terça-feira, novembro 14, 2023

Como NÃO levar a carta a Garcia…


A expressão “levar a carta a Garcia” tem o sentido abrangente de “‘cumprir, eficazmente, uma missão, por mais difícil ou impossível que possa parecer.” E, se tal expressão se aplica nas mais diversas actividades, ela tem um significado mais literal quando nos referimos à actividade de distribuição de correspondência e encomendas da empresa CTT.

Lembro-me de ouvir contar histórias de cartas endereçadas de maneira bizarra que, com mais o menos esforço dos trabalhadores dos CTT envolvidos na respectiva distribuição, tinham conseguido alcançar o respectivo destinatário. Claro que isso aconteceu muito antes da implementação do “código postal”, que, como todos sabemos é “meio caminho andado”… Mas será mesmo?

Esta introdução leva-me a partilhar a história que se segue, a qual ocorre nos dias de hoje, em que um funcionamento suportado em tecnologias de ponta e comunicações instantâneas via internet não permitem disfarçar o PÉSSIMO funcionamento dos serviços dos CTT.

Ontem estava previsto ser-me entregue uma encomenda. Tomei conhecimento de tal facto pelo mail recebido às 09h15m que seguidamente apresento.


A mesma informação já me havia sido enviada às 09h07m via SMS, o que aliás antecipava a entrega inicialmente prevista para dia 14. Tais SMS são reproduzidos seguidamente.



Entretanto durante o dia consultei o website dos CTT para perceber o eventual horário de entrega e, pouco depois das 16h07m, apercebi-me que a encomenda não havia sido entregue (Motivo: morada incorrecta). Na realidade, a morada não estava incorrecta, mas sim incompleta. Não referia a rua onde resido, mas apenas o número de porta e o respectivo código postal.

Uma simples pesquisa do código postal na Internet teria permitido obter o nome da rua onde resido. Por outro lado, se os CTT tinham usado o meu número de telemóvel para me informarem o horário previsto para a entrega da encomenda, poderiam usar esse mesmo número para confirmar o meu endereço completo. Nada disso foi feito.

Quando me apercebi da situação, através do website dos CTT, solicitei uma alteração da morada de entrega, tendo recebido, às 16h23m, a confirmação do registo de tais alterações como se pode ver pela reprodução do mail recebido.


Apesar disso, às 17h41m, a encomenda entrou em processo de devolução, como se pode ver pela imagem seguinte.


Hoje de manhã (às 09h30m) efectuei a devida reclamação através do website dos CTT como demonstra o mail de resposta recebido.


Apesar disso, às 12h03m o envio saiu para entrega ao remetente como se vê numa das imagens anteriores.

Palavras para quê?!?!?!? É o funcionamento NORMAL dos CTT


PS: Este assunto sai fora do tema deste meu blogue (Ilusionismo), mas não encontrei melhor sítio para publicar texto e imagens de maneira fácil e perceptível.


sábado, novembro 04, 2023

FALECEU DAVID BERGLAS

 

A morte de um nome grande da Magia deixa sempre a nossa Arte mais pobre. Por isso é justo recordar alguém que fez furor em meados do século XX, com inúmeras presenças em canais de televisão dos mais diversos países.

A quem pretender saber com mais detalhe as vicissitudes de uma vida repleta de peripécias aconselho a leitura do livro THE MIND & MAGIC OF DAVID BERGLAS, publicado em 2002 e com autoria de David Britland.

Mas a principal razão deste meu texto é evidenciar uma ligação de David Berglas a Portugal que, provavelmente, será desconhecida da maioria dos ilusionistas portuguesas. Essa ligação resulta de David Berglas ter escolhido para sua "melodia de assinatura", o tema de Raúl Ferrão que ficaria internacionalmente conhecido como April in Portugal (uma interpretação de tal tema pode ser ouvida aqui). Tal ligação está referida na página 36 do livro supracitado, a qual, seguidamente, se reproduz com a devida vénia.




sexta-feira, outubro 13, 2023

A propósito de HOCUS POCUS

 

A seguir à expressão ABRACADABRA, talvez seja a expressão HOCUS POCUS aquela que tem sido mais usada pelos ilusionistas ao longo dos tempos para acompanhar a apresentação dos seus "milagres".

Na sua coluna PARALLAX (publicada na revista MAGIC de Setembro de 1993), Max Maven refere a possível origem da expressão HOCUS POCUS nos seguintes termos:

Hocus pocus may also stem from a religious source; one prevalent conjecture holds that it is a corruption of the phrase “hoc est corpus” from the Latin liturgy. Whatever its origin, the phrase is at least 450 years old, and it seems likely that in turn it generated the now common word for a prankish deception, hoax.

A tradução (mais ou menos) livre de tal asserção é a seguinte:

Hocus pocus pode provir de uma fonte religiosa; uma conjectura predominante sustenta que se trata de uma corruptela da frase “hoc est corpus” (=isso é um corpo) da liturgia latina. Seja qual for sua origem, a frase tem pelo menos 450 anos e parece provável que, por sua vez, tenha gerado a palavra inglesa agora comum para um engano travesso: “hoax” (=fraude).

Tendo presente na memória a ideia obtida com a leitura do texto de Max Maven, fiquei pensativo ao deparar com o anúncio na montra de uma loja de vinhos da baixa portuense, que a foto seguinte documenta:




quinta-feira, setembro 21, 2023

A MENTIRA RECORRENTE...

 

Nos últimos anos temos assistido ao propagar de uma mentira nos meios de comunicação social. E qual é essa mentira? 

A mentira é afirmar que o Festival de Magia de Coimbra é o mais antigo que se realiza em Portugal. É fácil concluir que o departamento de comunicação dos Encontros Mágicos de Coimbra tem mais e melhor acolhimento na generalidade da comunicação social do nosso país daquele que é dado ao seu congénere do MagicValongo. Mas a verdade é uma e só uma: o MagicValongo é o mais antigo festival de ilusionismo que, neste momento, se realiza em Portugal.

Para aqueles "ceguinhos" que continuam com dúvidas aqui deixo as imagens dos programas das primeiras edições dos eventos mágicos supracitados.



Já tinha abordado este assunto em 4 de Junho de 2022 no post que pode ser lido aqui.


segunda-feira, setembro 11, 2023

A FALTA DE RIGOR IRRITA-ME!


Já sei que vão comentar que sou um "gajo picuinhas", mas se há coisa que me irrita profundamente é a falta de rigor na informação que se transmite. Pior ainda seria verificar que tal falta de rigor era propositada e teria o objectivo de empolar méritos ou obras.

Vem este arrazoado a propósito de algo que li recentemente no Facebook. Vamos aos factos.

O conhecido mágico espanhol RAÚL ALEGRÍA foi recentemente premiado no Campeonato de España de  Magia FISM Qualified Contest e publicitou tal cometimento, no Facebook, nos moldes seguintes:


Bastaria ao Sr. Fernando Castro (SAVIL) carregar no link CEM FISM QC-Manresa-Barcelona destacado na publicação do RAÚL ALEGRIA para encontrar a seguinte informação:


Desta forma ficaria perfeitamente esclarecido quanto ao evento no qual o mágico espanhol havia sido premiado. No entanto não o deve ter feito e caiu no ridículo de inventar um "evento FISM" em Espanha, como se pode verificar na publicação seguinte:


Haja paciência!


terça-feira, agosto 22, 2023

LISBOA MÁGICA 2023


Começa hoje o evento LISBOA MÁGICA (Festival Internacional de Magia de Rua de Lisboa) e voltou à “velha forma” de ter (quando tem…) apenas um mágico português como convidado.


Bem me parecia que o “puxão de orelhas” da Câmara Municipal de Lisboa iria ter pouco impacto em futuras edições do evento… 

Assim podemos actualizar a lista publicada neste post, a qual ficará assim:

LM2006 - 15 (quinze) convidados - 0 (zero) portugueses
LM2007 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (Helder Guimarães)
LM2008 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (David Sousa)
LM2009 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (Mário Daniel)
LM2010 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (José de Lemos)
LM2018 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (José de Lemos)
LM2019 - 15 (quinze) convidados - 0 (zero) portugueses
LM2020 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (José de Lemos)
LM2021 - 15 (quinze) convidados - 0 (zero) portugueses
LM2022 - 15 (quinze) convidados - 2 (dois) portugueses (Francisco Mousinho / Zé Mágico)
LM2023 - 15 (quinze) convidados - 1 (um) português (Gabriel Ferreira) 

Resumindo e concluindo: em 11 edições do evento, num total de 165 convidados, há 9 portugueses, o que dá a "miserável percentagem" de 5,45%. 



quarta-feira, agosto 16, 2023

REESCREVER A HISTÓRIA ?


Há dias deparei com um post colocado por Fernando Castro “SAVIL” no grupo público MAGICVALONGO do Facebook, o qual está reproduzido na imagem seguinte.


É curiosa uma certa maneira de escrever… 

Dizer “A equipa organizadora do MagicValongo deu sempre oportunidade aos artistas portugueses.” é o mesmo que dizer… NADA.  De facto, sendo o MagicValongo um festival mágico que incluiu dois concursos (palco e mesa), qualquer ilusionista português tem oportunidade de se inscrever nos mesmos e poder actuar no evento.

Portanto o “dar oportunidade aos artistas portugueses” parece querer transmitir a ideia de “apoiar os artistas portugueses”, o que nem sempre foi uma realidade. Ou será que “não convidar artistas que participaram nos concursos e neles foram premiados e convidar outros artistas que nunca foram premiados nos mesmos”  é sinal do tal apoio que, subliminarmente, o “dar oportunidade” tenta transmitir?

E, quanto ao destaque dado aos magos do nosso país, estamos conversados... Eu ainda sou do tempo em que só havia destaque para os magos estrangeiros, situação contra a qual sempre levantei a minha voz. Assim como fui capaz de elogiar a inversão da situação em 2003, conforme pode ser lido aqui.

Por último, uma palavra para a escolha das quatro fotos que ilustram o post. Não percebo a inclusão da foto do DANIEL GUEDES em detrimento de outros igualmente "destacados magos do nosso país", como, por exemplo, PEDRO LACERDA MACHADO.


quinta-feira, maio 11, 2023

HÁ COISAS QUE NÃO MUDAM...


Recentemente foi publicada uma notícia sobre o novo espectáculo de Helder Guimarães que estreará em Los Angeles em 25 de Abril do próximo ano. Tal notícia pode ser lida aqui.

E essa notícia permite-nos perceber que os editores do website “Notícias ao Minuto” continuam a ter uma imagem do que é a Arte Mágica colada a estereótipos anteriores a meados do século passado.

Uma cartola (bem fatela por sinal) e uma varinha mágica (que parece saída de uma Caixa de Magia para principiantes) foram os adereços que o “bom gosto” editorial do “Notícias ao Minuto” encontrou para ilustrar uma notícia onde se fala do novo espectáculo de Helder Guimarães. 

Isso não é apenas um grande desconhecimento do tipo de magia que Helder Guimarães pratica. É também uma total falta de conhecimento dos parâmetros pelos quais se pautam as modernas actuações da grande maioria dos mágicos.

sábado, março 11, 2023

UM "TESOURINHO"


Descobri um “tesourinho” nos Arquivos da RTP. Trata-se do programa Ligeiríssimo de 3 de Dezembro de 1977 (que pode ser visto aqui), o qual apresenta uma desenvolvida reportagem sobre a 1ª Convenção da Associação Portuguesa de Ilusionismo.

Nela podemos apreciar excertos das actuações, em close-up, de HORCAR, JOÃO GASPAR, CAMILO VAZQUEZ e EBERHARD LIEBENOW e das actuações, em palco, de HORCAR, SERAVAT, VAN-DER-MAG Jr., FRED ALAN, JODIVIL E MARGOT, ROVIT AND MAY, EBERHARD LIEBENOW e HUGO DONJAR.

Também se tem a oportunidade de ver pequena entrevista feita ao Arq. Fernando Lima (um dos responsáveis da API), na qual é interessante verificar a forma como salienta as dificuldades técnicas na implementação de uma “Gala de Close-up” para público leigo. 

O que deve ser motivo de reflexão para todos os ilusionistas é o facto de, em recentes eventos mágicos, continuarem a existir as mesmas dificuldades técnicas referidas pelo Arq. Fernando Lima. 

Ou seja, em mais de 40 anos, não se conseguiu, na generalidade, suprir tais dificuldades… Dá que pensar.


segunda-feira, fevereiro 13, 2023

MAGIA DE ALUGUER: UMA NOVA OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO


A minha alma está parva!... Acabo de ver, no Facebook um post com o seguinte teor:


Estou convicto que, se FRED KAPS, ARTURO DE ASCANIO ou DAI VERNON ressuscitassem, teriam direito a morte súbita ao ver o teor de tal post.

Se a primeira interrogação até pode parecer apropriada pois conseguimos imaginar a aflição de um mágico que tem no seu repertório o efeito "Master Prediction" e que, em "cima da hora" de um espectáculo importante, se vê confrontado com a avaria (ou desaparição) do material necessário e a urgência da necessidade de o substituir, já a segunda interrogação só pode ser fruto de uma completa falta de noção do que é o Ilusionismo.

Mas não tenho dúvidas que, por este caminho, não tardará muito a florescer um negócio do aluguer de truques à hora, numa qualquer esquina de Lisboa.

P.S.: Reparei agora mesmo que nem sequer a primeira interrogação é minimamente apropriada, pois a expressão "ou similar" parece indiciar que o potencial candidato a alugar não tem qualquer preocupação em estar familiarizado com o funcionamento do equipamento que vai alugar. É TUDO IGUAL AO LITRO!


quarta-feira, fevereiro 01, 2023

MUSEU DA MAGIA



Ocorreu ontem a inauguração oficial do Museu da Magia Portugal. Fruto da iniciativa de Miguel Ângelo este equipamento cultural localiza-se no concelho de Valongo, cuja Câmara Municipal já tem uma longa tradição no apoio à Arte Mágica, com os 30 anos de realização ininterrupta do MAGICVALONGO.

Não estive presente na inauguração oficial deste espaço, mas pude testemunhar o empenho do Miguel Ângelo na concretização deste projecto quando visitei, a seu convite, o Museu da Magia nas primitivas instalações. No entanto tive oportunidade de assistir à Gala de Magia que teve lugar, à noite, no Fórum Cultural de Ermesinde e é sobre esta Gala que irei tecer algumas considerações.

Não irei referir-me ao desempenho individual de cada um dos intervenientes, pois percebi que as opiniões pessoais que expressei quando escrevi apreciações críticas a actuações de mágicos não foram entendidas como contributos desinteressados para a sua melhoria futura, mas sim como “críticas destrutivas”. Direi apenas que o espectáculo decorreu em bom ritmo, mas que a duração da gala ultrapassou o limite de tempo adequado a um espectáculo sem intervalo.

Irei, no entanto, referir-me a José de Lemos que esteve em palco na função de apresentador. Não o faço para enaltecer ou depreciar os seu méritos como apresentador, mas sim para realçar a necessidade de escolher bem as palavras que se dizem para não deturpar a verdade dos factos.

Ora o José de Lemos, na apresentação que fez à actuação de David Sousa, FALTOU À VERDADE. Se o fez de forma involuntária ou propositada só a sua consciência o sabe. Não estive a gravar as suas palavras pelo que não as posso reproduzir de forma exacta, mas a minha memória reteve o conteúdo essencial das mesmas, o qual se pode expressar assim:

“De três em três anos realiza-se o Campeonato do Mundo de Magia. O de 2006 realizou-se em Estocolmo e é inesquecível para nós pois um português foi premiado. A partir daí actuou por todo o mundo e serviu de inspiração a outros mágicos. Hoje vai estar neste palco com um novo trabalho.”

Foi para mim claro que os espectadores presentes na Gala de Magia ficaram com a ideia (errada) que, na FISM 2006, tinha havido apenas um português premiado, o que todos os que andam nas lides mágicas sabem ser mentira! 

Ora o José de Lemos poderia ter enaltecido o prémio FISM do David Sousa sem necessidade de faltar à verdade dizendo algo do género:

“De três em três anos realiza-se o Campeonato do Mundo de Magia. O de 2006 realizou-se em Estocolmo e é inesquecível para nós pois, pela primeira vez, houve portugueses premiados. Um deles é o nosso próximo atuante, o qual, a partir de 2006, actuou por todo o mundo e serviu de inspiração a outros mágicos. Hoje vai estar neste palco com um novo trabalho.”

Considero que é errado o apresentador de um qualquer espectáculo faltar à verdade na introdução que faz para apresentação dos artistas. Neste caso a gravidade aumenta, pois trata-se de um apresentador que também é mágico e está a conduzir uma gala promovida pelo Museu da Magia. Ora um museu que tem por missão preservar memórias de factos mágicos verdadeiros não deve contribuir para a criação de memórias mágicas falsas como será a ideia implantada ontem de que só teria havido um ilusionista português premiado na FISM de Estocolmo.

Também merece uma forte crítica da minha parte a forma MENTIROSA como a Câmara Municipal de Valongo publicitou a Gala de Magia no respectivo website (ver aqui). Tal informação termina com o seguinte parágrafo:

"Para marcar essa data, que se pretende que seja memorável, irá decorrer, no Fórum Cultural de Ermesinde, no mesmo dia, às 21h30, uma Gala de Magia, que contará com as atuações de Solange Kardinaly, José de Lemos, Rafael Titonelly, David Sousa, Zé Mágico, Ricardo Pimenta e André Gomes, todos eles portugueses, com várias participações constantes nas TV’s nacionais e em eventos internacionais, sendo um campeão mundial português e outra campeã de Espanha no Congresso de Magia." (sic)

Ora nem a Solange Kardinally é campeã de Espanha nem o David Sousa é campeão mundial. Como não acredito que tenha sido a Câmara Municipal a "inventar" estes títulos, eles devem ter sido fruto de informação (ERRADA) transmitida pelo Museu da Magia. Se assim foi, é caso para dizer que o Museu da Magia logo no seu começo já está a trilhar caminhos muito errados...

Até parece que, passados 17 anos, há quem ainda não tenha absorvido a ideia que há um ÚNICO português que é CAMPEÃO MUNDIAL DE MAGIA: Helder Guimarães

Como diria o primeiro-ministro António Costa: “HABITUEM-SE!”


sábado, outubro 29, 2022

A DIFERENÇA...


Hoje , num grupo de magia do Facebook, havia um comentário a um post sobre livros da DOVER que cativou a minha atenção. Eis o respectivo conteúdo:

A respectiva tradução é a seguinte:

"Quando eu tinha uma loja de magia, sugeria livros, mas a maioria dos clientes queria um truque, então eu executava "Gemini Twins" do livro "More Self Working Card Tricks". Eles perguntavam: "Quanto?". Eu respondia: “5 dólares”. Eles pagavam-me 5 dólares e eu entregava-lhes o livro."

Este comentário atraiu a minha atenção pois fez-me lembrar um episódio acontecido em 2009. Neste caso uma Loja de Magia pôs à venda (como download) um truque com o nome "Engano Calculado" que mais não era do que o truque "VOILÀ, CUATRO ASES" descrito por Roberto Giobbi no livro ROBERTO EXTRA LIGHT. A cópia era tão exacta que até mesmo o cinco usado como "carta enganada" era o 5 de copas, que Giobbi apresenta para exemplo da sua descrição!

Conseguem ver a diferença de comportamento ético entre os dois vendedores? 

Eu vejo... Por isso, para a este segundo vendedor, eu só consigo encontrar uma classificação: CHICO-ESPERTO!


segunda-feira, outubro 24, 2022

TEN



Para o próximo fim de semana está programado um evento virtual que reune 10 dos mais prestigiados mágicos do nosso planeta. 

Por isso mesmo o evento tem o o nome "TEN" e, entre os dez, figura Helder Guimarães.


sexta-feira, outubro 21, 2022

ATÉ SEMPRE, VICTOR!



"O Ilusionismo português está mais pobre" parece ser um chavão, mas é totalmente justificável neste momento, pois faleceu ontem, com 83 anos, o ilusionista português ROVIT. 

De seu nome completo Victor Manuel Ferreira Alves, ROVIT foi um dos mágicos mais conceituados da sua geração, sendo, provavelmente, o ilusionista português mais reconhecido além-fronteiras no último quartel do século XX. Após ter abraçado, em 1975, o profissionalismo a tempo inteiro, fixou residência em Espanha durante largos anos. 


Depois de já o ter visto actuar num programa da RTP ("Domingo à Noite", creio eu) e ter ficado impressionado com a qualidade da sua performance, lembro-me de conhecer pessoalmente ROVIT no casamento de JOFERK (outro dos GRANDES dessa geração, infelizmente já desaparecido) e de ter estreitado a nossa amizade e conhecimento mútuo na viagem de comboio para a FISM de Paris (1973).

Ao longo da sua carreira ROVIT conquistou vários prémios, sendo junto destacar o 1º Prémio de Manipulação no 1º Festival Mágico da Figueira da Foz e o Prémio Frakson (que lhe foi atribuído pela SEI Madrid no ano de 1989). 

ROVIT foi também uma presença assídua nos ecrãs da RTP com participações em diversos programas de variedades e a responsabilidade de realizar 4 séries de programas de Ilusionismo.

Em Março de 1999, a revista "O Mágico" dedicou-lhe o respectivo dossier, o qual incluíu o meu contributo com o texto que seguidamente reproduzo.

Até sempre, Victor!                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 

8 X ( R + O + V + I + T ) 
Jomaguy


Recordação A viagem a Paris (FISM’73).
Recursos Muitos. Manipulação, Magia Geral, Grandes Ilusões, 
                        Close-up, etc.
Regalo A presença em palco.
Relevante O trabalho em prol do Ilusionismo.
Renovar O reportório. Preocupação constante.
Renúncia A uma vida sedentária de bancário (ou seria banqueiro?).
Ressalvar A palavra “alfenetes”.
Rolas Uma rotina impecável. “Profissionalíssima”.

Obstinado Quanto baste.
Ocasião O primeiro encontro (no casamento do Coimbra).
Ocupação Magia, encher balões e... visitar boites.
Opinião Sempre abalizada.
Organizador Dos Encontros de Sintra.
OriginalidadeUma caixa de espadas com uma cartola.
Ortografia Sempre errou ao escrever “alfenetes”.
Ousadia Trocar a vida de “banqueiro” pela de ilusionista.

Vacilar Apenas ao pronunciar alfinetes (ou será alfenetes?).
Vadiagem As saídas nocturnas... para ir trabalhar!
Vagabundo Como qualquer mágico profissional.
Vanguarda Da dignificação do Ilusionismo.
Vaticínio Ainda tem muito para dar à MAGIA portuguesa.
Vendedor  Esse é o outro, o Mr. Balloon.
Vitória A maior foi sobre um aparatoso (e grave) acidente.
Vocabulário Com um óbice enorme: a palavra “alfenetes”.

Ibérico Pudera, com tantos anos em Espanha.
Ideal Seria o mundo mágico... sem alfenetes.
Idioma Houve tempos em que misturava portunhol com espanhês.
Ilusionista Uma certa maneira de ser e estar.
Imposição Dos temas de Sintra... como um “capo mafioso”.
Impossível Pronunciar alfinetes.
Impulsionar O desenvolvimento da nossa Arte.
Insuflar         Balões de todas as formas e feitios.

Tabu A palavra... (o leitor já adivinha qual é!).
Tarde A manhã do artista que trabalha de noite.
Teatros Oficinas de trabalho.
Televisão  Muitos TEMPOS DE MAGIA...
Teresa A MAY sem lantejoulas.
Traje Preocupação com a renovação.
Transporte A mania do CITROËN.
Treinar A obrigação permanente do profissional competente.


terça-feira, setembro 20, 2022

Uma vez mais... o baralho invisível!


Se tivesse que apostar no truque de cartas que mais vezes foi feito em programas de televisão, eu apostaria no "baralho invisível". 

Hoje, mais uma vez, tive oportunidade de ver esse velhinho truque no programa Praça da Alegria (RTP 1), executado pelo Mário Daniel. 

Felizmente o artista teve a criatividade suficiente para lhe acrescentar um "melhoramento": a carta escolhida pelo espectador muda de lugar num "abrir e fechar de olhos", perdão... num "abrir e fechar de baralho".


segunda-feira, setembro 19, 2022

25 ANOS MAGICANDO COM JOFERK


Seguidamente reproduzo o texto de minha autoria que integrou o dossier "JOFERK & CRISTY", publicado na edição de Dezembro de 1997 da revista "O Mágico".


25 ANOS MAGICANDO COM JOFERK

por Jomaguy

Joferk é, sem sombra de dúvida, desde há muitos anos, um padrão de referência no Ilusionismo nortenho. Tive a felicidade de o conhecer há 25 anos e, desde esse momento, construimos e solidificamos uma amizade que nos transformou em compadres. Tenho a certeza que o meu percurso mágico não seria o mesmo se esse encontro não tivesse acontecido. Por isso é com enorme prazer que aqui relembro os factos mais marcantes desta vivência mágica paralela.

1º Acto

Em 4 de Janeiro de 1970, quando me encontrava numa fase de despertar para a descoberta desta Arte maravilhosa que é o Ilusionismo, tomei conhecimento, através da rubrica MAGIA (da autoria de Cardinal e que o Jornal de Notícias publicava aos domingos), da existência  de um ilusionista amador de nome artístico JOFERK. Apesar da biografia aí publicada ser quase telegráfica, fixei, imediatamente, o respectivo nome para tentar assistir a uma das respectivas actuações, logo que possível... Esse meu projecto levou mais do que 1 ano e 3 meses a ser concretizado, como veremos.

2º Acto

Três meses depois (mais concretamente em  5 de Abril de 1970), na mesma rubrica, voltei a tomar contacto com Joferk, pois foi publicada uma carta aberta de sua autoria dirigida ao Dr. Pires de Carvalho. Pelo conteúdo da mesma fiquei ciente que o seu autor era uma pessoa preocupada com o desenvolvimento do Ilusionismo e interessada em contribuir para a união de esforços de todos os intervenientes válidos para a concretização de tal objectivo.

3º Acto

Passou cerca de um ano e, finalmente, em Abril (ou Maio) de 1971 tive, pela 1ª vez, oportunidade de assistir a uma actuação de Joferk, a qual me marcou profundamente. Ainda recordo, como se fosse hoje, a beleza da rotina do pintor mágico. Que excelente ideia e que lástima o Coimbra não a ter mantido e desenvolvido como ela merecia. A propósito desta actuação transcrevo, seguidamente, o que expressei no meu pequeno opúsculo “25 ANOS MAGICANDO...”.

«Creio que não falhei a presença num único desses espectáculos [programa Pica-Pau],  onde tive oportunidade de apreciar algumas actuações que me maravilharam, até porque fugiam do figurino habitual das actuações de circo. Foi, nesse programa, que adoptei o meu primeiro ídolo no âmbito do Ilusionismo. Adivinham de quem se tratava? Se responderam JOFERK, acertaram.»

4º Acto

Finalmente, em 20 de Maio de 1972, tive oportunidade de conhecer, pessoalmente, Joferk. Aconteceu num espectáculo de beneficiência em que ambos fomos convidados para actuar e sobre esse encontro deixo as impressões que registei no supracitado opúsculo.

«Esse espectáculo que, inicialmente, estava previsto ser integrado, apenas, por artistas amadores principiantes, acabou por registar a presença de vários artistas consagrados, entre os quais aquele ilusionista que era o meu ídolo: JOFERK. Imaginem os sentimentos contraditórios que então me assaltaram: por um lado o júbilo de ir conhecer, pessoalmente, aquele mágico que considerava como modelo de referência e por outro lado o receio de ver a minha actuação menos apreciada ao estar sujeita a comparação com tão excelente ilusionista. 

Como era habitual no final de tal tipo de espectáculo houve um convívio entre os artistas intervenientes e foi aí que me apaixonei pelo... close-up. Foi decididamente um caso de amor à primeira vista fruto de uma impecável exibição informal de JOFERK, de que ainda recordo o “Chop Cup” e a “Carta Polaroid”. O que aí presenciei em cartomagia nada tinha a ver com os enfadonhos truques de cartas que, até essa altura, se haviam cruzado comigo nas minhas leituras mágicas. Também o JOFERK me convidou a aparecer no CIF, depois de passar o Verão.»

5º Acto

A partir dessa data o meu contacto com o Coimbra foi-se, a pouco e pouco, estreitando, enquanto eu bebia, sofregamente, todos os conhecimentos que de tal fonte brotavam. Recordo aqui o que expressei no mesmo opúsculo.

«A partir do último trimestre de 1972, sempre que os estudos permitiam, aparecia nos Fenianos e na respectiva filial de Mouzinho da Silveira: A Fogueira das Meias. Atravessei uma fase de descoberta do Ilusionismo e aprendizagem constante em que o contributo do Coimbra foi, como sempre reconheci, fundamental.»

É da mais elementar justiça registar que o apoio que o Coimbra me dava causava-lhe, por vezes, alguns transtornos na sua ocupadíssima vida... de solteiro (entenderam?). Daí que o meu reconhecimento por tal apoio seja, naturalmente, o maior.

6º Acto

Passaram-se 25 anos num percurso mágico paralelo de presenças em espectáculos, festivais e congressos, para além da vivência, mais ou menos assídua, dos encontros semanais no nosso CIF. No entanto, como não há bela sem senão, deve registar-se que a presença do Coimbra nas nossas actividades semanais tem sido escassíssima nos últimos tempos. Mas isso não faz diminuir a nossa amizade nem lhe retira o lugar que, por direito próprio, ocupa no panorama mágico nortenho (e nacional). 

7º (e último) Acto

Estou certo que o Coimbra vai ultrapassar rapidamente um certo estado de letargia mágica em que se tem mantido, pois ainda tem muito para dar ao Ilusionismo português. Se tal ajudar poderá reler a carta aberta que referenciei no 2º Acto, imaginando que foi assinada por mim e lhe está dirigida. Pela minha parte termino fazendo votos que este artigo o possa estimular a dar um novo impulso à sua brilhante carreira mágica. 

Todos ficaremos a ganhar com isso.

sexta-feira, setembro 16, 2022

O GRANDE ILUSIONISTA



Tenho-me apercebido que, sempre que a ARTE MÁGICA (Ilusionismo) é usada metaforicamente no mundo da política, tal é feito com a conotação negativa de "vigarice". 

Porque será?


"Capital mundial da magia"



O título "capital mundial da magia" adoptado para esta notícia tem um sabor demasiado requentado. 

Há 17 anos (sim, leram bem, dezassete anos!) eu escrevi, no meu blogue, um texto alusivo a várias capitais de magia, o qual pode ser lido aqui.


terça-feira, setembro 13, 2022

25 ANOS SEM ARTURO DE ASCANIO



Em 6 de Abril passado completaram-se 25 anos sobre o falecimento de ARTURO DE ASCANIO. Com o objectivo de homenagear essa figura ímpar da Magia, a GRADA MÁGICA (dos meus amigos ARMANDO GÓMEZ e MIGUEL GÓMEZ), com a valiosa colaboração de PABLO BASTERRECHEA, organizou um evento em Madrid ao qual não podia faltar.



O evento foi constituído por uma muito bem organizada exposição de objectos pessoais que pertenceram a ASCANIO (aparatos mágicos, livros, manuscritos, recordações de congressos, etc.), a qual foi complementada com várias palestras que ajudavam a transmitir a superior importância de ASCANIO na Magia que hoje se pratica. O evento encerrou com uma excelente Gala Mágica, em que actuaram JUAN GISMERO, MIGUEL ANGEL GEA, RAFAEL BENATAR, ANTHONY BLAKE e ARMANDO GÓMEZ (este último no papel de apresentador). Também trabalhou (e muito) MIGUEL GÓMEZ, como assistente de palco.

Na palestra de quinta-feira (única a que assisti) teve um papel fundamental o meu amigo PEDRO LACERDA MACHADO que, como sabemos, era um dos "filhos mágicos" de ASCANIO, conforme este sempre referia.


Ao visitar a exposição foi com alguma emoção que verifiquei que entre os pertences de ASCANIO que aí estavam expostos figurava uma carteira-arquivo de cartões de visita onde estava o meu cartão que eu lhe entregara em 1979, quando veio ao Porto participar (como actuante e palestrante) no 20º aniversário do CIF.

Na altura do falecimento de ARTURO DE ASCANIO escrevi um artigo para publicação na revista MAGIA (CIF), o qual está reproduzido aqui.

POST SCRIPTUM

Em 29 de Outubro de 2022 foi divulgado o seguinte video que resume esta homenagem a Arturo de Ascanio:



terça-feira, setembro 06, 2022

A GALA DE CLOSE-UP DA FISM 2006


Reprodução do artigo publicado na revista MAGICAMENTE (API) de Outubro 2006.


A GALA DE CLOSE-UP
por Jomaguy

Já me habituei que, nos Congressos FISM, a Gala de Close-up é algo de muito sui generis. De facto num Congresso que, desde 1988, reúne mais de 2000 participantes (exceptuando a incursão por terras do Oriente realizada em 1994) não é possível criar condições de autêntica Magia de Proximidade. Mas tenho a sensação que, em Estocolmo, houve uma das piores condições que me lembro pois a sala tinha uma capacidade de cerca de 800 lugares, pouco declive e as actuações realizaram-se em cima do respectivo palco. Nestas condições nem mesmo os espectadores das primeiras filas conseguiam ver o tampo da mesa onde decorriam as actuações. Portanto, todos os espectadores tiveram que seguir as actuações pelos ecrãs gigantes e a única autêntica espectadora de proximidade foi a operadora de câmara de TV que dava os grandes planos da mesa quando necessários (melhor dizendo, nem sempre…). 

Esta Gala foi repetida 3 vezes e o grupo em que fiquei integrado assistiu à segunda apresentação da mesma (Quarta-feira, 2 de Agosto). Esta gala começou da pior maneira possível: um grande burburinho provocado por uma falha imperdoável da Organização. De facto quando abririam as portas os porteiros de serviço começaram a recolher os bilhetes dos participantes, informando que não haveria lugares marcados. Entretanto começaram a chegar participantes que tinham lugares atribuídos nas filas da frente e que não se resignaram a ir para lugares em filas do fundo da sala. Instalou-se um verdadeiro caos, pois entretanto as pessoas que haviam deixado os bilhetes nas mãos dos porteiros tiveram que ir recuperá-los, obviamente não conseguindo obter os lugares primitivos (o Andrély foi um dos prejudicados). 

Um dos que estava irritadíssimo com toda esta situação era Ali Bongo que, inclusivamente, subiu a palco para protestar veementemente com o elemento da organização que tentava conseguir que as pessoas se acalmassem. Nunca imaginei ver um gentleman como Ali Bongo tão fora de si… A situação só foi debelada quando Dag Lofalk (Presidente do Congresso) veio a palco assumir o erro, pedir imensa desculpa e solicitar a colaboração de todos para se conseguir ultrapassar a situação e dar início à gala. Lembro que esta era a segunda apresentação da Gala de Close-up, pelo que um erro como este é totalmente inadmissível.

Foi então que o apresentador (cujo nome desconheço, pois não constava do programa) deu início à Gala, apresentando Belinda Sinclair. Por conversas tidas com amigos que haviam assistido à Gala do dia anterior, já estava mais ou menos preparado para o que me esperava, mas, mesmo assim, a decepção foi muito grande. Aliás o facto de Belinda Sinclair ter sido escolhida para abrir esta segunda Gala de Close-up quando tinha encerrado a Gala da noite anterior é sintomático… Acompanhada por dançarinos, músicos e cantores, a pouca magia desta actuação perdeu-se totalmente devido a uma realização televisiva aparentemente mal ensaiada… Mas, se calhar, ainda bem, pois cada vez que era dado um grande plano do trabalho de Belinda Sinclair com as cartas nas mãos era gritante a sua pouco apurada técnica…Definitivamente um péssimo começo para esta gala. Sorte tiveram os assistentes da primeira gala de Close-up que, ao verem a qualidade deste número e sabendo que era o último, puderam sair a meio. E muitos o fizeram, tanto quanto sei.

Seguiu-se Tim Star. Um ar de cowboy e uma actuação à base de cartas que não me convenceram a ir ver a sua conferência. Não o recomendaria para um qualquer festival nacional. Um daqueles convidados FISM que, sem comprometer, passaria despercebido se tivesse participado no concurso.

Ao ser anunciado o nome do convidado seguinte, os espectadores, que estavam no estado de apatia provocado pelas actuações já relatadas, despertaram para a realidade de irem, finalmente, assistir a uma actuação com nível FISM. Lennart Green não os desiludiu. Melhor dizendo, iludiu-nos mais do que nunca, sendo, indiscutivelmente, o mais ovacionado de toda a noite. A sua matrix em que “esconde cartas de tamanho poker debaixo de moedas de tamanho normal”, por si só, era merecedora da ovação em pé que lhe foi tributada. Numa palavra: ARRASOU!

Adivinhava-se muito difícil a tarefa do artista seguinte, Bob Sheets, que, à última hora, substituiu o anunciado Tim Conover, impedido de viajar por razões de saúde. No seu estilo habitual, Bob Sheets conseguiu entreter com o truque “Homing Card” (versão “quase semelhante” à de Fred Kaps) e intrigar com o truque dos “Cubos Numerados”, o qual não sendo um truque de close-up, foi particularmente bem escolhido face às condições da sala, pois permitiu aos presentes seguirem a actuação sem olharem para os ecrãs.

Seguiu-se Michael Vincent cujo trabalho foi bastante prejudicado pela pobreza da realização de TV. Chegou-se ao cúmulo do público gritar instruções para que o realizador mostrasse aquilo que realmente era importante ser visto. Não se percebe a falta de ensaio nesta matéria.

A gala encerrou com a actuação de Armando Lucero. Foi a segunda vez que o vi actuar e, desta vez, fiquei com uma impressão muito mais positiva do que acontecera em Espanha (onde, provavelmente, esteve num dia de azar). Não há dúvida que certos efeitos que apresenta quando vistos do ângulo certo (e a câmara de TV estava lá) são verdadeiramente mágicos. 

Conclusão: uma gala a merecer nota positiva, mas não muito alta, por culpa exclusiva da organização.

Para melhorar substancialmente a opinião generalizada dos presentes bastaria a organização ter as seguintes 3 precauções:

  • Informar correctamente os porteiros, para evitar a confusão inicial;
  • Contratar uma boa equipa de realização de TV e/ou dar-lhes condições para realizar os necessários ensaios;
  • Não contratar Belinda Sinclair.