Reprodução do artigo publicado na revista MAGIA (CIF) de Janeiro/Junho 1999
UMA GRANDE ILUSÃO CHAMADA… PRÉMIO
por Jomaguy
“Os prémios e galardões obtidos em Ilusionismo, como em qualquer outra actividade, não têm um valor absoluto, mas apenas um valor relativo, função do tempo e local a que se reportam.”
In «25 ANOS MAGICANDO...»
Apesar da frase transcrita constituir, para mim, uma verdade inquestionável, não posso deixar de reconhecer que há concursos que, possuindo um historial de participações de grande qualidade, constituem, inequivocamente, referências de elevado padrão para os respectivos galardoados. São exemplos disso o concurso da FISM e a competição de CLOSE-UP promovida por Ron MacMillan, pois, em qualquer dos casos, a respectiva entidade organizadora procura garantir a permanente elevada qualidade dos mesmos.
Não espanta, portanto, que tais concursos (e outros igualmente acreditados no meio mágico) sejam objectivos apetecíveis para os jovens mágicos em busca de sucesso. Mas o desejo (de vencer um desses concursos) não deve ser confundido com a realidade. Não é, portanto, eticamente correcto que alguém, após a obtenção de um prémio num determinado concurso, menos conhecido ou divulgado, procure sobrevalorizar esse prémio referindo que o mesmo foi obtido numa competição organizada por outra entidade (mais conhecida ou mais credível), mesmo que o prémio lhe seja entregue pelo líder dessa outra entidade. Quanto a mim, ao tomar tal postura mentirosa está, intrinsecamente, a reconhecer que o concurso em que participou foi de menor gabarito.
Por vezes a divulgação de tal informação errónea é feita fora do ambiente mágico podendo ser interpretada como uma tentativa de obter um melhor aproveitamento comercial de tal prémio. Mesmo nessa situação, não é uma atitude correcta, sob o ponto de vista ético. Mas claro, MUITO MAIS GRAVE é manter e sustentar tal mentira dentro de um clube mágico onde a transparência e a verdade devem ser lei e regra.
Que diríamos nós se o sr. Eduardo Franco, que recebeu um galardão pela sua dedicação ao CIF (que, na ocasião, lhe foi entregue pelo sr. Marques Vidal, presidente da FISM) aproveitasse a fotografia da entrega do prémio para propagandear que tinha recebido um galardão de dedicação da FISM? Claro que nem o sr. Eduardo Franco nem qualquer outro ilusionista de boa formação ética tomaria tal atitude. Mas seremos todos assim?…
Não tenho dúvidas que é sempre um motivo de regozijo a obtenção de um prémio numa actividade à qual nos dedicamos e procuramos dar o melhor de nós mesmos, mas a VERDADE sobre esse prémio será, em qualquer circunstância, a melhor informação que poderemos prestar sobre o mesmo.
Até porque A VERDADE É COMO O AZEITE: VEM SEMPRE À TONA!