do mágico Hortiny. Mas este assunto será objecto do post seguinte, que irei escrever como singela homenagem a José Carlos Gomes “Hortiny”.



quarta-feira, junho 17, 2020

DESFAÇATEZ, FALTA DE ÉTICA E “LAPSUS LINGUAE” PARCIAL DE LUÍS DE MATOS


No passado dia 13 de Junho, Luís de Matos (LM) foi entrevistado para o programa N’AGENDA do Porto Canal a propósito da “sua” mais recente criação: o Drive-In!... (Nota: o programa N'AGENDA pode ser visto aqui). Têm sido inúmeras as entrevistas que LM tem dado para promover esse projecto, mas foi a primeira vez que o vi abordar, igualmente, um outro projecto: o “Luís de Matos ZOOM”.

Vamos por partes. A edição do N'AGENDA dividiu a entrevista a LM em quatro partes, que foram apresentadas separadas por blocos de informação que divulgaram outros projectos. Nas três primeiras partes da entrevista tivemos o habitual LM, seguro de si e fluente na exposição do que pretendia transmitir, mas, na quarta parte da entrevista, apareceu-nos, em certos momentos, um LM muito diferente: titubeando, gaguejando e engolindo em seco algumas vezes. Qual seria a razão de tal desconforto? Não tenho dúvida nenhuma que a razão desse desconforto teve a ver com o tema tratado: o "Luís de Matos ZOOM".

Em 21 de Maio de 2020, LM anunciava, na sua página de Facebook, o "Luís de Matos ZOOM" nos seguintes termos:
 “Luis de Matos ZOOM”, um formato que inaugurámos no início deste mês e que nos permite estar perto... à distância. Fundamentalmente dirigido às empresas que gostam de estar próximo dos seus colaboradores e clientes, seja pela via da motivação ou do entretenimento. Absolutamente costumizável, faz acontecer a magia através do ecrã somando-lhe a tridimensionalidade que lhe falta. Dias antes, cada participante recebe todos os elementos físicos que contribuirão para uma experiência mágica, plena e original. A emissão, em directo do Estúdio33, com recurso a multi-camara e disponível em múltiplas plataformas, está desenhada para ser vivida por um conjunto de espectadores individuais ou em grupo. Com 25 anos de experiência na área dos espectáculos corporativos, estamos preparadas para tornar cada “Luis de Matos ZOOM” em algo pessoal e intransmissível...

Em 22 de Abril de 2020, ou seja, um mês antes, Helder Guimarães tinha anunciado, na sua página Instagram, o seu novo espectáculo (“THE PRESENT”) nos seguintes termos:
I so excited to announce this. I will return to Los Angeles' Geffen Playhouse—virtually—for the world premiere of my newest show “The Present”. Directed by Oscar nominee Frank Marshall (Jurassic World, Indiana Jones), this live, interactive online show marks the first full-length production of the Geffen Stayhouse initiative. “The Present” will take place virtually via a secure online platform with a maximum of 25 participants per show. Each participant will be mailed a sealed mystery package in advance, the contents of which will only be revealed during the course of each performance, as the story unfolds.
Do you want to experience MAGIC right now, in your own house and in your own hands?

Portanto, no passado dia 21 de Maio, toda a gente percebeu que LM tinha copiado o formato de espectáculo online criado por Helder Guimarães. Ou seja: DESFAÇATEZ e FALTA DE ÉTICA.

Se lermos com atenção o texto de divulgação do "Luís de Matos ZOOM", verificamos que não refere, em nenhuma passagem, que o formato é criação sua. A utilização da expressão  “um formato que inauguramos” (em vez de “um formato que criamos”, que, seguramente, seria usada caso fosse essa a realidade) pretende passar a ideia que tal formato é algo corrente e convencional. E não é, pois trata-se de um formato criado por Helder Guimarães com o espectáculo "THE PRESENT", cujo sucesso é inegável (Nota: a terceira extensão da temporada inicial esgotou em cerca de uma hora).
Agora, na quarta parte da entrevista supracitada (que começa por volta do minuto 18:21), poderemos ouvir LM dizer o que seguidamente se transcreve (Nota: apenas transcrevo o que considero relevante para a comparação da cópia com o original):

[...]
E, quando pensamos nisso, encontramos soluções verdadeiramente diferentes.... Aaah... Inventamos esta ideia do Drive-In para espectáculos ao vivo.... Aaah... Mas também criamos outras coisas, outras coisas que eu tenho feito e que não estão debaixo do escrutínio do público em geral... Aaah... Mas, hoje mesmo... Aaah... Tenho duas situações dessas que é...
Nós co... desenhamos uma experiência, um espectáculo, que se chama "Luís de Matos ZOOM"... e que é dedicado...  dedicado ah... eh... a empresas...
[...]
E o que fizemos foi nada mais nada menos do que aah... criar uma espécie de um mini-cenário em que aaah... conseguimos fazer a magia acontecer através do ecrã... E fomos um bocadinho mais longe...
[...]
Eu não tinha pensado falar sobre isso... olhei para ali e vi que tava ali... É só para... É só para te... dar este exemplo... que é... Aaaah... o Luís de Matos Zoom Aaaah... é esse formato que nós criamos.... e que no fundo Aaaah...   fizemos aaaah.... a...a...adaptamos o mais possível à... a... à... à... situação que estamos a viver.
Então... todas as pessoas que participam no "Luís de Matos ZOOM" nós enviamos por correio primeiro uma caixinha... esta caixinha tem uma série de coisas que são costumizáveis...
[...]
E isto é enviado com antecedência para as pessoas... as pessoas abrem só no momento em que estão em directo comigo e nós fazemos à distancia com q... fazemos com que a magia aconteça nas casas das pessoas... nos seus escritórios... onde estão a fazer teletrabalho...
[...]

O LM sabe que copiou descaradamente o formato do espectáculo do Helder Guimarães. E agora a DESFAÇATEZ e a FALTA DE ÉTICA aumentam exponencialmente quando se afirma criador do mesmo.

Não tenho dúvida nenhuma que, se o LM estivesse a pensar neste formato em 22 de Abril (quando o Helder Guimarães  anunciou o espectáculo "THE PRESENT"), desde logo viria a público publicitar o  "Luís de Matos ZOOM". Mais ainda... Não tenho dúvida que se, no momento que apareceu o anúncio feito pelo Helder Guimarães, o LM achasse que lhe interessava copiar o formato, viria, no imediato,  publicitar o seu projecto, afirmando que já estava a trabalhar nele. É, para mim, evidente que só algum tempo mais tarde o LM teve a certeza que lhe interessava copiar o formato criado pelo Helder Guimarães.

Mas, por vezes, o subconsciente é levado da breca e é capaz de trair o mais pintado. E foi precisamente isso que aconteceu nesta entrevista do LM ao Porto Canal. Conforme está transcrito acima, a certa altura da entrevista (por volta do minuto 19:21), o LM disse:
“Nós co... desenhamos uma experiência” (sic)

Não tenho dúvida que o subconsciente do LM é muito mais ético do que o seu consciente e que o estava a empurrar para dizer a verdade, ou seja: “Nós copiamos uma experiência”.

O “lapsus linguae” não foi completo, mas a evidência está lá, sem qualquer sofisma.



quinta-feira, maio 28, 2020

CANTAS BEM, MAS NÃO ME ENCANTAS....


Hoje fui, de novo, tomar o meu cimbalino ao Café Bom Dia. Até porque estava mesmo um bom dia e há que aproveitar em pleno o desconfinamento possível.
Quando lá cheguei, apenas uma mesa da esplanada estava ocupada.... Lendo atentamente o seu JN, lá estava o Afonso. Desta vez sem a companhia do Serafim. Ao passar perto (a mais de 2 metros, seguramente) da sua mesa, cumprimentei-o e trocamos algumas breves palavras de circunstância. Pareceu-me que Afonso queria conversa, mas não comigo. Normalíssimo. Ele gosta mesmo é de falar com o “seu” Serafim.
Sentei-me numa mesa um pouco afastada e pedi o meu cimbalino. No momento em que este foi colocado à minha frente e me preparava para o adoçar, sou “despertado” por um chamamento bem audível.
[...]
- Ó Serafim... Serafim... – bradava Afonso, dirigindo-se ao amigo que ia a atravessar o Jardim da Praça Velásquez (perdão, Francisco Sá Carneiro) – Anda cá tomar um cafezinho, que hoje pago eu!
Serafim olhou na direcção da voz que o chamava, identificou o amigo Afonso e respondeu:
- Não posso. Tenho que ir ali ao Pingo Doce comprar o que a minha mulher me encomendou.
Afonso insistiu:
- Será um café rápido... Anda cá... Até porque temos uma conversinha a pôr em dia.
Serafim não se fez rogado. Procurou a travessia de peões mais próxima para poder atravessar em segurança a faixa de rodagem e, passados breves instantes, estava a sentar-se na mesa ao lado da do amigo.
- Vais ter que ser uma conversa rápida, Afonso. – afirmou Serafim – A minha mulher pediu-me para ir comprar bacalhau e, tu sabes, com aquela inovadora receita de Bacalhau à Luís de Matos que, há dias, apareceu na net, o bacalhau é capaz de ter muita procura... e esgotar!
Afonso anuiu com um sorriso e  disse:
- Ora é precisamente do Luís de Matos que te queria falar. Tu viste aquele post bem simpático que ele colocou na sua página do Facebook a felicitar o Helder Guimarães por ter sido capa do LA Times Calendar com o espectáculo The Present... É bonito de se ver esta demonstração de respeito por...
Serafim não deixou o amigo continuar, interrompendo-o da seguinte maneira:
- Ó Afonso  tu deves estar a gozar com a minha cara!... Só pode!... Tal como o Luís de Matos, ao fazer esse post, deve estar a gozar com a cara do Helder Guimarães e de todos aqueles que sabem a falta de respeito (sim, Afonso, repito: FALTA DE RESPEITO...) que o Luís de Matos teve para com o Helder Guimarães ao COPIAR o conceito do espectáculo “The Present” e lançar o seu super-criativo “Luís de Matos ZOOM”... Respeito teria sido abordar previamente o Helder Guimarães e tentar encontrar um consenso que lhe permitisse fazer tal espectáculo dando o correspondente crédito ao Helder Guimarães.... Portanto, Afonso, não me venhas falar de respeito, que eu passo-me dos carretos ainda mais do que o Pedro Soá do BB2020!
Por momentos, um silêncio estranho ficou a pairar entre os dois amigos... Um pouco a medo, Afonso parecia tentar encontrar algo de positivo que pudesse dizer. Finalmente Afonso quebrou o silêncio e disse:
- Mas olha que o Luís de Matos nunca disse que a ideia era original...
Serafim voltou a interromper o amigo e respondeu-lhe:
- Pois nunca disse... Porque não poderia dizer... Mas deixa que essa ideia se implante na cabeça das pessoas.... Por exemplo... Quando o Peter Wardell (acerca do espectáculo “Luís de Matos ZOOM”) comenta “Ahead of the curve (again!) – beautifully done.” (sic), o Luís de Matos responde-lhe “Thank you my friend, you are very kind... hope you all are well...” (sic)  Achas que isto é ter respeito pelo colega de profissão Helder Guimarães?
Afonso foi incapaz de responder ao amigo. Há coisas que deixam qualquer um sem argumentação.  Passados alguns instantes,  Serafim continuou:
- E sabes uma coisa, Afonso? Aquele post do Luís de Matos é mesmo intragável... para não dizer coisa pior, pois estamos num local público. É mesmo desfaçatez vir referir que convidou o Helder Guimarães para um dos seus programas de televisão. Até parece querer implantar, subliminarmente, a ideia de que ajudou o Helder Guimarães na sólida carreira que vem construindo. Mas, na minha perspectiva, a realidade é bem diferente.... Ele convidou o Helder Guimarães em 1996 para o programa ILUSÕES COM LUÍS DE MATOS, mas não o convidou, em 2001, para o programa LUÍS DE MATOS AO VIVO, quando é fácil verificar que houve inúmeros mágicos que foram repetidamente convidados em diferentes séries de televisão do Luís de Matos. Porque seria, Afonso?
Afonso manteve-se em silêncio, abanando a cabeça para demonstrar a sua ignorância quanto à resposta solicitada. Serafim tomou fôlego e disse, com ar “sherlockiano”:
- Elementar, meu caro Afonso!... É que, em 1996, o Helder Guimarães tinha 13/14 anitos e não passava de um miúdo com jeitinho e que era giro levar ao programa e, em 2001, o Helder Guimarães tinha 18/19 anos e era um potencial concorrente em formação, tendo já, por exemplo obtido um prémio, em Cartomagia, em Málaga, no Congreso Mágico Espanhol de 1998. Aliás, o Luís de Matos, numa estratégia perfeitamente perceptível de “em terra de cegos quem tem um olho é rei” nunca “puxou” pela valorização dos mágicos portugueses.... “Puxou” sim pela valorização da magia como Arte com a vinda de inúmeros bons mágicos estrangeiros, ajudando a implantar a ideia de que ele, Luís de Matos, era o “oásis no deserto” da magia em Portugal. Claro que isto que agora te disse é o pensamento de muitos e muitos mágicos portugueses, mas por conveniência, medo ou mero “lambe-botismo” a maioria nunca será capaz de o assumir.
Afonso ficou silencioso, absorvendo as palavras do amigo e, após alguns segundos, atirou:
- Agora que falas dessa maneira lembro-me de uma vez  ele ter dito qualquer coisa do género: “em Portugal não há mágicos que façam este tipo de magia...”
Serafim interrompeu o amigo e disse:
- Sei muito bem a que te referes... Sabes, uma coisa?
E, sem esperar resposta do amigo, Serafim continuou:
- O Luís de Matos sempre teve “boa imprensa” em Portugal. Nunca lhe fazem perguntas difíceis... Mas, se não estou enganado, creio que foi no LISBOA MÁGICA 2006, uma jornalista fez-lhe uma pergunta difícil, a saber, “porque é que não havia mágicos portugueses no cartaz”... Acho que ele foi apanhado um pouco de surpresa, mas lá se desenrascou, afirmando que, em Portugal havia bons mágicos, mas que naquele tipo específico de magia (street magic / magia de rua) não havia especialistas... E ele até desejava que o festival servisse para fazer despertar praticantes para tal modalidade. Foi, naturalmente, uma resposta inteligente, mas a jornalista não tinha todo o “trabalho de casa” bem feito, pois, caso contrário, poderia confrontá-lo com os nomes de diversos mágicos estrangeiros (sem dúvida, excelentes) que ele já havia convidado para trabalharem em magia de rua e que não eram especialistas em tal modalidade. No ano seguinte (2007) ele convidou o Helder Guimarães para trabalhar no LISBOA MÁGICA, não por ser um especialista em tal modalidade, mas por ser CAMPEÃO DO MUNDO DE CARTOMAGIA (FISM 2006), logo um nome que não poderia ignorar...
Serafim, olhou para o relógio, soltou uma interjeição irreproduzível e disse:
- Afonso, tenho mesmo que ir... Para terminar só te digo uma coisa... Se tivesse conta no Facebook iria comentar o post do Luís de Matos com a seguinte frase: “CANTAS BEM, MAS NÃO ME ENCANTAS!”
[...]
Serafim afastou-se. Levei a chávena do cimbalino à boca... Estava frio e amargo... Há coisas que não consigo engolir... O café frio e amargo e certos posts no Facebook.


segunda-feira, maio 25, 2020

BACALHAU À LUÍS DE MATOS


Devo começar por dizer que já não encontrava estes dois amigos há algum tempo. O que não é para estranhar, pois o confinamento tem mantido todas as pessoas conscientes afastadas dos locais de convívio habitual.
Hoje, quando tomava o meu cimbalino na esplanada do Café Bom Dia, os timbres inconfundíveis das suas vozes captaram a minha atenção: em amena cavaqueira ali estavam eles, o Serafim e o Afonso.
E logo reparei que eles são zelosos cumpridores das regras de distanciamento social, pois ambos usavam máscara e ocupavam mesas distintas da esplanada. Dados estes condicionalismos a conversa decorria num tom de voz um pouco mais elevado, o que me permitiu perceber de imediato o teor da mesma. Decidi não os interromper. Haveria tempo de sobra para os ir cumprimentar... à distancia, claro!
[...]
- Pois, meu caro Afonso, eu sempre te disse que nunca achei que o Luís de Matos fosse muito criativo... – afirmou Serafim, pausadamente, como quem escolhe as melhores palavras para transmitir a ideia que lhe vai na mente – É um bom comunicador... Direi mesmo, um excelente comunicador, mas não tem, nem de perto nem de longe, a criatividade que lhe atribuem.
- Calma aí, Serafim – interrompeu Afonso – E então aquela fabulosa rotina do lencinho que muda de cor?
Serafim fez um breve pausa e respondeu:
- Claro que isso é criatividade, mas CRIATIVIDADE “DÉJÀ VU”... Ou será que tu não te lembras da rotina do Pepe Carroll?
- Ok...ok...ok... – atalhou, de imediato Afonso – Mas não me vais dizer que aquela forma estética de apresentação da “Tripla Fantasia” de costas para o público com as mãos e cartas sobre a cabeça não é um verdadeiro hino à criatividade artística... Olha que até se diz por aí nos “mentideros da magia” que o Luís de Matos esteve quase a meter uma acção em tribunal contra um mágico que apresentou aquela rotina com aquela estética...
- Está bem, Afonso, não te chateies... – respondeu Serafim – Quanto ao que se diz nos “mentideros” nada sei... Nem quero saber... Palpita-me que nesses tais “mentideros” que referes pode haver muitas manifestações de “lambe-botismo” que nada me interessam... Mas posso dizer-te que antes do Luís de Matos apresentar a “Tripla Fantasia” com aquela estética, já Juan Gabriel [Nota explicativa: mágico espanhol já falecido] o fazia. Portanto, mesmo considerando que o Juan Gabriel foi (pelo menos durante algum tempo) amigo do Luís de Matos e que, eventualmente, o tenha autorizado a usar tal estética de apresentação, só consigo encontrar aqui, mais uma vez, CRIATIVIDADE “DÉJÀ VU”...
Durante alguns instantes, Afonso ficou em silêncio. Parecia que o seu amigo Serafim encontrava sempre argumentos para o contrariar. Mas, intimamente, tinha que lhe dar razão pois os argumentos eram claros e inequívocos. Mas Afonso não gostava de deixar o seu amigo com a última palavra. E, de repente, lembrou-se de algo inovador que vira na página Facebook do Luís de Matos. Sem mais delongas, Afonso atirou:
- Meu caro Serafim, nesta é que não vais poder contrariar-me... Nestes tempos em que não há espectáculos, o Luís de Matos criou um conceito novo...
Sem deixar o seu amigo terminar, Serafim atalhou:
- Já sei.. Estás a falar do Luís de Matos Drive-In...
- Não... Não é isso. – ripostou Afonso – No caso do Drive-In, eu próprio acho que não houve grande criatividade. No fundo foi transformar um “cinema” num “teatro”... Acho que ninguém achará isso extremamente criativo... Estava a referir-me ao conceito do “Luís de Matos ZOOM” que ele divulgou no passado dia 21 de Maio...
Serafim não se conteve e interrompeu o seu amigo com uma sonora gargalhada:
- Ahahahahahahahahahahahahahahahahahahah....
Dois casais que estavam na esplanada não conseguiriam evitar um torcer de pescoço para olharem na direcção de quem se ria daquela forma tão genuína. A custo Serafim conteve a vontade de continuar a rir-se e, virando-se para Afonso, disse:
- Meu caro Afonso, tu deves mesmo andar na Lua... Ou então a tua cegueira em considerares o Luís de Matos o supra-sumo da magia portuguesa leva-te a não enxergares o que está mesmo à frente dos teus olhos... O Luís de Matos limitou-se a copiar (e, sublinho, COPIAR, para que tu, Afonso, fixes bem a ideia...) o conceito do novo espectáculo do Helder Guimarães, The Present, que está fazer sucesso nos Estados Unidos, o qual foi anunciado publicamente no dia 22 de Abril... Por isso, Afonso, não me venhas com mais tretas de criatividade dessa... Isso é o que eu designo por criatividade à moda do Luís de Matos, ou seja, CRIATIVIDADE “DÉJÀ VU”.
Um longo silêncio seguiu-se a esta conclusão.
[...]
Aproveitei para me levantar, pois eram horas de regressar a casa. Passei perto das mesas onde estavam Serafim e Afonso, aproveitando para os cumprimentar à distância regulamentar. Depois de uma breve conversa de circunstância dirigi-me a casa onde me esperava um Bacalhau à Luís de Matos... Já sei... Querem que vos diga a receita... É muito simples... É Bacalhau à Gomes de Sá feito com CRIATIVIDADE “DÉJÀ VU”.

sábado, maio 23, 2020

Descubra as diferenças...


Um passatempo divertido e muito comum em jornais e revistas é... "Descubra as diferenças". Hoje lembrei-me de vos propôr um desafio desse estilo, com temática mágica.

Das duas fotos seguintes, uma é original e a outra é cópia. Adivinhem qual é a cópia.



domingo, fevereiro 03, 2013

Luís de Matos é candidato a astronauta


Luís de Matos candidatou-se a uma viagem ao espaço. É isso que se pode ver no post que colocou no Facebook e que, com a devida vénia, seguidamente se reproduz.

Quem pretender contribuir para a concretização deste sonho poderá votar em https://www2.axeapollo.com/en_PH/20735/luis-de-matos?image=0


sexta-feira, abril 27, 2012

TABELA PERIÓDICA DE MÁGICOS


Uma interessante adaptação publicada, em 25 de Março de 2012, no Facebook, por Tom Crosbie.



domingo, dezembro 28, 2003

E NÃO HAVIA BOLINHOS DE BACALHAU COM ARROZ DE FEIJÃO...


5 de Dezembro, 13 horas e 30 minutos. 

Entro num snack bar da baixa portuense onde almoço com frequência, após uma breve paragem para consultar a ementa afixada na respectiva porta envidraçada. A decisão estava tomada: bolinhos de bacalhau com arroz de feijão. 

Sento-me ao balcão e, imediatamente, me apercebo que algo de estranho se passa no outro extremo do mesmo, mais propriamente, na chamada “zona de serviço”. Faço o pedido ao empregado, mas sou confrontado com a triste realidade... dos bolinhos de bacalhau com arroz de feijão já se terem eclipsado! Opto pelo lombo assado e, enquanto espero pela correspondente meia dose, tenho oportunidade de me aperceber do imbróglio que despertara a minha atenção. 

A situação relata-se em duas penadas. Um cidadão de nacionalidade estrangeira (talvez, ucraniano) que tinha vindo comprar comida na opção take away, reclamava que o troco não estava correcto, pois tinha entregue 50 euros (para pagar um montante situado entre 10 e 15 euros) e, além de algumas moedas, recebera uma nota de 5 euros, uma nota de 10 euros e uma terceira nota, também esta de 5 euros. Numa primeira reacção o gerente (o sr. Jorge) foi à caixa registadora para “desfazer” o engano, mas, logo que a abriu, ficou seguro de que não houvera engano. De facto ele tinha a certeza que, antes de atender tal cliente, só tinha uma nota de 20 euros na caixa registadora. Como, nesse momento, já lá não tinha qualquer nota desse valor, era óbvio que teria que a ter entregue ao dito cliente. E, num flashback imediato, relembrou-se de uma cena perfeitamente idêntica passada algumas semanas antes, com o mesmo indivíduo. 

Não tendo dúvidas que estava perante uma tentativa de burla, recusou-se a entregar-lhe o montante reclamado como estando em falta. Entre frases proferidas num inglês mal arranhado e um mostrar dos bolsos do casaco, o citado cliente ainda tentou convencer que estava a falar verdade, mas o sr. Jorge aconselhou-o a chamar a polícia e ele achou por bem, retirar-se. Entretanto chega o lombo assado e, enquanto me entretenho com ele, assisto à conversa do sr. Jorge com dois clientes habituais da casa, que já haviam terminado o respectivo almoço. Para além do relato circunstanciado da ocorrência e da lembrança que tinha da burla anterior com que o mesmo sujeito o enganara, o sr. Jorge disse algo do género:

- Mas é fantástica a habilidade com que ele trocou a nota! Ele quase nem se virou, logo voltou para trás e a nota já estava trocada. 

E, ao mesmo tempo que exemplificava um empalme foleiro da nota dobrada, rematou: 

- Se calhar escondeu-a, assim, na mão. 

De imediato, um dos seus interlocutores sentenciou: 

- É como um ilusionista. É como o Luís de Matos. 

Acreditem que esta afirmação me entristeceu bastante mais do que o eclipse dos bolinhos de bacalhau com arroz de feijão, mas, infelizmente, a nossa Arte continua a ser objecto deste tipo de associação de ideias... E parece-me que tal só acontece com o Ilusionismo... Pelo menos, eu nunca ouvi ninguém dizer (para comentar um homicídio cometido com arma branca): - Pela precisão do corte parecia mesmo um médico cirurgião de bisturi em riste. 

Triste sina, a dos mágicos: ser bitola de comparação com conotações bastante negativas. Quando conseguiremos alterar esta situação? 

5 de Dezembro, 14 horas e 15 minutos. 

Saio do snack bar após pagar a conta, sem burlar o sr. Jorge, triste por não ter podido comer bolinhos de bacalhau com arroz de feijão. Por isso e não só... 

P.S.: Para permitir a alguns leitores uma total compreensão do texto, informo que, em dialecto alfacinha, diz-se "pastéis de bacalhau" em vez de "bolinhos de bacalhau"...


DRAGÕES DESILUDIDOS... PERDÃO, DESILUSIONADOS!


O passado mês de Novembro trouxe à Magia alguma visibilidade e destaque em meios de comunicação social onde, escassas vezes, haverá razões para ser citada. Já entenderam que me estou a referir aos media ligados ao fenómeno desportivo e à escolha de um espectáculo mágico (protagonizado por Luís de Matos) para integrar a inauguração do Estádio do Dragão. 

Devido a compromissos do foro mágico assumidos anteriormente não me foi possível estar presente nesse evento, situação que correspondia desde logo, à partida, a uma dupla tristeza (a do mágico e a do portista). Tive portanto apenas oportunidade de ver a gravação do que a RTP transmitiu. 

Quando foi anunciado o efeito da previsão do resultado do jogo, tive, imediatamente, a sensação de dejá vu. E, simultaneamente, a sensação de um anti-climax relativamente à previsão do totoloto. Na realidade, um espectador leigo, mas de raciocínio lógico-matemático medianamente desenvolvido, chegará à conclusão que é muito mais fácil prever o resultado de um jogo de futebol do que uma chave de totoloto. De facto, se considerarmos que, num jogo entre Porto e Barcelona, cada uma das equipas conseguirá marcar, no máximo, 6 golos (o que pessoalmente já acho que é um exagero), o universo possível de resultados distintos será limitado a 49 possibilidades, infinitamente menor que o número gigantesco que corresponde a combinações de 49 elementos, 7 a 7. Mas, mesmo assim, tal previsão foi o que mais terá ilusionado as pessoas e os jornalistas. Visto pela televisão também não teve as características de permanente controle da caixa da previsão que colocaram a «operação totoloto» num outro nível de impossibilidade. 

A fazer fé nas descrições e conclusões de algumas pessoas conhecidas (leigas sob o ponto de vista mágico) que estiveram presentes no estádio, as ilusões do desaparecimento de Luís de Matos de uma caixa suspensa e do aparecimento da equipa do F. C. Porto não os enganaram, o que me deixou triste. Para completar tal estado de espírito, no dia seguinte ao evento, antes de ter visto a gravação televisiva e estando a almoçar num snack-bar portuense, fiquei a saber o processo utilizado para fazer aparecer a equipa portista em cima de um estrado. Foi dito, em voz alta, por quem tinha assistido ao vivo. Dias mais tarde vi a mesma descrição feita numa notícia de jornal, tendo o jornalista revelado que confirmara tal dedução com um dos jogadores que participara na ilusão… 

Será que… ilusões que não ilusionam são Magia?


quarta-feira, setembro 17, 2003

"CAPITALISMO" MÁGICO


Podemos ser um país pequeno, mas não nos faltam CAPITAIS! Calma, Srª Ministra das Finanças, não me refiro a esses capitais… Refiro-me a... CAPITAIS MÁGICAS!!! 

Pois é… 

Em 2000 realizou-se em Lisboa o Congresso Mundial da FISM (Federação Internacional das Sociedades Mágicas), que reuniu mais de 2000 mágicos participantes, pelo que, com alguma propriedade (penso eu de que...), se poderia referir Lisboa como Capital Mundial da Magia

Em 2001 o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Valongo achou que o concelho de Valongo não podia ficar atrás de Lisboa e (...abracadabra...) toca de apelidar Valongo como Capital Mundial da Magia, devido à realização do MagicValongo, um evento que reúne aproximadamente uma centena e meia de mágicos participantes. 

Em 2002, por ocasião de mais um MagicValongo, tivemos de novo, o concelho de Valongo como Capital da Magia, dessa vez sem usar o adjectivo “mundial” ou qualquer outro que delimitasse o “território” afecto à “soberania” de tal capital… Em último caso ninguém poderia contestar que Valongo fosse considerada a Capital Concelhia da Magia… 

Neste momento estão a decorrer os Encontros Mágicos de Coimbra que, segundo o Jornal de Notícias, contam com a presença de cerca de “uma dúzia mágicos provenientes de sete países” (sic). Luís de Matos esteve presente, no passado Domingo, na qualidade de organizador de tais Encontros, no programa “DOMINGO É DOMINGO” da RTP1 e referiu-se a Coimbra como Capital Mundial da Magia. No dia seguinte no Jornal de Notícias o mesmo evento foi “despromovido” para Capital Europeia da Magia… 

Na próxima semana teremos mais um MagicValongo. Será novamente Capital da Magia? Mundial? Europeia? Portuguesa? Distrital? Aceitam-se palpites. 

No meio de tanto “capitalismo” parece haver muita falta de ambição, pois ainda ninguém achou apropriado designar um evento como CAPITAL INTERGALÁCTICA DA MAGIA. E com esta falta de ambição continuaremos a ser um país pequenino…