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quarta-feira, março 19, 2025

Já passaram cinco anos...


Parece que foi ontem, mas já passaram cinco anos… Sim, já passaram cinco anos desde que perdemos a presença entre nós de Fernando Coimbra. Mas continua a viver na memória daqueles que tiveram o privilégio de com ele conviver e de receber os inúmeros ensinamentos mágicos que o MESTRE JOFERK sempre se dispunha a partilhar.

Hoje, para o lembrar, deixo a reprodução da maqueta de um cartão de visita que desconheço se alguma vez chegou a ser impresso, pois, entre os diferentes cartões de visita do Coimbra que possuo não tenho tal modelo. 


No entanto tal maqueta remete-nos para uma rotina que o Coimbra pôs de pé e que tive a oportunidade de ver numa actuação que ele realizou, no Programa Pica-Pau (no início dos anos 70): a rotina do pintor. Ver, nessa actuação, a criatividade que se podia ter numa rotina mágica foi para mim (que, nessa altura, ainda estava a dar os primeiros passos na nossa fascinante Arte) uma verdadeira injecção de reforço na vontade de abraçar o Ilusionismo.

Coimbra, obrigado por tudo… e mais não sei quê (como agora se costuma dizer)!


terça-feira, fevereiro 13, 2024

O C.I.F. MERECIA MAIS E MELHOR!…


Não estive presente no Festival S. João Bosco 2024 organizado pelo Clube Ilusionista Fenianos (Secção de Ilusionismo do Clube Fenianos Portuenses), mas um amigo teve a gentileza de me oferecer um exemplar do livro “65 Anos de Ilusionismo no C.I.F.” cujo autor é José António Salazar Ribeiro “Salazars”.

Foi, portanto, com o interesse próprio de quem viveu muitos bons momentos no âmbito de tal instituição, que me embrenhei na leitura do citado livro, disposto a “saborear” as suas 77 páginas que (imaginava eu…) teriam sido preenchidas com conteúdos verdadeiros e capazes de fazer jus a uma vida de 65 anos sempre a lutar pela dignificação do Ilusionismo.

A leitura foi célere, pois muito do conteúdo é aquilo que habitualmente se designa “palha para gastar tinta a encher papel” e a conclusão final foi: “QUE GRANDE DESILUSÃO!…”

Mais adiante farei uma análise à maioria dos erros que encontrei em tal publicação, mas, para já, apetece-me enunciar duas conclusões inevitáveis que um qualquer leitor (não integrado nos meandros do Ilusionismo) tiraria da leitura atenta do referido livro.

1ª conclusão: 

O evento mais importante da história de 65 anos do C.I.F foi o facto das Sras. D. Madalena Salazar e D. Zita Reis Boal terem organizado o espólio da secção de Ilusionismo do Clube Fenianos Portuenses.

2ª conclusão:

Em 65 anos de vida do C.I.F. apenas faleceu a mãe de um sócio. O que se pode extrapolar para uma de duas situações: ou os ilusionistas que entram no C.I.F são órfãos ou as mães dos ilusionistas têm uma longevidade muito superior ao normal.

A seu tempo perceberão as razões de tais inevitáveis conclusões. Para uma melhor percepção dos pontos negativos que encontrei na publicação irei fazer uma análise individualizada de cada capítulo. Mas, antes disso, vou referir um erro que nada tem a ver com o conteúdo do livro, mas sim com a falta de conteúdo do mesmo. Na realidade, no verso da página 27, está impressa, de novo, a página 27!… E após a página 27 (bis) vem a página 29. Falta portanto o conteúdo do que deveria ser a página 28, o qual corresponderia, essencialmente, ao relatório relativo ao ano de 1966. Um tremendo erro de falta de cuidado na paginação e também da revisão da publicação.

Passemos, então, à análise dos diversos capítulos que merecem reparo.

Capítulo 1 – Resumo

Apenas quero realçar que é dito “Neste opúsculo, sem querer ser exaustivo, deitei mão ao presentemente acessível, em termos de informação e documentação, sabendo que sendo tão rica a história do CIF, por certo haveriam de acontecer involuntárias lacunas, as quais previamente salvaguardo” (sic).

É evidente que involuntárias lacunas é algo perfeitamente admissível num trabalho deste género. Mas outra coisa totalmente diferente são as lacunas por falta de empenho e rigor na busca e consulta de informação existente.

Capítulo 3 – 65 Anos num passe de Varinha Mágica

A “Breve História” contida neste capítulo corresponde a uma tradução quase integral da página da MAGICPEDIA referenciada, no rodapé da página 9, como fonte #1.

Para mim é indubitável concluir que o “comodismo” tido na elaboração deste trabalho chegou ao ponto de se traduzir um conteúdo escrito em inglês, o qual enferma de inúmeros erros e omissões, nomeadamente:

- Não referir todos os Congressos Mundiais da FISM, nos quais o CIF esteve representado. De memória, lembro-me que o CIF esteve representado na FISM1988 (Den Haag) e na FISM1991 (Lausanne), porque estive presente em tais eventos.

- Também é errado (porque é mentira!) dizer que dois membros do CIF foram premiados na FISM2006. Quer o Helder Guimarães quer o David Sousa concorreram com o aval da API (Associação Portuguesa de Ilusionismo). Desconheço se o David Sousa alguma vez foi sócio efectivo do Clube Fenianos Portuenses (e, portanto, membro da respectiva secção de Ilusionismo), mas sei que o meu filho Helder Guimarães, à data da realização do congresso FISM de Estocolmo já não era associado do Clube Fenianos Portuenses. Será que, ao “capitalizar” para si os sucessos do Helder Guimarães e do David Sousa na FISM estará o CIF a “reforçar” a “longa e fraterna relação com a API – Associação Portuguesa de Ilusionismo” como, mais adiante é referido?

- É referido “Em 2009, a Direcção conjuntamente com Madalena Salazar e Zita Reis Boal, encarregam-se da recuperação e inventariação de todo o espólio da Biblioteca e demais acervo da Sala-Museu do CIF.” (Nota: 1ª referência a este assunto.)

- A referência aos ilusionistas estrangeiros que passaram pelo CIF enferma de diversos erros nos nomes apresentados. A título de exemplo refiro Jean Charles (correcto seria Jean Carles), Jarry Darlenne (correcto seria Jerry Darnelle), Chade Long (correcto seria Chad Long), Artur Ascanio (correcto seria Arturo Ascanio), Thom Person (correcto seria Thom Peterson), Richard & Lara Jarmin (correcto seria Richard & Lara Jarmain) e Kiko Pasteur (correcto seria Kiko Pastur).

- No último parágrafo deste capítulo é dado destaque à actual direcção do CIF, referindo, de passagem outros nomes que foram, anteriormente, também directores. É evidente que aqui haveria sempre lugar a uma ou outra omissão, mas acho que são demasiadas as omissões, o que reforça a minha ideia de um trabalho “feito em cima do joelho”….  Não refiro esta situação por estar melindrado visto o meu nome ter sido “esquecido”, mas por entender que nomes como João Marques Pinto, Magalhães Aguiar ou Manuel da Costa não deveriam sê-lo!

Capitulo 4 – Fundação do CIF – Clube Ilusionista Fenianos

A fotografia que encima este capítulo apresenta, inexplicavelmente, dois pontos de interrogação em substituição do que seria a correcta identificação de duas pessoas. Digo e repito: inexplicavelmente! 

Esta fotografia esteve presente em exposição na sala do CIF durante o evento OPEN HOUSE 2018 e a ela me refiro aqui. Na altura a fotografia tinha a legenda “Fundadores”. Tive oportunidade de, em conversa com Ana Maria Meixieira, identificar, de imediato, Armindo de Matos, Pires de Carvalho e Eduardo Franco. No entanto, o quarto elemento em destaque na fotografia permanecia, para mim, como um desconhecido. Tal como expressei no supracitado post do meu blogue, trata-se de Victor Peacock, que nada tinha a ver com a fundação do C.I.F., sendo um ilusionista inglês que visitava, com frequência, o Porto e era colaborador da revista Magia.

O conteúdo deste capítulo não passa de uma cópia (com alguns cortes) da reportagem publicada no primeiro exemplar da revista Magia (Julho 1959).

Capítulo 5 – Quem foram os Primeiros Directores do CIF?

As biografias de Pires de Carvalho, Armindo de Matos e Eduardo Franco foram quase integralmente copiadas do Dicionário do Ilusionismo em Portugal da autoria de JÓNIO (Camacho Barriga), tal como o próprio opúsculo refere em rodapé. 

Isso em si mesmo não é um erro, mas quando se muda ou acrescenta um pormenor, acaba por se introduzir erro e confusão no que estava bem. 

Foi o que aconteceu na biografia de Pires de Carvalho quando se refere “[...]actuando num espectáculo organizado pela As.P.I.[...]” e “[...]foi sócio da As.P.I.[…]”. (Nota: na obra de Camacho Barriga não aparece As.P.I. mas sim A.P.I.)

Se consultarmos a página 77 onde se encontra a descrição das siglas usadas no opúsculo veremos que não está referenciada nenhuma sigla As.P.I., pois às entidades Academia Portuguesa de Ilusionismo e Associação Portuguesa de Ilusionismo é atribuída a mesma sigla (A.P.I.), o que só ajuda a criar confusão. Mas a sigla As.P.I. não é completamente desconhecida no meio mágico. De facto, quando foi criada a Associação Portuguesa de Ilusionismo (muitos anos após a extinção da Academia Portuguesa de Ilusionismo), muitas vezes a sigla As.P.I. era usada para referenciar a Associação Portuguesa de Ilusionismo para garantir que não houvesse confusão com a extinta Academia Portuguesa de Ilusionismo. Ora, no caso em análise, o erro é demasiado grosseiro, pois o Dr. Pires de Carvalho estreou-se num espectáculo organizado pela Academia Portuguesa de Ilusionismo da qual foi sócio.

Também foi um erro acrescentar na biografia de Eduardo Franco “[…] reactivou uma rotina de Magia Geral, tendo como partenaire, a sua sobrinha Ana Maria Sequeira (NANY).” Ora Ana Maria Sequeira não era sobrinha do Sr. Eduardo Franco, mas sim do Prof. Armindo de Matos, como pode ser visto no Dicionário do Ilusionismo em Portugal que foi fonte de consulta do autor.

Por último, os três biografados já faleceram, mas não houve a preocupação de completar a informação que foi copiada de uma fonte publicada numa data em que todos ainda eram vivos. 

Capitulo 7 – Os primeiros 20 anos (1959-1979)

Nas 18 páginas deste capítulo são, basicamente, copiados conteúdos dos relatórios do Clube Fenianos Portuenses. Por um lado, parece-me completamente desnecessário detalhar os locais/entidades onde o Clube Ilusionista Fenianos realizou espectáculos numa publicação deste género. Por outro lado, ao serem “simplificados”, há conteúdos copiados que aparecem como sendo uma duplicação injustificável. A título de exemplo, no ano de 1962, existem duas referências a Associação Nun’Álvares de Campanhã e duas referências a Associação Musical de Miragaia, e , no ano de 1963, aparecem referências em duplicado a Salão Paroquial do Santíssimo Sacramento e Associação Protectora da Infância. Isto acontece porque nos relatórios do Clube Fenianos Portuenses tal informação está expressa em conjunto com a respectiva data de realização do espectáculo e, ao ser eliminada a referência a datas, surge a inevitável duplicação que só seria evitada com uma cuidada revisão, a qual, obviamente, não existiu.

Capítulo 8 – Anos de Ouro

Este capítulo de três páginas de texto e uma imagem cobre quase 30 anos de vida do C.I.F. (de 1980 a 2008) com um GRANDÍSSIMO NADA!…

No texto chamou a minha atenção o seguinte conteúdo: “Também, foi durante estes anos que vimos surgir os ilusionistas que marcaram estes anos: Joferk & Christy, Maury & Tany, The Boal’s, Cardinal’s Magic Show, Eduardo Franco e Nany, Edgar e Teresa, Joy & Lay, Serge & Faty, etc etc, com a particularidade de que constituíam rotinas de palco com as respectivas “partenaires, que normalmente eram as suas mulheres, exceptuando FRANCOF, que era com a sobrinha Nany.”

Então CARDINAL, que havia ganho um prémio no Festival Mágico da Figueira da Foz de 1973 (conforme página 31 do opúsculo), só aparece nestes anos? 

E JOFERK que igualmente ganhou um prémio no Festival da Figueira da Foz de 1973 (conforme página 31 do opúsculo) e que foi o grande vencedor do Festival Mágico da Figueira da Foz de 1975 (conforme página 33 do opúsculo) só aparece nestes anos?

Por seu turno, Eduardo Franco & Nany (que realizaram poucos espectáculos) continuavam a não ser tio e sobrinha como o autor pretende fazer crer.

Para encher o GRANDÍSSIMO NADA que é este capítulo, o autor aproveitou para tecer considerações pessoais sobre o “desaparecer do brilhantismo das actuações de palco” e o “grande relevo da stand-up magic e da cartomagia”, considerações que me parecem ser totalmente descabidas numa publicação com o objectivo de sintetizar os 65 anos do Clube Ilusionista Fenianos.

Tal como é totalmente descabida a figura que preenche a página 42 do opúsculo.

Capítulo 9 – A última década e meia (2009 – 2023)

Neste capítulo o autor voltou ao formato usado no capítulo 7, ou seja, referenciar, em cada ano, o que foi considerado mais relevante. 

Portanto, no ano de 2009, está referido o seguinte: “Foi também neste ano que as Srªs. Dªs. Madalena Salazar e Zita Reis Boal, colaboraram, juntamente com outros, na actualização do espólio da Secção, seleccionando, limpando, arrumando e organizando as suas Biblioteca e Património, restaurando mobiliário inclusive, onde ficaram as várias peças exibidas para disfrute de todos os Ilusionistas.”. (Nota: 2ª referência a este assunto.)

Também no ano de 2009 foi realizado o 24º Congresso Mundial de Magia FISM e houve a preocupação de referir que o delegado do CIF foi Salazar Ribeiro, que, por mero acaso, é o autor do opúsculo. Em todos os anteriores Congressos Mundiais de Magia FISM nos quais o CIF esteve representado, não houve a preocupação de referir o nome do delegado…

No ano de 2010 está referido o seguinte: “O trabalho de restauro da nova sala da Secção de Ilusionismo prosseguiu durante este ano, pelas Srªs. Dªs. Madalena Salazar e Zita Reis Boal, com outros apoios, por forma a que esta nova valência pudesse ser apresentada aos associados, aquando do Festival de S. João Bosco 2011.” (Nota. 3ª referência a este assunto.)

No ano de 2011 está referido o seguinte: “Continuaram os trabalhos de arranjo e restauro de móveis, livros e restante património na Sala da Secção de Ilusionismo, no 2º Andar, a cargo das Dª. Madalena Salazar e Zita Reis Boal.” (Nota: 4ª referência a este assunto.)

No ano de 2018 aparece, pela primeira vez no livro, referência a confrades falecidos. Até parece que, em anos anteriores, nunca tinham falecido ilusionistas do CIF… Faz todo o sentido esta referência, tal como faria todo o sentido ter referido em anos anteriores, os falecimentos de Arnaldo Brandão Horta, Pires de Carvalho, Armindo de Matos, Eduardo Franco, João Marques Pinto, Magalhães Aguiar, Homero Rocha e outros cujos nomes não me ocorrem neste momento. São falhas imperdoáveis que uma pesquisa cuidadosa, certamente, evitaria. Igualmente é imperdoável a falta de referência, no ano de 1996, ao falecimento de José Carlos Gomes (HORTINY) , que, não sendo associado do CIF, faleceu nos bastidores do palco do Salão Nobre do Clube Fenianos Portuenses, alguns minutos após terminar a sua actuação.

No ano 2020 é feita referência ao falecimento de Fernando Coimbra (JOFERK) e no ano de 2022 é referido o óbito de Fernando Reis Boal (BOAL’S). Sendo estas referências perfeitamente justificadas, já não posso dizer o mesmo da referência feita, em 2022, ao falecimento da Mãe de José António Salazar Ribeiro. Nunca antes haviam falecido Mães de ilusionistas do CIF? Porquê esta referência em concreto? Será por a falecida ser Mãe do autor do livro? 

A minha conclusão

Acho que ficou “claro como água” o mau trabalho que foi feito na elaboração deste opúsculo, o que justifica plenamente o título “O C.I.F. MERECIA MAIS E MELHOR!…”

Os erros a apontar a este trabalho não se esgotam no que atrás foi escrito. Mais haveria a dizer, nomeadamente, a nível da ortografia e sintaxe. Muitas vezes tais erros acontecem devido a mau funcionamento de correctores ortográficos (cá entre nós, é sempre uma boa desculpa…). Não sei se foi o caso do único erro desse tipo que irei referir.

Na página 43 (primeiro parágrafo) pode ler-se: “Assim, eis um enxerto:”. Obviamente que o autor queria escrever excerto e não enxerto… Mas por vezes há erros que parecem premonitórios… E parece mesmo que o “corrector ortográfico” nos quis transmitir que, devido ao mau trabalho efectuado, o autor merece um enxerto...


sexta-feira, outubro 21, 2022

ATÉ SEMPRE, VICTOR!



"O Ilusionismo português está mais pobre" parece ser um chavão, mas é totalmente justificável neste momento, pois faleceu ontem, com 83 anos, o ilusionista português ROVIT. 

De seu nome completo Victor Manuel Ferreira Alves, ROVIT foi um dos mágicos mais conceituados da sua geração, sendo, provavelmente, o ilusionista português mais reconhecido além-fronteiras no último quartel do século XX. Após ter abraçado, em 1975, o profissionalismo a tempo inteiro, fixou residência em Espanha durante largos anos. 


Depois de já o ter visto actuar num programa da RTP ("Domingo à Noite", creio eu) e ter ficado impressionado com a qualidade da sua performance, lembro-me de conhecer pessoalmente ROVIT no casamento de JOFERK (outro dos GRANDES dessa geração, infelizmente já desaparecido) e de ter estreitado a nossa amizade e conhecimento mútuo na viagem de comboio para a FISM de Paris (1973).

Ao longo da sua carreira ROVIT conquistou vários prémios, sendo junto destacar o 1º Prémio de Manipulação no 1º Festival Mágico da Figueira da Foz e o Prémio Frakson (que lhe foi atribuído pela SEI Madrid no ano de 1989). 

ROVIT foi também uma presença assídua nos ecrãs da RTP com participações em diversos programas de variedades e a responsabilidade de realizar 4 séries de programas de Ilusionismo.

Em Março de 1999, a revista "O Mágico" dedicou-lhe o respectivo dossier, o qual incluíu o meu contributo com o texto que seguidamente reproduzo.

Até sempre, Victor!                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 

8 X ( R + O + V + I + T ) 
Jomaguy


Recordação A viagem a Paris (FISM’73).
Recursos Muitos. Manipulação, Magia Geral, Grandes Ilusões, 
                        Close-up, etc.
Regalo A presença em palco.
Relevante O trabalho em prol do Ilusionismo.
Renovar O reportório. Preocupação constante.
Renúncia A uma vida sedentária de bancário (ou seria banqueiro?).
Ressalvar A palavra “alfenetes”.
Rolas Uma rotina impecável. “Profissionalíssima”.

Obstinado Quanto baste.
Ocasião O primeiro encontro (no casamento do Coimbra).
Ocupação Magia, encher balões e... visitar boites.
Opinião Sempre abalizada.
Organizador Dos Encontros de Sintra.
OriginalidadeUma caixa de espadas com uma cartola.
Ortografia Sempre errou ao escrever “alfenetes”.
Ousadia Trocar a vida de “banqueiro” pela de ilusionista.

Vacilar Apenas ao pronunciar alfinetes (ou será alfenetes?).
Vadiagem As saídas nocturnas... para ir trabalhar!
Vagabundo Como qualquer mágico profissional.
Vanguarda Da dignificação do Ilusionismo.
Vaticínio Ainda tem muito para dar à MAGIA portuguesa.
Vendedor  Esse é o outro, o Mr. Balloon.
Vitória A maior foi sobre um aparatoso (e grave) acidente.
Vocabulário Com um óbice enorme: a palavra “alfenetes”.

Ibérico Pudera, com tantos anos em Espanha.
Ideal Seria o mundo mágico... sem alfenetes.
Idioma Houve tempos em que misturava portunhol com espanhês.
Ilusionista Uma certa maneira de ser e estar.
Imposição Dos temas de Sintra... como um “capo mafioso”.
Impossível Pronunciar alfinetes.
Impulsionar O desenvolvimento da nossa Arte.
Insuflar         Balões de todas as formas e feitios.

Tabu A palavra... (o leitor já adivinha qual é!).
Tarde A manhã do artista que trabalha de noite.
Teatros Oficinas de trabalho.
Televisão  Muitos TEMPOS DE MAGIA...
Teresa A MAY sem lantejoulas.
Traje Preocupação com a renovação.
Transporte A mania do CITROËN.
Treinar A obrigação permanente do profissional competente.


sábado, março 19, 2022

JOFERK - DOIS ANOS AUSENTE


Completam-se hoje dois anos sobre a morte de Fernando Coimbra e todos os que com ele conviveram recordam com saudade o Ilusionista e o Homem.

JOFERK teve uma influência enorme no meu percurso mágico, pois foi precisamente, após o espectáculo realizado em 20 de Maio de 1972 em que, pela primeira vez, nos encontramos que tive oportunidade de apreciar uma brilhante actuação de magia de close-up. Há 25 anos publiquei o pequeno opúsculo “25 ANOS MAGICANDO” e recordei tal exibição nos seguintes termos: 

“Como era habitual no final de tal tipo de espectáculo houve um convívio entre os artistas intervenientes e foi aí que me apaixonei pelo... close-up. Foi decididamente um caso de amor à primeira vista fruto de uma impecável exibição informal de JOFERK, de que ainda recordo o “Chop Cup” e a “Carta Polaroid”. O que aí presenciei em cartomagia nada tinha a ver com os enfadonhos truques de cartas que, até essa altura, se haviam cruzado comigo nas minhas leituras mágicas.”

Esse exibição foi claramente “o empurrão” que eu necessitava para me dedicar com afinco ao estudo e prática da “magia de close-up” que, a partir de 1999 passei a designar por “magia de proximidade”. E muito provavelmente foi esta minha dedicação à “magia de proximidade” (em particular à que se apresenta com cartas de jogar) a semente que germinou na criação do único mágico português que, até hoje, se sagrou Campeão Mundial de Magia: o meu filho Helder de quem o Coimbra e a Cristina foram padrinhos de baptismo.

Por tudo isto não será surpresa para ninguém dizer que o material mágico que apresento na fotografia seguinte é, sob o ponto de vista sentimental, o mais valioso da minha pequena colecção. E sempre que olho para estes objectos relembro, com saudade, o mestre JOFERK e aquela impecável exibição de 20 de Maio de 1972. O facto de o "Chop Cup" e a "Carta Polaroid" não terem, neste momento, "segredos" para mim, em nada afecta a memória das sensações de "maravilhoso" e "impossível" que experienciei nessa noite. Obrigado, Coimbra, por essa experiência inolvidável... e por tudo o resto!





Resta acrescentar que esse nosso primeiro encontro foi fruto do acaso, pois os ilusionistas previstos para tal espectáculo eram EDGAR e DE ROCK, conforme mostra o programa impresso, que o Coimbra teve a preocupação de rectificar pelo seu próprio punho.




sexta-feira, março 19, 2021

JOFERK


JOFERK é o nome artístico do conceituado ilusionista português José Fernando Pacheco Coimbra. Nasceu no Porto em 22 de Março de 1939, filho de José Pinheiro Coimbra e Ana da Rocha Pacheco. Faleceu, igualmente no Porto, em 19 de Março de 2020.

Uma perspectiva mais alargada do seu percurso de vida pode ser obtida com a leitura do documento História de vida de José Fernando Pacheco Coimbra.

Percurso mágico

Em 1960 filiou-se como sócio do CIF (Clube Ilusionista Fenianos / Secção de Ilusionismo do Clube Fenianos Portuenses) onde, segundo as suas próprias palavras, teve na aprendizagem de ilusionismo os seguintes mestres: Professor Marcel, Eduardo Franco e Dr. Pires de Carvalho.

Em 1961 realizou a sua primeira actuação pública. No Boletim MAGIA (CIF) nº 11 (Setembro 1961) é dada notícia dessa primeira actuação de JOFERC (exactamente com esta grafia) no âmbito dos espectáculos promovidos pela agremiação.

Em 1962, culminando a sua reconhecida evolução como ilusionista, é nomeado responsável das escolas para principiantes do CIF. No Boletim MAGIA (CIF) nº 13 (Março 1962) é noticiada tal nomeação. No mesmo boletim já aparece a grafia JOFERK quando são noticiadas as suas actuações em espectáculo promovidos pelo CIF.

Em Junho de 1963, no Boletim MAGIA (CIF) nº 18, aparece a primeira colaboração técnica escrita por JOFERK. No Boletim MAGIA (CIF) nº 20 (Dezembro 1963) é noticiada a atribuição da Insígnia de Competência do CIF a JOFERK.

Em 1965 integra, pela primeira vez, os Corpos Dirigentes do CIF, na qualidade de Tesoureiro, conforme notícia publicada no Boletim MAGIA (CIF) nº 24 (Dezembro 1964). A partir daqui Fernando Coimbra (JOFERK) exerceu diversos cargos dirigentes no CIF e, igualmente, no Clube Fenianos Portuenses, do qual chegou a ser Presidente da Direcção e Presidente da Assembleia Geral.

Em 1973, no colóquio realizado no âmbito do 2º Festival Mágico da Figueira da Foz, apresentou uma comunicação intitulada “Charlatanismo, falsos títulos e a sua aceitação por quem superintende no mundo do espectáculo”, demonstrando que, a par da perfeição da técnica mágica, também tinha preocupação com a ética que deveria ser adoptada pelos ilusionistas.

A sua constante vontade de aprender levou-o a ser um participante assíduo de congressos e festivais de ilusionismo, destacando-se a sua participação nos seguintes Congressos Mundiais de Magia FISM:

1973 – Paris
1976 – Viena
1979 – Bruxelas
1982 – Lausanne
1985 – Madrid
1988 – Haia
2000 – Lisboa
2006 – Estocolmo

Em alguns destes congressos esteve na qualidade de delegado oficial do CIF.

Foi artista convidado de inúmeros festivais e congressos de ilusionismo e organizador de diversos eventos mágicos. Estava sempre disponível para colaborar (como organizador ou actuante) em eventos que tivessem o objectivo de divulgar e dignificar a arte mágica. Também foi membro do júri em diversos concursos de ilusionismo, de que é exemplo o Magicvalongo.

Era um amador de ilusionismo (porque amava a Arte Mágica), mas foi, igualmente, ilusionista profissional em part-time, com inúmeras actuações em todo o país, das quais se destacam as resultantes dos sucessivos contratos nos Casinos de Espinho, da Póvoa do Varzim, da Figueira da Foz e do Algarve.

Prémios e galardões

Os prémios e galardões obtidos em ilusionismo, como em qualquer outra actividade, não têm um valor absoluto, mas apenas um valor relativo, função do tempo e local a que se reportam. No entanto não deixam de ser pontos de referência de um percurso.

Seguidamente se apresentam os prémios e galardões obtidos por JOFERK.

1965 – Torneio de S. João Bosco (realizado no Porto)

1º prémio

1966 – Festival Mágico Internacional da Figueira da Foz

4º prémio – Manipulação
3º prémio – Magia Geral
Melhor mágico portuense

1973 – 2º Festival Mágico da Figueira da Foz

1º prémio – Magia Geral
3º prémio – Cartomagia (de mesa)

1975 – 3º Festival Mágico da Figueira da Foz

1º prémio – Magia Geral
1º prémio – Cartomagia
4º prémio – Invenção
Taça Simpatia (por votação dos participantes)

1977 – 4º Festival Mágico da Figueira da Foz

1º prémio – Magia Geral
1º prémio – Magia Cómica
2º prémio – Cartomagia
1º prémio – Micromagia
4º e 9º prémios – Invenção
1º prémio – Grandes Ilusões
1º prémio – Luz Negra (integrante do grupo mágico Aladinos)

1981 – XI Congreso Mágico Nacional (Espanha - Santander)

Micromagia – 3º prémio

1982 – 6º Festival Mágico da Figueira da Foz

1º prémio – Magia Geral

1986 – 7º Festival Mágico da Figueira da Foz

2º prémio – Magia Geral
2º prémio – Micromagia



Um ano sem Joferk…


Completa-se hoje um ano sobre a morte de Fernando Coimbra e a saudade permanece em todos os que com ele conviveram. Durante os últimos 11 meses coloquei, em posts do Facebook, alguns documentos para o lembrar. 

Pareceu-me apropriado, na passagem do 1º aniversário do seu falecimentofazer algo diferente para o homenagear. Neste contexto surgiu-me a ideia de criar uma página na Wikipedia para juntar o nome de Joferk aos outros “Ilusionistas de Portugal” aí referenciados. Seria um espaço onde outros contributos poderiam ser acrescentados, de forma a perpetuar a memória do Coimbra numa biografia pública, acessível às novas gerações de mágicos portugueses.

Infelizmente a Wikipedia não me permitiu tal criação, conforme se pode ver pela imagem que, seguidamente, reproduzo.


Questiono-me sobre quais serão mesmo os critérios da Wikipedia quando verifico o nome de certos ilusionistas que “merecem” estar incluídos na mesma.

Perante a impossibilidade de concretizar a criação da página Joferk na Wikipedia, publicarei no próximo post deste blogue o conteúdo com que iria nascer tal página.


quinta-feira, março 19, 2020

FALECEU FERNANDO COIMBRA “JOFERK”


A notícia apareceu-me de chofre num post partilhado no Facebook: faleceu José Fernando Coimbra... Nunca ninguém está preparado para a partida de um amigo com quem se partilhou tantos e tantos momentos mágicos!

Na minha opinião, o Coimbra foi o ilusionista nortenho de mais relevo da sua geração. O seu “savoir-faire” e o seu talento inato para a magia mereceram, sempre, uma quase unanimidade elogiosa por parte dos seus confrades mágicos de norte a sul do país. E a sua vontade de ajudar os “aspirantes a mágicos” que apareciam foi, sempre, inexcedível. Por vezes prejudicava-se a si próprio para ajudar os outros. Grande HOMEM... Mais ainda do que grande MÁGICO!

E o Coimbra nunca reivindicava para si próprio os louros das iniciativas que liderava ou das ideias que lançava para outros brilharem. O Coimbra pode mesmo ser considerado primeiro responsável por haver, em toda a história da FISM, um Campeão Mundial de Magia de nacionalidade portuguesa. De facto, se o Coimbra não me tivesse incutido o gosto pela magia de proximidade, nomeadamente pelos truques com cartas, eu nunca teria podido transmitir tal gosto ao meu filho. Seguidamente transcrevo alguns excertos do meu livrinho “25 ANOS MAGICANDO...”, nos quais é possível ter uma noção da importância que sempre atribuí ao MESTRE JOFERK.

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Creio que não falhei a presença num único desses espectáculos [Pica-Pau], [...]. Foi, nesse programa, que adoptei o meu primeiro ídolo no âmbito do Ilusionismo. Adivinham de quem se tratava? Se responderam JOFERK, acertaram.

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Esse espectáculo que, inicialmente, estava previsto ser integrado, apenas, por artistas amadores principiantes, acabou por registar a presença de vários artistas consagrados, entre os quais aquele ilusionista que era o meu ídolo: JOFERK. Imaginem os sentimentos contraditórios que então me assaltaram: por um lado o júbilo de ir conhecer, pessoalmente, aquele mágico que considerava como modelo de referência e por outro lado o receio de ver a minha actuação menos apreciada ao estar sujeita a comparação com tão excelente ilusionista.

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Como era habitual no final de tal tipo de espectáculo houve um convívio entre os artistas intervenientes e foi aí que me apaixonei pelo... close-up. Foi decididamente um caso de amor à primeira vista fruto de uma impecável exibição informal de JOFERK, de que ainda recordo o “Chop Cup” e a “Carta Polaroid”. O que aí presenciei em cartomagia nada tinha a ver com os enfadonhos truques de cartas que, até essa altura, se haviam cruzado comigo nas minhas leituras mágicas. Também o JOFERK me convidou a aparecer no CIF, depois de passar o Verão.

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A partir do último trimestre de 1972, sempre que os estudos permitiam, aparecia nos Fenianos e na respectiva filial de Mouzinho da Silveira: A Fogueira das Meias. Atravessei uma fase de descoberta do Ilusionismo e aprendizagem constante em que o contributo do Coimbra foi, como sempre reconheci, fundamental.

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A partir de hoje, com a partida do Coimbra, a Magia portuguesa fica, irremediavelmente, mais pobre.

PAZ À SUA ALMA.