terça-feira, maio 24, 2022

THE NEAT REVIEW

 


A mais recente publicação de THE NEAT REVIEW inclui uma entrevista feita a HELDER GUIMARÃES por WILL HOUSTOUN. Nela é abordado o processo de criação do espectáculo virtual (via ZOOM) THE PRESENT.

terça-feira, maio 10, 2022

EM ABONO DA VERDADE

 


Por vezes, a vontade de produzir um discurso laudatório sobre alguém tolda a capacidade de pesquisar a verdade dos factos e leva a que o jornalista, inconscientemente, propale mentiras que em nada contribuem para a preservação da verdade histórica.

Vem isto a propósito do texto escrito por Armindo Guimarães (que pode ser lido aqui) e no qual li o seguinte:

Ora dizer que Luis de Matos foi "o primeiro artista português a actuar como convidado, em 1997" numa FISM é pura e simplesmente mentira

Não sei quem terá sido o primeiro, mas sei que não foi Luis de Matos. E também sei que, nove anos anos antes de Luis de Matos, já JOE MARVEL havia actuado como convidado numa FISM. Tal aconteceu em 1988 na FISM que se realizou na Holanda (Den Haag), como mostra a imagem que encima este post.

terça-feira, abril 26, 2022

5 ANOS SEM JODIVIL



Foi há 5 anos, que faleceu JODIVIL. Conheci-o, pessoalmente, em 1973, em Paris, no Congresso FISM. Alguns meses depois reencontrámo-nos no Festival da Figueira, onde o vi ganhar o 2º Prémio de Magia Geral. Este foi o primeiro de vários prémios a cuja conquista haveria de assistir, os quais culminariam com a obtenção do Grande Prémio no Festival Mágico da Figueira da Foz de 1977. Convém não esquecer que tais prémios não foram apenas do JODIVIL. A sua esposa Mizá deu sempre um contributo importante como partenaire nas diversas performances e, por isso, a nível dos prémios, é obrigatório falar em JODIVIL E MARGOT.

Foi portanto, em 1973, que iniciámos uma amizade que se foi mantendo à distância e estreitando nos sucessivos congressos e festivais mágicos em que coincidíamos. Com a minha presença em Lisboa, para cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, entre 1978 e 1980, a nossa amizade estreitou-se com as múltiplas visitas a sua casa, onde passávamos algumas horas com enriquecedoras conversas sobre Magia.

JODIVIL era um grande conhecedor técnico de Ilusionismo. Embora as suas modalidades de eleição (e nas quais colocou todo o seu foco de trabalho) fossem “Magia Geral” e “Grandes Ilusões”, sabia apreciar Cartomagia e Close-up, não se coibindo de manifestar opiniões sobre tais disciplinas mágicas. E devo dizer que, sempre que o vi manifestar opiniões sobre tais modalidades de mesa, elas se revelaram assertivas e dignas de interesse. Um outro foco que ele tinha na sua ligação à Arte Mágica era o estudo da história do Ilusionismo. 

No âmbito do associativismo mágico, JODIVIL foi sempre um elemento presente, tendo, inclusivé, sido um dos sócios fundadores da Associação Portuguesa de Ilusionismo. Nela, ao longo dos anos, exerceu diversos cargos directivos e organizou algumas das boas convenções anuais da API.

Possuidor de uma tão grande bagagem de conhecimentos, JODIVIL procurou partilhar os mesmos através da sua colaboração em diversas revistas. Lembro-me, em concreto, dos seus interessantes escritos na revista QUATRO ASES e na REVISTA DO CLUBE MÁGICO PORTUGUÊS. Nesta última chegou mesmo a ocupar o lugar de Director Executivo, coordenando a respectiva publicação. No final de 1994, um arreliador enfarte obrigá-lo-ia a pôr travão no seu voluntarismo em prol da Arte Mágica.

Ao longo de toda uma vida com forte e permanente ligação ao Ilusionismo, JODIVIL reunião um acervo de inegável valor. Quando, em 2016, tomei conhecimento que se iria desfazer do mesmo, manifestei a minha intenção de adquirir alguns dos livros e aparatos mágicos (da marca Magiarte) que integravam tal acervo. Nas sucessivas conversas que tivemos, percebi que a sua principal preocupação era que o material e biblioteca pudessem encontrar uma “nova casa” em Portugal que lhe desse a perspectiva de se manterem em bloco. E foi assim que, em 10 de Abril de 2017, se concretizou a passagem de um legado, conforme refere o post colocado no Facebook pelo seu filho Paulo Vilhena, do qual se reproduz a foto seguinte.


Com a partida de JODIVIL, o Ilusionismo português ficou mais pobre. Para terminar esta singela homenagem a JODIVIL, deixo o video de uma suas suas inúmeras actuações em televisão. 


segunda-feira, abril 25, 2022

Será o plágio um “cancro incurável” ?


Volta e meia, no mundo do Ilusionismo, aparece a denúncia de um plágio. Como é uma matéria que merece a minha particular atenção e o meu repúdio, não posso deixar de fazer eco da denúncia de plágio feita por TONY KLAUF neste recente post da sua página de Facebook.

E como o plágio se reproduz (por vezes sob a capa da partilha credível de um conteúdo com referência a uma fonte que plagiou) seguidamente reproduzo, com autorização do autor, o conteúdo do post colocado no Facebook, por TONY KLAUF, em 24 de Junho de 2014.



Em memória de Joaquim Gonçalves de Oliveira. Nasceu a 24 de junho de 1854 em Abadim, Cabeceiras de Bastos e faleceu a 1 de fevereiro de 1928 na cidade do Porto.

Consta, que J. G. d’Oliveira, teve a sua estreia oficial, como Ilusionista, no Teatro da Figueira da Foz, quando tinha dezasseis anos de idade. Ao longo da sua exemplar carreira artística, exibiu-se nos principais Teatros de Portugal Continental, Territórios de Expressão Lusófona e no Estrangeiro. Durante algum tempo, nas suas atuações, contou com a colaboração de Maria Antonieta. Trabalhou em espaços ao ar livre, em várias localidades, uma delas, pode ser constatada pela licença obtida através do Governo Civil do Distrito do Porto, para dar espetáculos de Prestidigitação nas ruas e praças da Cidade Invicta.

Escreveu vários livros sobre esta nobre arte, seis títulos são conhecidos, alguns com várias edições, sendo que o Manual do Prestidigitador, conseguiu ter uma edição, durante o conturbado período da Primeira Guerra Mundial 1914 - 1918.

Durante bastante tempo, lecionou um Curso de Ilusionismo, por si elaborado, tendo este, sido frequentado entre outras individualidades pelo saudoso confrade Eduardo Relvas ‘Savler’.

Oficialmente é considerado o primeiro fabricante nacional de material de ilusionismo. Na sua loja, vendia também utensílios para esta arte importados de outros Países, para além destas intrigantes ilusões, incluía outros objetos curiosos da sua época, como está referenciado em pelo menos dois dos seus catálogos.

Com António Pinheiro, Pedro de Freitas, Rafael Marques e outras Personalidades, fundou uma Associação de Ilusionistas, com a designação de Núcleo Mefistofélico Lusitano.

O mérito, pelo seu empenho e dotes artísticos, foi distinguido com várias medalhas de ouro e prata, além destas, também foi presenteado com uma cigarreira de prata, executada por um mestre italiano. Esta distinção, foi atribuída por Dom Afonso de Bragança, Duque do Porto, filho do Rei Dom Luís I.

segunda-feira, março 28, 2022

CHANNING POLLOCK

 

Há 61 anos, a revista TEATRO ILUSTRADO (Nº28 - Março 1961), publicada no Rio de Janeiro, fazia capa com a notícia do anunciado suicídio de CHANNING POLLOCK, cuja excelência mágica tinha sido divulgada mundialmente através do filme "Europa à noite".


No seu interior, a mesma revista apresentava a notícia, elaborada pelo PROF. ARONACK, que seguidamente se reproduz.



Felizmente tal notícia foi apenas o propagar de um boato, pois CHANNING POLLOCK viria a falecer em 2006, com 79 anos de idade.

Aqui fica um video que documenta a excelência mágica de POLOCK.



domingo, março 27, 2022

CONDE D'AGUILAR EM CAMUFLADO


Sempre vi o CONDE D'AGUILAR a actuar impecavelmente vestido na sua casaca e não o conseguia imaginar com outra vestimenta. No entanto CONDE D'AGUILAR também realizou actuações com outro fato bem diferente. É precisamente isso que documenta a notícia publicada na Revista CEDAM nº 69 (Octubre 1968) que seguidamente se reproduz.



sábado, março 19, 2022

JOFERK - DOIS ANOS AUSENTE


Completam-se hoje dois anos sobre a morte de Fernando Coimbra e todos os que com ele conviveram recordam com saudade o Ilusionista e o Homem.

JOFERK teve uma influência enorme no meu percurso mágico, pois foi precisamente, após o espectáculo realizado em 20 de Maio de 1972 em que, pela primeira vez, nos encontramos que tive oportunidade de apreciar uma brilhante actuação de magia de close-up. Há 25 anos publiquei o pequeno opúsculo “25 ANOS MAGICANDO” e recordei tal exibição nos seguintes termos: 

“Como era habitual no final de tal tipo de espectáculo houve um convívio entre os artistas intervenientes e foi aí que me apaixonei pelo... close-up. Foi decididamente um caso de amor à primeira vista fruto de uma impecável exibição informal de JOFERK, de que ainda recordo o “Chop Cup” e a “Carta Polaroid”. O que aí presenciei em cartomagia nada tinha a ver com os enfadonhos truques de cartas que, até essa altura, se haviam cruzado comigo nas minhas leituras mágicas.”

Esse exibição foi claramente “o empurrão” que eu necessitava para me dedicar com afinco ao estudo e prática da “magia de close-up” que, a partir de 1999 passei a designar por “magia de proximidade”. E muito provavelmente foi esta minha dedicação à “magia de proximidade” (em particular à que se apresenta com cartas de jogar) a semente que germinou na criação do único mágico português que, até hoje, se sagrou Campeão Mundial de Magia: o meu filho Helder de quem o Coimbra e a Cristina foram padrinhos de baptismo.

Por tudo isto não será surpresa para ninguém dizer que o material mágico que apresento na fotografia seguinte é, sob o ponto de vista sentimental, o mais valioso da minha pequena colecção. E sempre que olho para estes objectos relembro, com saudade, o mestre JOFERK e aquela impecável exibição de 20 de Maio de 1972. O facto de o "Chop Cup" e a "Carta Polaroid" não terem, neste momento, "segredos" para mim, em nada afecta a memória das sensações de "maravilhoso" e "impossível" que experienciei nessa noite. Obrigado, Coimbra, por essa experiência inolvidável... e por tudo o resto!





Resta acrescentar que esse nosso primeiro encontro foi fruto do acaso, pois os ilusionistas previstos para tal espectáculo eram EDGAR e DE ROCK, conforme mostra o programa impresso, que o Coimbra teve a preocupação de rectificar pelo seu próprio punho.




quinta-feira, março 03, 2022

FISM sancionou a Rússia


A FISM também sancionou a Rússia pela invasão da Ucrânia.



sábado, fevereiro 26, 2022

RICHIARDI Jr.


Os arquivos da RTP permitem-nos apreciar uma actuação de RICHIARDI Jr. datada de 1962. 

Aqui está ela, a partir do momento 16m39s.


domingo, janeiro 16, 2022

UM NOVO BLOGUE


Em 26 de Fevereiro de 2022 completarei 50 anos sobre a data da minha primeira apresentação como ilusionista num espectáculo público. Considero, portanto, essa data como o verdadeiro início da minha carreira mágica, embora o meu interesse na Arte Mágica já tivesse começado alguns anos antes.

Decidi comemorar estes (mais de) 50 anos de ligação à Arte Mágica com a publicação dum blogue, onde irei relembrar momentos aos quais estive directamente ligado como interveniente ou dos quais fui observador privilegiado. Será o meu modesto contributo para a história do Ilusionismo português dos últimos 50 anos.

Quem estiver interessado em ler as minhas memórias deste meio século de Magia poderá fazê-lo aqui.

quarta-feira, janeiro 12, 2022

2º FESTIVAL MÁGICO DA FIGUEIRA DA FOZ


Descobri mais um "tesourinho" nos Arquivos RTP.

Em 1973 realizou-se o 2º Festival Mágico da Figueira da Foz e aqui se pode ver uma desenvolvida reportagem, conduzida por Fialho Gouveia, onde aparecem inúmeros mágicos portugueses já falecidos. Dr. Pires de Carvalho, Prof. Armindo de Matos, João Marques Pinto, Fausto Caniceiroo, Dr. Jorge Teixeira, "SAIUR", "JOFERK", "MACOS", "DE ROCK /Prof. VIRGOLINO", "FRED ALAN", "JÓNIO", "SOTAM", "MARTINOT", "Prof. KARMA", "EDGAR", "JODIVIL", "LE-A-FAR" e, eventualmente, outros que não identifiquei.

Também aparecem muitos outros que ainda estão no nosso convívio: "CARDINAL", "PAULO", "AQUILES", "UL-DE-KAR", "SAMIDRY", "SERIP", "JOMAGUY", "GREAT HERBY", "MARGOT", "HENRYK SOLU" e outros mais que não consegui identificar.


Festival Internacional de Magia (1972)


Nas pesquisas que efectuei para complementar alguns posts do blogue MEIO SÉCULO MAGICANDO... encontrei este "tesourinho" de 1972: uma reportagem do espectáculo encabeçado por RICHIARDI Jr., onde pode ser vista parte da actuação do saudoso mágico português HORCAR.


quinta-feira, novembro 04, 2021

Será que a MAGIA é PIMBA?


Iniciou-se no passado sábado, na RTP 1, a emissão da série "O PIMBA É NOSSO" com o episódio que se pode rever aqui.

Chamou a minha particular atenção o facto do genérico de tal programa (que decorre a partir do momento 0m 52s do link acima referenciado) apresentar uma "imagem-clichê" dum ilusionista, imagem essa "interpretada" pelo cantor Toy.

A minha dúvida é muito simples... 

Será que os autores do programa acham que o Ilusionismo é Pimba ou será que a única forma de, graficamente, transmitirem a ideia de que o Pimba é Arte foi associarem ao Pimba uma "imagem-clichê" da Arte Mágica?



terça-feira, agosto 24, 2021

No podcast CONVERSAS DE FIM DE TARDE


"O processo criativo de um mágico é muito mais aborrecido do que se possa imaginar" é o título do episódio do podcast CONVERSAS DE FIM DE TARDE dedicado a Helder Guimarães.

Para ser ouvido aqui.


“MAGIA DE RUA” e “MAGIA NA RUA”

(A propósito do evento LISBOA MÁGICA 2021)


Em 17 de Agosto p.p. coloquei, no Facebook, um post com o seguinte conteúdo:

“Assisti a espectáculos de algumas das anteriores edições do evento LISBOA MÁGICA e, numa situação normal, iria colocar o meu “gosto” na divulgação do evento deste ano.

Mas não estamos numa situação normal… Estamos numa situação de PANDEMIA!… E esta situação levou a uma crise no mundo do espectáculo com imensos artistas e técnicos a passarem as dificuldades que conhecemos… e as que desconhecemos!

É portanto para mim inconcebível que a organização não tenha tido a desejada sensibilidade para apoiar os ilusionistas profissionais portugueses. Não seria possível, no leque dos 15 mágicos do evento, incluir 5 portugueses?…

Quando, em tantas outras situações, se fala em quotas de preenchimento de lugares, será uma aberração desejar ter 33% de mágicos portugueses no elenco?

E, se pensarmos que o evento é pago por uma autarquia, mais “revoltados” deveremos ficar por ver o erário público a contribuir para dar trabalho a artistas estrangeiros em detrimento de portugueses. 

Qual seria a reação geral dos media se, de repente, a Câmara Municipal de Lisboa decidisse, em época de PANDEMIA, comemorar uma qualquer data festiva contratando um concerto de um qualquer artista estrangeiro, afastando as opções Pedro Abrunhosa, Marisa, Toni Carreira, Rui Veloso ou tantos outros?

E não me venham com a “treta” de que em Portugal não existem mágicos especialistas em “Magia de Rua”… É que, para esse peditório, já dei!…”


Hoje, vi o Luís de Matos, no programa Esta Manhã (TVI), ser entrevistado sobre o LISBOA MÁGICA 2021 e, a certa altura pareceu querer, de alguma maneira, justificar os mágicos contratados para o evento com as seguintes palavras:

“[…] os mágicos, um dos aspectos mais curiosos é o facto de que fazem parte de um grupo de artistas cuja abordagem, nesta Arte, é, seguramente, uma das mais interessantes, na medida em que… Por exemplo, quando eu actuo num teatro, as pessoas compram bilhete, vão assistir, mas, se não gostarem, não saem a meio, não é? Pronto… Quando os mágicos actuam na rua, eles têm que, permanentemente, estar a conquistar os transeuntes, a mantê-los durante… a duração do espectáculo, fazendo com que não percam o interesse … (é quase como uma audiência de televisão)… e ainda têm que garantir que, no final, elas não se vão embora, sem contribuir financeiramente… para o entretenimento… Este não é o caso… Isso não acontece aqui… Os espectáculos são gratuitos…” (sic)


Esteve muito bem o Luís de Matos a caracterizar a “Magia de Rua”, mas acontece que o evento LISBOA MÁGICA 2021 não é um festival de “Magia de Rua”. Na realidade, estando cada um dos espectáculos programados para uma determinada hora, num local específico, os mágicos não têm que fazer o mais difícil da “Magia de Rua” que é fazer parar pessoas que transitam na via pública sem qualquer intenção de assistirem a um espectáculo e “construir um público” a partir do nada. No caso do LISBOA MÁGICA (Nota: eu assisti a algumas edições pré-pandemia), alguns minutos antes de cada espectáculo começar já há um público numeroso (atraído pela publicidade ao evento), o qual, naturalmente, vai sendo engrossado por transeuntes curiosos que param para espreitar e ficam.

Portanto, ficamos cientes que o LISBOA MÁGICA não é um evento de “Magia de Rua”, mas sim um evento de “Magia na Rua”, onde cabem perfeitamente os “especialistas” de “Magia de Rua”, mas também os que não o são.

Infelizmente, parece que só não cabem mágicos portugueses… É interessante pensar em como, para alguns, é fácil reivindicar apoios para a cultura, mas não conseguem apoiar os mágicos portugueses quando dispõem de tal possibilidade…


quarta-feira, agosto 11, 2021

ANTÓNIO RAMOS PINTO


O nome de António Ramos Pinto é citado em diversos escritos de Martins Oliveira, com referências bastante elogiosas, de que é exemplo o artigo publicado em 1925 na revista “O Illusionista” que seguidamente reproduzo:



No livro “Adriano Ramos Pinto - Vinhos e Arte” (Edições Ramos Pinto) é contada a história da Ramos Pinto, sendo pontualmente referenciada a ligação de António Ramos Pinto à Arte do ilusionismo. Vejamos alguns excertos de tais referências.


A página 50 é encimada pelo seguinte título:



E nessa página pode ler-se:


"Por sua vez, António Ramos Pinto dedicava-se ao ilusionismo com o seu irmão José, o mais velho, com quem formou o duo Irmãos Ramenport, de que existe uma curiosa fotografia, uma foto montagem e um folheto intitulado Souvenir, datado de 15 de julho de 1877, tinha então António vinte e três anos e o irmão vinte e cinco. Em quadras, entre o popular e o galante, passam da alusão dos tempos antigos de bruxarias e feitiços para os tempos da “luz do progresso” em que as feiticeiras são agora as senhoras que assistem aos seus espectáculos. O ilusionismo, a prestidigitação e outras artes mágicas eram então muito apreciadas no Porto e não havia sarau ou récita onde tais números não fossem apresentados. Desenvolveu assim António a arte de encantar a assistência através da fantasia, ou dito de outro modo, cedo aprendeu que o público gostava de se deixar encantar com arte, com graça, com talento." (sic)


Na mesma página é apresentada uma fotografia do duo Irmãos Ramenport, a qual, seguidamente, reproduzo com a devida vénia.



A referência ao nome Ramenport adoptado pela dupla de mágicos remete para uma nota final explicativa. Segunda tal nota, a origem do nome Ramenport seria a seguinte:


“Esta aparentemente estranha denominação terá a ver com a palavra japonesa ramen, que designa um alimento de origem chinesa composto por filamentos longos de massa alimentícia com ervas e legumes temperados com carne de porco ou peixe de água doce e que se vendia nas tabernas dos portos, daí o ramenport, cf. Wikipédia…, 2011.05.11. Ora também a cidade do Porto, por esta época, dedicou especial interesse aos orientalismos e a vários exotismos; cf. Orientalismo em Portugal…, 199; Guimarães, 2008a, p. 169 e seguintes, e Graça, 2008, p. 185 e seguintes.” (sic)


Julgo que a explicação apresentada para o nome Ramenport é pouco credível. Na minha perspectiva a explicação será outra bem diferente. Na época faziam algum furor como ilusionistas os “Davenport Brothers” (https://en.wikipedia.org/wiki/Davenport_brothers), os quais eram tema de notícias publicadas e, portanto, de conversa em reuniões sociais de todo o mundo. Certamente, Portugal não seria excepção. Portanto, na minha opinião, terá sido o nome Davenport a servir de inspiração ao nome adoptado por António e José, que se limitaram a substituir o DAV (de Davenport) por RAM (do seu apelido Ramos). Aliás foi, certamente, esta semelhança dos nomes que levou Martins Oliveira a designar erradamente, no artigo da revista O Illusionista acima reproduzido, o duo como Ravenport.


Seguidamente reproduzo, com a devida vénia, o folheto supracitado.



Numa outra página do livro “Adriano Ramos Pinto - Vinhos e Arte” (Edições Ramos Pinto) está expresso o seguinte:

"António era diferente. Aparentemente mais fechado com outros, incluindo os familiares, realizava também grandes festas na sua casa de S. Roque no dia 1 de janeiro nas quais, depois do jantar exibia os seus dotes de prestidigitador, atividade que nunca abandonou." (sic)


Esta última parte entra em contradição com o que vem expresso no último parágrafo do artigo de O Illusionista. Fica a dúvida, à espera que a descoberta de novos documentos possa vir dissipar a mesma.


quinta-feira, agosto 05, 2021

No podcast DISCOURSE IN MAGIC


"Creating Impossible Magic Experiences" é título do episódio do podcast DISCOURSE IN MAGIC dedicado a HELDER GUIMARÃES.

Para ser ouvido aqui.


15 ANOS SE PASSARAM…


Faz hoje 15 anos que Helder Guimarães subiu ao palco do Victoria Hall do Centro de Congressos de Estocolmo (Stockholmsmässan) para participar na FINALE CLOSE-UP CONTEST da FISM 2006. E quando o fez já sabia que se sagrara Campeão Mundial de Magia com Cartas, pois era o único concorrente apurado em tão difícil disciplina. Foi, portanto, o primeiro português a obter um título de Campeão Mundial de Magia e, até hoje, continua a ser o único português a poder ostentar tão cobiçado galardão.


Foi aí que o mundo do ilusionismo o descobriu, pois, até então, o Helder era um nome apenas reconhecido na Península Ibérica. E, nestes 15 anos de percurso sustentado, o Helder juntou ao título de Campeão Mundial de Magia outros galardões muito relevantes como, por exemplo, o título de Parlour Magician of the Year que lhe foi outorgado pela Academy of Magical Arts de Hollywood (Magic Castle) em dois anos consecutivos (2011 e 2012).



Nestes 15 anos pós-FISM 2006 Helder criou e apresentou diversos espectáculos públicos em que o sucesso se mediu pelas sucessivas sessões esgotadas e pelos prolongamentos das temporadas inicialmente previstas. Assim aconteceu, por exemplo. com “NOTHING TO HIDE”, “BORROWED TIME”, “VERSO”, “RETRATO CLANDESTINO” e “INVISIBLE TANGO”


E quando, após a prolongada carreira de lotações esgotadas de “INVISIBLE TANGO” em Los Angeles (Geffen Playhouse), Helder estava a negociar a apresentação de tal espectáculo em Nova Iorque, tudo ficou adiado sine die por força da pandemia COVID-19. Mas Helder reagiu rapidamente e criou o espectáculo online "THE PRESENT", com o qual realizou mais do que 250 apresentações.


Foi precisamente o êxito deste projecto inovador que contribuiu para obter o reconhecimento da Associação Portuguesa de Ilusionismo que lhe atribuíu o TROFÉU API 2020, o qual se foi juntar ao TROFÉU API 2006 que granjeara com a supracitada vitória no Campeonato Mundial de Magia 2006.




Mas o valor do espectáculo “THE PRESENT” não foi reconhecido apenas a nível nacional, pois mais dois importantes prémios vieram enriquecer um currículo invejável:


- The Webby Awards 2021 (Ver aqui)


- 2021 Allan Slaight Award na categoria Sharing Wonder (Ver aqui). Este é um prémio que é tido em grande conta no meio mágico, bastando, para tal, verificar que, em 2020, o vencedor na mesma categoria tinha sido Derren Brown.


Foram 15 anos preenchidos com muitos sucessos. Venham mais quinze!


quarta-feira, junho 30, 2021

Mágico Helder Guimarães troca as voltas a José Alberto Carvalho

 

Hoje, o fecho do Jornal das 8 da TVI foi assim.


COINCIDÊNCIA...


Um antigo catálogo alemão da casa de artigos de magia ZAUBERKÖNIG ("O Rei da Magia"), fundada em 1884, veio parar às minhas mãos.


A identificação do nome do proprietário levou-me a tentar encontrar mais dados referentes a Arthur Kroner, pois a minha memória não o lembrava como vendedor e/ou mágico.

E encontrei, na internet, uma pequena biografia que relata a desdita da família judia Kroner na Alemanha de Hitler. Tal biografia pode ser lida aqui.

Terminada tal leitura, senti o tilintar característico da caixa de correio a abrir e fechar, sinal de que o carteiro acabara de depositar algo na mesma. 

Apressei-me a ir recolher o correio e deparei com o exemplar da revista GENII relativo ao mês de Junho, cuja capa é dedicada a KALANAG, o mágico de Hitler. (No seu interior, a revista apresenta um desenvolvido artigo de 38 páginas sobre Kalanag) 


E ainda há quem não acredite em coincidências...