segunda-feira, junho 25, 2012

O complexo da crítica construtiva


Inúmeras vezes tenho deparado com mágicos que, perante críticas que lhes são desfavoráveis, reagem como "virgens ofendidas" dizendo: "Essa crítica não é construtiva!"

Não vou retomar aqui opiniões que já expressei sobre tal assunto. Apenas quero deixar esta ligação  que permite aceder a um crítica da autoria de Ricky Jay, publicada no Wall Street Journal, a propósito do livro FOOLING HOUDINI (Autor: Alex Stone).


quinta-feira, junho 14, 2012

SEMANA "QUASE PORTUGUESA" DE MAGIA (Magic Castle)


A previsão que efectuei no post colocado no passado dia 18 de Maio não se confirmou na totalidade, como se pode verificar pela programação divulgada no website do Magic Castle, do qual, seguidamente se reproduz uma imagem parcial.


De facto a presença de Rafael Baltresca no elenco (em substituição de Pedro Lacerda, que actuou em 2011) torna menos portuguesa a programação da semana em 2012 relativamente à efectuada no ano transacto. (NOTA: Não está, de forma nenhuma, em causa o valor artístico de Rafael Baltresca para integrar este elenco.)

A propósito do convite que lhe foi feito para integrar este elenco, Rafael Baltresca escreveu, na sua página do Facebook, o seguinte:


terça-feira, maio 29, 2012

PERGUNTA EM CONCURSO DA RTP


Ontem, fiquei surpreendido ao ver esta pergunta na 1ª edição do novo concurso da RTP apresentado pelo Malato.



sexta-feira, maio 18, 2012

SEMANA PORTUGUESA DE MAGIA (MAGIC CASTLE)


Palpita-me que vai decorrer, entre 16 e 22 de Julho de 2012, mais uma Semana Portuguesa de Magia no Magic Castle.

Este palpite não tem nada de extraordinário... Não passa de uma mera dedução pessoal feita a partir de um post existente no mural do Facebook de Frederic Da Silva, onde se pode ler:

"Réengagé a Hollywood au Magic Castle cet été !!! / Performing at the World's famous Magic Castle in Hollywood (July 16-22th) "


segunda-feira, maio 14, 2012

FISM 2012 - Concorrentes portugueses


Já está disponível em http://www.fism.org/web/contestants2012.pdf a lista de concorrentes aos Campeonatos Mundiais de Magia FISM 2012. Nessa lista constatei a inclusão dos seguintes portugueses, em representação de Portugal:

- Mr. Covilhete (STAGE - Comedy Magic);

- Tá Na Manga (STAGE - General Magic); e

- Gonçalo Gil (CLOSE UP - Card Magic).

Também estará presente um outro português, mas em representação de Inglaterra. Trata-se de Michael Neto (CLOSE UP - Micro Magic).

Estranhei o facto de não encontrar o nome de Frederic da Silva na lista de concorrentes, pois ele próprio anunciou, num recente programa de televisão, que fora seleccionado para tal.


sexta-feira, abril 27, 2012

TABELA PERIÓDICA DE MÁGICOS


Uma interessante adaptação publicada, em 25 de Março de 2012, no Facebook, por Tom Crosbie.



quarta-feira, abril 11, 2012

UM ESPECTADOR IMPERTINENTE


Mr. Bean, um espectador verdadeiramente impertinente...




quarta-feira, abril 06, 2011

TALENTO PARA... COPIAR?


O concurso PORTUGAL TEM TALENTO é uma treta. Fiquei a saber que, após a passagem da 1ª eliminatória, a produção do programa mostra a alguns participantes actuações de artistas que concorreram ao mesmo formato deste concurso realizado noutros países, para que eles repliquem tais actuações.

Não deveria, então, o concurso chamar-se... PORTUGAL TEM TALENTO PARA COPIAR?

quinta-feira, janeiro 21, 2010

TEORIA DAS PISTAS ÓBVIAS


As actuações de alguns mágicos levam-me a pensar em Juan Tamariz. Este enunciou a "Teoria das Pistas Falsas", mas eles preferem aplicar a "Teoria das Pistas Óbvias"...

terça-feira, janeiro 12, 2010

WORLD CHAMPIONSHIPS OF MAGIC TV SHOW 2006


A RTP1 vai emitir no próximo domingo, 17 de Janeiro, pelas 11h 30m, o programa de ilusionismo «WORLD CHAMPIONSHIPS OF MAGIC TV SHOW 2006». 

No seu website a RTP promove tal programa com o seguinte texto: 

"O Campeonato Mundial de Magia, que se realizou em Estocolmo, atraiu à capital sueca mestres mundiais da arte do ilusionismo, magos, aspirantes e amantes de magia. Entre os 500 magos que disputaram o prémio do campeonato estão o americano Ray Karch. Alan Wong de Hong Kong, Joppe Bossnyt da Bélgica, com apenas 11 anos e o espanhol António Romero, só para citar alguns." 

É uma VERGONHA que a RTP esqueça os dois portugueses que foram premiados na FISM 2006 (HELDER GUIMARÃES e DAVID SOUSA) e dê realce a nomes de mágicos que não foram premiados.

P.S.: Depois do "barulho" que eu fiz no Facebook (e não só...) o website da RTP alterou o texto para: 

"Entre os 500 magos que disputaram o prémio do campeonato estão os portugueses Helder Guimarães (Campeão Mundial de Magia com Cartas) e David Sousa (2º Lugar em Manipulção)".



terça-feira, agosto 05, 2008

FESTA DA PRIMAVERA


Esta reportagem foi publicada, em Julho de 2008, na revista da Associação Portuguesa de Ilusionismo, MAGICAMENTE.


FESTA DA PRIMAVERA

Uma óptima simbiose de boa magia e excelente convívio


No âmbito da programação de actividades da nossa associação decidiu a Direcção da API realizar, no passado dia 12 de Abril, um evento que designou Festa da Primavera. E em boa hora o fez, pois foi uma salutar jornada de convívio repleta de boa magia.

Mas valha a verdade que o evento correu sérios riscos de adiamento devido a um violento “terramoto” que afectou uma parte significativa da capital. Felizmente que o dito “terramoto” (que atingiu o grau 0-3 na escala da Briosa) apenas afectou uma parte restrita de Lisboa, junto à segunda circular…

Quando cheguei ao Hotel Diplomático já lá estava o “Sôr Presidente” atarefadíssimo na resolução dos últimos “berbicachos” que todas as organizações apresentam. À medida que diferentes confrades e amigos iam chegando foi-se estabelecendo um convívio informal e amena cavaqueira entre os presentes. Este espírito descontraído apenas era perturbado de vez em quando por um “tripeiro”que insistia em mostrar a cada “alfacinha” que chegava a notícia do “terramoto” na primeira página do jornal desportivo “O Jogo”. Foi preciso ter paciência … e foi obra do Paciência (o Domingos) o dito cujo “terramoto”.

O primeiro momento mágico da Festa da Primavera foi protagonizado por Miguel Gómez que nos apresentou o seu livro “EL PLACER DE LA MAGIA” e nos deliciou com uma excelente conferência executando e explicando algumas “pérolas mágicas” contidas no seu livro. Ouvir Miguel falar de magia e vê-lo executar algumas rotinas do seu reportório permitiu a todos os presentes perceber que o título do livro não podia ser melhor escolhido. Miguel Gómez mostrou, em cada momento, todo o prazer que lhe proporciona fazer magia, mostrar magia, falar de magia. E todos sentiram que aquela hora (e picos) passou demasiado depressa. Como diz o povo na sua infinita sabedoria: “o que é bom, acaba depressa”.

Seguiu-se um lanche/cocktail muito bem servido que permitiu para entreter os estômagos dos assistentes enquanto os artistas ultimavam os preparativos do espectáculo programado.

O espectáculo teve apresentação de Leandro Morgado, cujo trabalho desconhecia. Apresentou alguns excertos do seu espectáculo “A Fraude” e, quanto a mim, esteve muito bem, num registo humorístico que conquistou a plateia. Fiquei desejoso de ver o espectáculo “A Fraude” na sua totalidade.

Gonçalo Jorge e Pedro Teixeira apresentaram uma rotina a duo. Também estiveram bem, mas aqui e ali, o número pareceu-me que precisava de mais ritmo. Mas é de incentivar esta busca de novas abordagens na forma de apresentar magia. É que já chega de “sempreseislencinhosquemudamdecoremjeitodetriplafantasia” apresentados por “mágicosvestidosdepretotentandoclonarluísdematos”.

Bruno apresentou uma rotina de empilhamento de dados com à-vontade e num bem conseguido registo de humor muito natural, que agradou aos presentes. 

Gonçalo Martins apresentou uma rotina de cartas. Com o seu habitual humor (por vezes desconcertante) conquistou a plateia e uma ou outra hesitação durante a execução não deslustram a sua intervenção.

Miguel Gómez encerrou o espectáculo com o “savoir-faire” próprio de um verdadeiro mestre. 

Resumindo e concluindo: está de parabéns a direcção da API por mais uma jornada de boa magia e excelente convívio.


segunda-feira, junho 04, 2007

OBRIGADO, HELDER!


Este artigo foi publicado, em Maio de 2007, na revista da Associação Portuguesa de Ilusionismo, MAGICAMENTE.

OBRIGADO, HELDER!

Quando em Dezembro de 1997 escrevi um pequeno texto intitulado “LUGAR AOS NOVOS” (ver Revista O MÁGICO nº9 / Dezembro 1997), estava longe de imaginar a dimensão que, passados nove anos, algumas passagens do mesmo iriam atingir. Relembro que nessa altura escrevi:

«É difícil encontrar os adjectivos adequados para qualificar, hoje, aqueles que, caso continuem a trabalhar com empenho idêntico ao demonstrado até agora, merecerão, amanhã, mais desenvolvidos encómios.» (sic)

Relativamente ao Helder, o “amanhã” ali referido encerrava um conteúdo premonitório que se foi, sucessivamente, concretizando ao longo destes últimos nove anos em cada uma das participações em congressos e encontros mágicos até culminar em Estocolmo na FISM 2006 (Nota: ao terminar de escrever esta frase não pude deixar de sentir um breve arrepio a percorrer-me a coluna vertebral, tal como sempre acontece quando relembro aqueles momentos indescritíveis.)

Quando a Direcção da API me pediu uma colaboração sobre o Helder, fiquei “entre a espada e a parede”. Por um lado não poderia negar tal contributo e por outro lado, tal como já escrevera no supracitado artigo publicado em O MÁGICO:

«É difícil dizer bem do próprio filho (…) sem correr o risco de tal ser entendido como um mero exercício de auto-elogio.» (sic)

É óbvio que a proximidade que tenho com o Helder não me permite tecer todos os elogios que ele merece, sem cair na figura de “pai babado”, que já toda a gente sabe que sou. Mas não é só isso que me faz refrear o ímpeto de elogiar: o Rui Fernandes também disse que o número de páginas da revista era limitado!

Mas há algo que é importante ficar escrito. O Helder chegou ao topo por mérito próprio. Eu ajudei-o? Claro que sim! O contrário é que não seria normal. Mas o seu percurso é fruto de decisões pessoais e não de “empurrões paternos”. Eu ensinei-o? Claro que sim! Mas apenas fui o seu “professor primário”. Quando evoluiu para o “ensino secundário”, o Helder já sabia como estudar sozinho e onde encontrar as matérias de estudo necessárias à sua formação. A partir daí acabou-se a relação “mestre e aluno” e passou a prevalecer uma relação de “companheiros de estudo”. Entretanto, como nada é imutável, regressamos à relação “mestre e aluno”, mas de sentido contrário à primeira fase. 

E agora é que eu percebo a sorte que é ter “à mão de semear” um mestre para me aconselhar quando preciso, mesmo que isso me impeça de continuar a dizer: “Eu sou o melhor ilusionista da minha rua". 

OBRIGADO, Helder!


sexta-feira, janeiro 05, 2007

MAGICVALONGO 2006


Esta reportagem foi publicada, em Dezembro de 2006, na revista da Associação Portuguesa de Ilusionismo, MAGICAMENTE.


MAGICVALONGO 2006

Decorreu entre 28 de Setembro e 1 de Outubro de 2006 mais uma edição do Festival Internacional de Magia MagicValongo. Sobre o decorrer do mesmo aqui deixo algumas impressões pessoais.


Gala de Close-Up (28/9/2006)

Manolo este bem na apresentação, a ponto de conseguir “pôr um político a trabalhar”, segundo as suas próprias palavras. É obra!

Boris Wild apresentou boa cartomagia, mas sem beijos, o que “trocou as voltas” a Manolo que usou uma T-shirt especialmente pintada para o apresentar. Achei que Boris Wild está melhor a comunicar com o público do que tinha visto anteriormente. 

David Jade pareceu-me um pouco nervoso, mas, apesar disso, esteve bem. 

Julien Fombaron foi uma agradável surpresa, pois desconhecia o seu trabalho. Nota-se que tem bastante experiência e boas ideias. Foi uma boa aposta num nome pouco conhecido.

Manuel Muerte apresentou a sua rotina premiada na FISM. Sem desiludir esteve uns furos abaixo do seu desempenho habitual. Provavelmente tal ficou a dever-se ao cansaço acumulado de uma tournée de conferências que havia terminado dias antes. Por outro lado o facto da rotina ser falada em inglês (e não ter havido tradução) implicou que apenas parte da plateia conseguiu perceber as piadas do seu discurso e ser envolvida pela misdirection do mesmo.

Pedro Lacerda e Rovit estiveram bem e surpreenderam quem estava à espera da “habitual rotina a dois”.

Em suma, na minha opinião esta gala foi a melhor das 3 galas proporcionadas nesta edição do MagicValongo.


Gala Palco Vallis Longus (29/9/2006)

Esta gala começou com… problemas técnicos. Direi mesmo mais: demasiados problemas técnicos no som. Esta situação levou a “falsas partidas” o que obrigou Andrély (apresentador) e Salazar Ribeiro (elemento da organização) a intervenções improvisadas para “matarem o tempo” enquanto tais problemas técnicos eram resolvidos. Como se compreende há limites para a capacidade de improviso, mas, para os problemas técnicos, não os há. Por isso houve demasiado tempo morto no arranque da gala. Durante estes momentos de espera ouviu-se na plateia a conversa entre os técnicos de palco e os técnicos da cabine e viu-se técnicos a correrem de um lado para o outro. Ah, e também se ouviu o animado “grupo das palmas ritmadas”. O alinhamento dos artistas na gala sofreu alterações de última hora devido a alguns problemas técnicos e isso também não beneficiou a gala.

Dentro dos condicionalismos, Andrély esteve bem na apresentação. Só falhou quando apresentou o mesmo “gag” visual que, logo a seguir, o Manolo também apresentou na respectiva actuação. O apresentador deve informar-se do que os artistas vão apresentar e também dar-lhes conhecimento do que pretende fazer.

James Garibo Xtreme Magix apresentou uma rotina com grandes ilusões ao estilo hansklokiano, o qual não faz parte das minhas preferências.

Junge, Junge & Roemer apresentaram duas rotinas excelentes. Apesar de serem rotinas cuja “magia”, no sentido ilusionístico do termo, é escassa, foram, seguramente as actuações mais mágicas de toda a gala. O ritmo, a coordenação e a energia que põem nas actuações fizeram deles “estrelas” deste espectáculo… tal como o farão de qualquer outro.

Manolo este bem. Boa comicidade no seu estilo habitual de “alguma confusão” em palco. Pecou por “esticar” demasiado a actuação, especialmente o número da guilhotina. Sei que tal “esticar” se ficou a dever a um pedido nos bastidores (para haver mais tempo para resolver alguns problemas técnicos), mas o público não sabe disso.

Solange Cardinali foi outra agradável surpresa. A sua actuação foi muito melhor do que já lhe vira fazer anteriormente. Demonstrou uma notória evolução (naturalmente fruto dos ensaios e espectáculos que tem realizado) e já quase que se conseguiu libertar totalmente do uso de “caixas que cheiram a truque que tresandam” ou de “flores que imitam espanadores”.

Xavier Tapias apresentou o seu número habitual do robot fabricado com lixo. Esteve no seu nível habitual. 

Foi uma gala que, claramente, ficou afectada pelo péssimo início.


Gala de Palco Ermesinde (30/9/2006)

Esta foi uma das piores galas que me lembro de ver em Valongo. Quando me apercebi do (fraco) nível da mesma, nem sequer pude alimentar a esperança de que a gala iria melhorar, pois tratava-se de um espectáculo completo a cargo da dupla Dawson & Parker. Falta de ritmo, palco pequeno para tantas grandes ilusões (algumas das quais, depois de executadas, ficavam parcialmente em palco pois não cabiam totalmente nos bastidores), alguns efeitos tecnicamente mal executados e partenaires sem saberem estar em palco. 

E para tornar ainda mais ridícula essa gala, ATSOC, desempenhando, de forma séria e natural, o papel de apresentador/tradutor para o qual tinha sido contratado, foi tecendo sucessivos encómios à prestação da dupla de franceses. Dawson & Parker foram uma péssima aposta para um espectáculo completo.

Esta gala ficou gravada na minha memória de uma forma tão negativa que, referindo-me a ela, afirmei, em jeito de comentário global: “Volta PEKI, estás perdoado!”


Conferências

Boris Wild apresentou uma boa conferência, diferente da que já tinha apresentado anteriormente, a qual versava o “seu” baralho marcado. Mas, no final, não deixou de apresentar um “cheirinho” do mesmo, pois é, obviamente, a sua melhor criação.

Manuel Muerte apresentou a conferência, igual à que lhe vira fazer em Lugo, a qual tem pormenores de timing e misdirection que só ficam bem absorvidos após se assistir várias vezes à respectiva explicação. 

Julien & David apresentaram uma conferência “a duo”. Pecou por ter sido muito longa e por ter havido um intervalo de duração excessiva. Na segunda parte havia menos pessoas na sala, o que leva a supor que algumas pessoas perderam o interesse na conferência. A opção de "actuarem" alternadamente não foi bem trabalhada de forma a garantir uma unidade à conferência. No fundo cada um apresentou e explicou o seu material. Acho que teria sido preferível cada um fazer a sua própria conferência. 

Xavier Tapias apresentou uma conferência com um tema específico: a electrónica. Ninguém saiu da conferência com capacidade imediata de construir robots, mas a conferência cumpriu o seu objectivo: sensibilizar os presentes para os dispositivos electrónicos existentes no mercado que podem ser aplicados em ilusionismo. 

Andrély apresentou uma mini-conferência. Julgo que certos detalhes técnicos pessoais e apresentações próprias não justificam, por si só, a explicação de rotinas de outros mágicos ou de efeitos já comercializados. 


Concursos

Houve 2 concorrentes em Magia de Mesa e 5 em Magia de Palco. O nível da maioria dos concorrentes foi muito baixo, destacando-se, com naturalidade, como únicos a merecerem prémio, os nomes de Rubiales (em Magia de Mesa) e Hector (em Magia de Palco). Nunca antes o júri do MagicValongo tivera a vida tão facilitada para atribuir prémios que não sofressem qualquer contestação.


Notas finais

O MagicValongo continua a ser um evento com “tempo livre” a mais entre as actividades programadas. A Feira Mágica teve, este ano, algumas casas mágicas diferentes das habituais, mas, mesmo assim, não deu para “queimar” todo o tal “tempo livre”. Se calhar havia falta de euros para “queimar”…

A componente gastronómica do MagicValongo manteve o nível a que nos habituou e, felizmente, não acompanhou a descida de nível que a componente artística sofreu. Este ano uma novidade foi introduzida: a “Festa da Francezinha”. Foi uma inovação interessante, especialmente para quem não reside no norte.

Não estive presente na Cerimónia de Abertura realizada na Câmara Municipal (nem na Prova de Biscoitos subsequente), mas na Cerimónia de Encerramento e Distribuição de Prémios voltou-se à “velha fórmula” (que sempre critiquei) de ter na mesa um presidente de uma associação mágica espanhola e nenhum presidente de nenhuma agremiação mágica portuguesa… Sem mais comentários. 


sábado, julho 01, 2006

UMA CORRECÇÃO HISTÓRICA


Reprodução do artigo publicado na revista MAGICAMENTE (API) de Junho 2006.


CORRECÇÃO HISTÓRICA

Por Jomaguy


“Se, inquiridos a citar o nome do ilusionista português mais categorizado de todos os tempos, os mágicos nacionais apontariam, decerto, para David de Castro” (sic). Foi precisamente com este parágrafo que o saudoso Eng. Camacho Barriga (Jónio) iniciou o artigo sobre David de Castro publicado na revista 4 ASES de Setembro de 1976. Sendo perfeitamente legítimo que muitos mágicos possam discordar do conteúdo de tal asserção, julgo que será consensual a ideia de que David de Castro tem direito a um lugar de grande destaque na história do Ilusionismo português. Por isso julgo apropriado aproveitar a revista que a A.P.I., em boa hora, decidiu publicar para corrigir um erro existente nos escritos de Jónio sobre David de Castro.

No já citado artigo da revista 4 ASES diz-se: “Ao falecer, em data que desconhecemos, [David de Castro] deixou um filho que já morreu, sem deixar descendência” (sic). Mais tarde, no seu DICIONÁRIO DO ILUSIONISMO EM PORTUGAL, publicado em 1978, Jónio aborda esta matéria da seguinte forma: “[David de Castro] Casou-se em 1860, com Silvina da Glória Pinto da Fonseca Rangel, de quem teve um filho, Arnaldo Augusto Borges de Alvim Morais e Castro (1871-1912) que, por sua vez, deixou um único descendente, casado e sem filhos, funcionário superior da Mesiricórdia do Porto. Chamava-se Américo Deolindo Borges de Alvim Morais e Castro e parece não se ter entusiasmado pelo ilusionismo.” (sic)

Nota-se que, na abordagem feita no DICIONÁRIO DO ILUSIONISMO EM PORTUGAL, há uma rectificação relativamente ao conteúdo do artigo publicado em 4 ASES ao reconhecer-se que o filho único de David de Castro afinal tinha tido “um filho”, o qual morrera sem deixar descendentes. Esta nova informação está mais próxima da realidade. No entanto continua imperfeita, pois o filho de David de Castro, além do citado filho Américo Deolindo, teve também duas filhas, Maria Augusta e Maria Isabel, ambas com descendência. Esta informação (que me parece ser totalmente fidedigna) foi recolhida no roteiro da exposição “OS CARRANCAS E O SEU PALÁCIO” (realizada no Museu Nacional de Soares dos Reis em 1984), publicado pelo Ministério da Cultura – Instituto Português do Património Cultural. É precisamente desta publicação que se reproduz, com a devida vénia, a árvore genealógica relativa a David de Castro, a partir de sua mãe, D. Carlota Rita Borges de Alvim Moraes e Castro, Baronesa de Nevogilde.

Na supracitada exposição estiveram incluídos diversos objectos pertencentes a David de Castro, gentilmente cedidos pelos seus descendentes. Para terminar, reproduzo o texto sobre David de Castro que foi incluído no roteiro da exposição.

“David Augusto de Moraes e Castro é uma curiosa e interessante personalidade característica do «microcosmo romântico» do Porto de Camilo e das tertúlias literárias da época.

Na casa da Rua da Fábrica mostra o seu «museu de armas onde guardava religiosamente aquela bala que entrara um dia pelo quarto do Palácio dos Carrancas em que dormia D. Pedro IV, despedaçando-lhe a cabeceira do leito.

Aí lhe construirá sua mãe o teatro Minerva, para seu entretenimento e dos seus amigos, onde serão frequentes as récitas de amadores de teatro, de poesia e certamente de ilusionismo, matéria que tanto atraía este artista, escritor e poeta, «carácter nobre e cavalheiro muito tratável» no dizer de Pinho Leal.” (sic)


sexta-feira, abril 07, 2006

Escola de magia

 

Através da notícia publicada no "Correio do Vouga" tomei conhecimento que vai ser criada uma Escola Nacional de Magia de Portugal, cujo curso integrará 27 temas curriculares e que terá como primeiro formador o professor Vasco Esperança.

Com os meus votos de amplo sucesso para a iniciativa, seguidamente reproduzo a notícia completa.




sábado, dezembro 03, 2005

BARAKALDO 2005


Esta reportagem foi publicada, em Novembro de 2005, na revista da Associação Portuguesa de Ilusionismo, MAGICAMENTE.

BARAKALDO 2005

Dado que o 27º Congreso Nacional de Magia de Espanha decorreu entre 23 e 26 de Junho “vi-me obrigado”, pela primeira vez, a passar o S. João fora da minha cidade natal. Passei-o em Barakaldo, pequena cidade dos arredores de Bilbao. É caso para dizer: Magia, a quanto obrigas!

Concursos

Os concorrentes presentes nas diversas modalidades tiveram, na generalidade, um bom nível e apenas relembro um concorrente, na modalidade de Grandes Ilusões, que foi francamente mau. Alguns deles não atingiram o nível “óptimo” porque as boas ideias apresentadas não estavam totalmente “amadurecidas”. As classificações atribuídas pareceram-me, na generalidade, ajustadas aos desempenhos nos concursos.

Gala de Apertura

Esta gala foi apresentada por Jorge Blass e teve a participação de Arkadio, Yunke, Miguel Angel Gea e Banachek. Este último não teve o impacto que o seu nome faria supor. Admito que uma boa parte da justificação se prenda com a perda de “timing” provocada pela necessidade de tradução.

Gala de Magia de Calle

Contrariamente ao que o nome fará supor, não se tratou de uma “Gala de Magia de Rua”, mas sim de uma Gala de Magia na rua. Decorreu na Herriko Plaza (uma praça ao lado do Teatro Barakaldo) e foi um espectáculo que esteve a cargo de Bertran Lotth e da sua companhia. Basicamente constituído por grandes ilusões (muitas delas, clássicas) este espectáculo tira partido de ser realizado num palco com todas as condições para Magia, pois é propriedade do próprio artista. 

Gala Internacional de Magia de Cerca

Numa sala com boas condições para este tipo de espectáculo, esta gala foi bem apresentada por Luigi (que também serviu de tradutor a quem se expressava em inglês) e teve a participação de Shoot Ogawa (boa técnica, mas um tipo de apresentação que não me tocou), José Quesoyyo (excelente), Miguel Ajo (que formou uma excelente“dupla mágica” com o José Quesoyyo, após este terminar o seu número “a solo”), Pit Hartling (excelente, mas de quem esperava algo de novidade, o que não aconteceu), Jason Latimer (com a rotina do Grande Prémio FISM e na, minha opinião, muito melhor que em Haia) e Armando Lucero. Posso dizer que este último me desiludiu. Talvez porque tinha uma expectativa muito alta, devido às multidões que, na FISM 2003, o rodeavam quando actuava de surpresa numa mesa do bar. Ou talvez por saber que ia dar uma conferência privada apenas para quem pudesse (e quisesse) pagar um balúrdio. Ou talvez por me parecer que sabia expressar-se em espanhol e preferiu falar em inglês. Ou talvez porque ele estava num “dia não”e os seus números são construídos apenas para realçar uma técnica excelente que possui, mas que não é totalmente infalível (como se viu…).

Gala Internacional de Magia de Escena

Esta gala realizou-se no Palácio Euskalduna Jauregia (Bilbao) e foi uma gala com a presença de público leigo. Teve apresentação de Luís de Matos, que esteve bem numa fluente apresentação em castelhano. Actuaram Mirko, Marcel, Omar Pascha, Arno e Jeff McBride. Todos estiveram ao nível a que nos habituaram, pelo que, daí resultou uma excelente Gala de Magia para público leigo, mas sem surpresas para quem é “habitué” de galas de congressos.

Gala de Clausura

Esta Gala que serviu para revelar os premiados dos concursos teve apresentação de Enric Magoo (esteve muito bem na função). Actuaram, como convidados, Jason Latimer (com a sua rotina de palco que, fica, em minha opinião, alguns furos abaixo da rotina de close-up) e Magic Nima. Também actuaram alguns premiados com as respectivas rotinas de concurso. Sob pena de falhar a referência algum actuante (pois não tirei notas escritas para esta breve reportagem) relembro Nacho Diago (1º prémio de Magia Geral), Edama (1º prémio de Grandes Ilusões) e Rubiales (1º prémio de Micromagia).

Conferências

As conferências foram diversificadas. Pepelu  e Justo Thaus apresentaram uma conferência sobre Fiscalidade, à qual não assisti. Ir para férias e ouvir falar de IRS estraga as férias a qualquer um… 

Banachek apresentou uma boa conferência constituída por alguns números de mentalismo que integram os seus DVD’s. 

Bebel apresentou uma conferência de cartomagia constituída por um desfiar de rotinas com toques pessoais mas todas elas mais ou menos clássicas. Não pareceu ter um guião estruturado da conferência e foi fazendo rotinas do seu repertório até esgotar o tempo da conferência. Como todas as rotinas eram tecnicamente rebuscadas a única maneira de as lembrar seria comprar as respectivas notas de conferência no final. Eu não o fiz. E como eu, muitos mais, pois é um exagero pedir “uma fortuna”  (creio que eram 25 euros) por 4 folhas fotocopiadas e agrafadas. 

Tamariz apresentou uma excelente charla de homenagem a Pepe Carroll e a José Frakson. Foi uma conferência agendada para o fim da noite e a sala esteve repleta, o que mostra o interesse que este tipo de conhecimento histórico tem para os magos espanhóis… e não só! 

Jeff McBride apresentou uma excelente conferência, a qual foi, basicamente a mesma que lhe vi apresentar, há alguns anos, no Teatro Taborda, em Lisboa. 

Alberto de Figueiredo (que substituiu o anunciado Marko, impedido de se deslocar a Espanha devido a problemas pessoais) apresentou uma excelente conferência de cartomagia. As respectivas notas de conferência eram constituídas por 58 páginas impressas e encadernadas (tipo brochura) e custavam 20 euros. Claro que comprei. E como eu muita mais gente. 

As conferências foram repetidas pois os congressistas encontravam-se divididos em 4 grupos referenciados por cores diferentes. As conferências marcadas para domingo foram realizadas num edifício distinto do Teatro Barakaldo. Acho que não foram acauteladas as condições adequadas para tal efeito. Foi por isso que assisti à última conferência referida numa espécie de sala de aula, onde tivemos que andar a posicionar as cadeiras para nos sentarmos com a melhor visibilidade possível (acabei por ficar de pé junto de uma parede). Para cúmulo houve um problema no sistema de condicionamento de ar e, a dado momento, do tecto caiu um bloco de gelo junto da primeira fila de cadeiras. Em seguida começou a cair chuva do equipamento de condicionamento de ar e houve necessidade de fazer um reajuste no posicionamento de mesa e cadeiras. Sem comentários.

Feira Mágica

A feira mágica estava dividida por dois pisos e contou com cerca de 30 feirantes, alguns dos quais nunca os vi com a banca aberta. É caso para dizer “Lá como cá!”. Do que por lá vi merece-me referência um “microfone que levita”, o qual despertou a especial atenção de um dos mágicos portugueses presentes no evento. 

Na minha perspectiva foi um congresso com nota muito positiva, em que há que destacar a pontualidade de todos os actos do programa (concursos, incluídos!). Até julguei que estava em Inglaterra.

quarta-feira, dezembro 01, 2004

4 DIAS DE MAGIA EM SARAGOÇA

(Reportagem publicada no Boletim Informativo API Nov./Dez.2004)

O leit-motiv deste Congresso Nacional Espanhol, realizado em Saragoça de 1 e 4 de Julho de 2004, foi o permanente atraso de todas as actividades programadas, começando logo na recepção aos congressistas na manhã de 1 de Julho, programada para as 10 horas locais... Como ainda tinha o meu relógio pela hora portuguesa, quase nem me apercebi do atraso…


GALAS 

A GRAN GALA DE APERTURA, prevista para as 15 horas, começou às 16:15, devido a problemas técnicos, que não foram resolvidos pois o sonido esteve muito mau e as luces estiveram muito pior!!! 

SERGI BUKA teve uma "falsa partida", pois a música não arrancou em paralelo com a projecção no ecrã. Acho que tal situação afectou a respectiva actuação. 

CARLOS Y ANA apresentaram Grandes Ilusões. Começaram com a ORIGAMI e quando iam apresentar a LEVITAÇÃO, o pano fechou pois algo não funcionava. O pano reabriu para executarem, então, a LEVITAÇÃO, com apresentação bem mais conseguida do que a da ORIGAMI. 

Seguiu-se ARSENE LUPIN, com o (antigo) número de produção de jóias. Revelou alguma falta de timing nas cargas e a carga final pareceu-me ''descarada". 

Fechou a gala PEDRO III, com um número de Grandes Ilusões com bom ritmo, onde realço uma Metamorfose muita rápida. 

As luzes cometeram várias "atrocidades", prejudicando os artistas. O apresentador JANDRO salvou a GALA, sem "roubar" o protagonismo aos artistas. Nota máxima. 

No segundo dia tivemos a 1ª GALA DE CERCA, apresentada por DANI DAORTIZ, que fez um trabalho acertado. 

BORIS WILD esteve ao seu (bom) nível tendo a preocupação de não repetir efeitos da conferência do dia anterior. 

ANDREW WIMHURST não teve essa preocupação (ou então a culpa é minha e todos os efeitos de cartomagia com técnicas de batota me parecem iguais...) e a sua actuação pareceu-me mal estruturada. 

Seguiu-se uma singela homenagem a PEPE CARROLL, constituída por um pequeno filme projectado no ecrã gigante e uma actuação de MIGUEL ANGEL GEA com uma espécie de medley de rotinas de Pepe Carroll, desenvolvido para uma homenagem promovida na SEI. Miguel Angel Gea não esteve bem, pois a sua actuação não estava prevista e foi "convocado" em cima da hora. 

MIGUE apresentou a rotina que lhe valeu o 1° prémio na última FISM. Não esteve tão bem como na FISM. 

A CENA-ESPECTÁCULO para a qual não me inscrevi, pelos comentários ouvidos, correu bem. 

No sábado tivemos uma 2ª GALA DE CERCA, também apresentada por DANI DAORTIZ.

MANOLO TALMAN apresentou com mestria o seu número premiado no congresso anterior e no Memorial Ascanio. 

NICHOLAS EINHORN esteve muito bem. Uma rotina onde enlaça 3 anéis emprestados por 3 espectadores deixou-me pensativo até à conferência. 

JEAN PIERRE VALLARINO apresentou o seu número tradicional de cartas, moedas e copos de brandy. O estilo não me agrada em especial mas esta foi a vez que mais gostei de o ver actuar. 

ROBERTO GIOBBI fechou a gala com chave de ouro. Perfeito, brilhante e outros adjectivos similares expressam, por defeito, a minha opinião. 

O dia terminou com a GRAN GALA INTERNACIONAL, aberta ao público e primeira actividade do programa com atraso inferior a 15 minutos! 

NORBERT FERRÉ mostrou porque foi Grande Prémio na FISM 2003, RAFAEL foi um excelente número cómico e JUAN TAMARIZ encerrou a primeira parte com algumas cartas de jogar e MUITÍSSIMO TALENTO, o que não foi surpresa para ninguém. 

Juan Mayoral e Mirko Callaci não puderam estar presentes por motivos de doença e familiares e foram "substituídos" por JULIUS FRAK, que apresentou o seu excelente número. 

ARSENE LUPIN apresentou o número das cadeiras, premiado na FISM. Esteve muito bem, mas acho que o facto de não ter havido tradução simultânea (o número é em inglês) prejudicou o impacto no público leigo. As suas partenaires agradaram aos leigos tanto como tinham agradado aos mágicos na conferência. 

RICHARD McDOUGALL apresentou o seu excelente número minimalista de manipulação e mímica. Para quem estava mais longe do palco foi um número pouco visível. E o técnico de luzes ainda lhe fez black-out antes do número terminar... 

YUNKE fecharam a gala com o seu número de Grandes Ilusões e estiveram no padrão de qualidade habitual. 

A apresentação da gala esteve a cargo de MIGUE. A apresentação sóbria não comprometeu, mas pareceu-me pouco preparada. Esperava mais, mesmo sem ter que arrebatar a gala, como aconteceu, há anos, no Congresso de Málaga. Nem oito nem oitenta. 

No dia 4, o congresso encerrou as actividades com a GRAN GALA DE PREMIADOS. Além de diversos premiados, actuaram RIVERSON Y SALLY em Grandes Ilusões. 

Não gostei da apresentação, que este a cargo de MAGIC ANDREU. Tem muito traquejo e domina as tábuas (do palco), mas por vezes ultrapassa os limites da decência e torna-se grosseiro e inconveniente. O cabelo grisalho ajuda a que o aceitem assim, penso eu de que... 


CONFERÊNCIAS 

A primeira conferência, de BORIS WILD, foi diferente da que lhe conhecia e vi-a com muito agrado, não só pelo conteúdo como pela personalidade do conferencista. 

O primeiro dia terminou com a conferência de ANDREW WIMHURST. Foi uma conferência sobre cartomagia com técnicas de batota. Um tema demasiado específico com um alinhamento ad hoc, aliado à hora tardia a que a conferência se realizou, levam-me a considerá-la como a menos interessante de todas. 

A primeira conferência do 2° dia de congresso esteve a cargo de DAN1 DAORTIZ y MANOLO TALMAN. A primeira parte foi muito interessante - Dani DaOrtiz explicou um princípio teórico, dando exemplos práticos. A segunda parte foi maçadora pois foi uma palestra de Manolo Talman sobre como abordar a presença em concursos de Magia. Os conceitos transmitidos, fruto de uma larga experiência como concorrente, eram muito valiosos, mas Manolo Talman não é um orador que cative sem o apoio das suas técnicas mágicas. 

Neste 2° dia tivemos, mais uma vez, o prazer de apreciar JUAN TAMARIZ num SHOW UNIPESSOAL e CONFERÊNCIA. A conferência abordou a forma de ligar humor e magia sem "prejudicar" o impacto desta última. Como sempre, esteve SOBERBO. 

O dia 3 de Julho começou com a conferência de ARSÈNE LUPIN. Apresentou alguns efeitos de Magia Geral interessantes, mas não tão interessantes como as 2 (duas!) partenaires, a fazer fé na reacção da sala sempre que elas apareciam... Apresentou um efeito mágico baseado num puzzle que deixou rendidas as mentes mais matemáticas mas o puzzlezito custava a módica quantia de 90 euros... (sem as partenaires). 

À tarde tivemos duas conferências. A primeira, a cargo de JEAN PIERRE VALLARINO foi uma explicação salteada de truques da sua rotina e dos seus vídeos. Sem estrutura de conferência, parecia estar a cumprir uma cláusula contratual. Teve alguns momentos interessantes 

A última conferência do dia foi a de ROBERTO GIOBBI. Estupenda, magistral e outros adjectivos similares é o mínimo que se pode dizer deste mestre contemporâneo. Quando o vejo palestrar fico convencido que afinal a MAGIA até é muito simples... 

No domingo, a conferência de NICHOLAS EINHORN foi uma conferência de explicação de bons efeitos mágicos de sua autoria. Explicou duas versões diferentes do tal enlace de anéis emprestados e (claro!) executou o efeito Spooked, que comercializa, sem o explicar. 


CONCURSOS 

O congresso incluiu 4 sessões de concurso: duas de "escena" e duas de "cerca". O nível do concurso de mesa foi superior ao do palco (como é de esperar em Espanha...), o que acabou por se "materializar" no GRAN PREMIO de MIGUEL ANGEL GEA, que concorreu em Cartomagia. 

No palco, nenhum dos concorrentes de Magia Cómica me fez esboçar um sorriso, mas o júri lá conseguiu desencantar piada num deles para lhe atribuir um prémio. Na lª sessão do Concurso de Palco actuaram, em Manipulação, os "nossos" BRUNO e MIGUEL CAMPOS. Estiveram bem com as rotinas que lhes conhecemos. A rotina de Bruno beneficiou, a meu ver, com a troca das "cartas espelhadas" por "cartas normais" e com a utilização de bolas de papel na sequência manipulativa. Achei, no entanto, que alguma da movimentação cénica foi desadequada. Miguel Campos esteve melhor do que em anteriores actuações que presenciei. Esteve alegre e confiante e convenceu o Júri (que é quem interessa nos concursos). No entanto, as produções de CD's feitas junto do corpo continuam a não conseguir criar-me ilusão. 

Na 2a sessão do Concurso de Palco actuaram os "nossos" DIMAS (Magia Geral) e ANDRÉLY (Manipulação). Dimas apresentou uma nova rotina (de teor romântico lembrando a de Juan Mayoral). O cenário é lindíssimo mas a rotina necessita de afinação: há efeitos que, como foram apresentados, me parecem sair do contexto da rotina. Andrély apresentou a sua conhecida rotina. Esteve seguro e muito bem nas produções de rolas. Deverá alterar (ou retirar) a sequência de cachimbos pois, tal como está, não transmite Magia. 

No Concurso de Mesa não houve concorrentes portugueses nem avalizados pela API.

segunda-feira, outubro 25, 2004

MEMORIAL ASCANIO 2004

 

BREVE REPORTAGEM

Pelo 2º ano consecutivo estive presente neste evento mágico que o Círculo de Madrid da SEI promove anualmente. O modelo adoptado para este evento permite aos participantes uma óptima relação entre “magia absorvida” e “tempo despendido”, pois entre as 10 horas de sábado (23 de Outubro) e as 19 horas e 30 minutos de domingo (24 de Outubro) permitiu apreciar:

  • Um concurso de Magia de Mesa com 7 concorrentes;
  • Um concurso de Magia de Palco com 3 concorrentes;
  • Duas conferências de VITO LUPO;
  • Uma conferência e um oficina (workshop) de TONY CACHADIÑA;
  • Uma Gala Mágica com 5 artistas convidados: MURPHY (apresentador), ALEJANDRO FURNARDJIEW, RAHMA KHAN, HECTOR e ARESON;
  • Uma Gala mágica de encerramento com 7 artistas convidados: PEPE REGUEIRA (apresentador), JOE BURK, GEA, TONY CACHADIÑA, HECTOR, ARESON e VITO LUPO; apesar de não estar previamente indicado no programa esta gala também incluiu 2 artistas premiados: HELDER e KARIM;
  • Um Cocktail Mágico com 4 artistas convidados: IVAN, DAVO, JOSE "QUESOYYO" e MIGUELAJO.

A primeira conferência de VITO LUPO foi teórica e nela transmitiu muitas ideias fundamentais à prática de BOA magia, fruto da sua experiência pessoal e da sua permanente aprendizagem em áreas artísticas variadas (teatro, mímica, etc.). EXCELENTE! A segunda conferência, embora, aqui e ali, aflorasse alguns pontos teóricos foi mais prática, com explicação de técnicas e truques que, na maioria, já lhe tinha visto numa conferência realizada em Portugal, “há séculos”. Nesta segunda intervenção também esteve bem, mas como conferência foi menos conseguida que a anterior. 

Devido ao atraso com que se iniciara o Concurso Ascanio, a conferência de CACHADIÑA teve que ser compactada. Percebeu-se que a ideia estruturante da mesma era homenagear Arturo de Ascanio pondo e evidência a aplicação das suas ideias teóricas em rotinas que desenvolveu. Mas como passou “a correr” a parte teórica a fim de ter tempo de apresentar todas as rotinas que trazia preparadas, a conferência transformou-se numa exibição e explicação de truques. Teria sido preferível retirar uma ou duas rotinas da conferência e desenvolver melhor os aspectos teóricos nas que fossem apresentadas. A oficina versou “efeitos com notas de banco”. Não foi uma oficina no sentido exacto do termo, mas uma palestra informal com participação de alguns dos presentes. Aliás a extensão do material recolhido por CACHADIÑA dava para uma oficina de… 2 dias!

As galas mágicas foram boas. Na primeira destaco negativamente a prestação de ALEJANDRO FURNARDJIEW, que esteve numa tarde de azar (deduzo eu, pois o Prémio na recente Flasoma diz algo do seu valor). A primeira parte da rotina de cartas foi um desastre. Quando se apercebeu que lhe tinha ficado indevidamente baralhada a montagem, não deveria ter insistido em continuar. E destaco positivamente RAHMA KHAN que continua a ser um faquir cujo trabalho mostra a mesma classe que lhe vi na Figueira da Foz, no século passado.

Na Gala Mágica de Encerramento há que destacar negativamente o apresentador. PEPE REGUEIRA tem muita experiência e muita graça, mas transformou a gala no “seu” espectáculo com a inclusão de alguns convidados. Apresentações muito demoradas entre os artistas levaram a gala a terminar a horas impróprias. Como tinha que sair às 19 horas (a IBERIA “recusou-se” a retardar a partida do avião…) não vi a actuação de VITO LUPO. Também não se entende que HECTOR tenha participado em ambas as galas apresentando parcialmente a mesma rotina. Nesta gala não actuou JOE BURK por se encontrar internado num hospital, em situação clínica complicada. Foi-lhe prestada uma homenagem com projecção de referências à sua carreira e, no final. Foi-lhe tributada uma forte ovação.

O cocktail mágico permitiu ver mesmo Magia de Cerca, pois na sala em que decorreu o cocktail foram instaladas 2 mesas em cantos opostos onde os 4 convidados se revezaram na apresentação das suas rotinas. Apesar de afastadas, as mesas não ficaram imunes a interferências mútuas nos momentos de aplausos e outras reacções dos respectivos públicos.

Para culminar este fim de semana de muita (e BOA!) magia, este ano os concursos tiveram um sabor muito especial para nós, portugueses, pois os nossos 2 compatriotas que se apresentaram nos concursos foram galardoados: HELDER ganhou o Prémio Ascanio e MIGUEL CAMPOS ganhou o Prémio Páginas do Concurso Frakson. PARABÉNS A AMBOS.

Os prémios ASCANIO e FRAKSON são atribuídos por decisão de um "duplo júri": júri técnico e júri artístico. Este ano o júri técnico foi constituído por: Camilo Vasquez, Luis Boyano, Augustin Leal, Miguel Gómez e Jorge Blass. O júri artístico foi constituído por um conhecido (em Espanha, naturalmente) actor de Teatro, Cinema e Televisão e por um Actor/Encenador teatral, dos quais não recordo o nome.

Os prémios Páginas são atríbuídos por votação secreta dos presentes, com a seguinte condição expressa: caso o mais votado coincida com a decisão do júri, o prémio é atribuído ao segundo mais votado.

Nas conversas de corredor que mantive (antes de serem conhecidos os resultados) com diversos magos espanhóis pareceu-me haver concordância quase generalizada com a decisão do júri relativamente à atribuição do Prémio Ascânio ao HELDER. O mesmo não me pareceu acontecer relativamente ao Prémio Frakson, onde diversas opiniões apontavam para MIGUEL CAMPOS como merecedor de tal prémio. Eu partilho desta opinião, embora goste bastante da rotina apresentada por KARIM (vencedor do Prémio Frakson). No entanto KARIM teve algumas falhas que no meu ponto de vista o deveriam ter penalizado mais do que parece ter acontecido.


domingo, dezembro 28, 2003

Carta ao PAI NATAL


É quase um lugar comum dizer que a época de Natal é uma... época mágica. Que mais não seja porque, com os constantes apelos ao consumismo (que nos “assaltam” no dia a dia), é, para a maioria dos portugueses, verdadeiramente mágico conseguir esticar o orçamento para as prendas da praxe. 

Mas claro que estas prendas trocadas, quer seja por um gesto de amizade quer seja por mera “obrigação social”, não encerram a mesma “magia” que as prendas tinham na nossa meninice quando apareciam “magicamente” na chaminé... 

E como era emocionante escrever a carta ao Pai Natal (ou ao menino Jesus) e esperar pela madrugada dos 25 de Dezembro para saber se ele correspondera (ou não) ao nosso pedido... Por isso foi com redobrada alegria que li a carta que o meu velho amigo Afonso (da célebre dupla Serafim e Afonso...) escreveu ao Pai Natal. Com autorização do autor aqui fica a respectiva transcrição. 


Meu caro Pai Natal 

Deves ficar espantado ao receber esta carta minha, pois já não te faço pedidos há alguns anitos. E se este ano decidi, novamente, escrever-te, tal não significa que te venha pedir algo para mim. Nem pensar! Com tanta gente necessitada (que há por aí) e com a contenção orçamental que a Dra. Manuela, quase de certeza, te impôs, acho que só faz sentido satisfazeres necessidades inadiáveis. 

Portanto resisti ao egoísmo de te pedir algo para meu usufruto pessoal Aqui te deixo algumas das necessidades que detectei nos últimos tempos para colmatares na medida das tuas possibilidades: 

- Um boião de coragem para aqueles cuja cobardia apenas permite manifestar opiniões através de cartas e e-mails anónimos; 

- Um dentífrico ultra-forte para quem manda os outros lavar a boca sem antes cheirar o seu próprio hálito; 

- Um frasco de “percebas” para quem atribui a uns o que outros escrevem; 

- Uma caixa de cotonetes para quem “emprenha pelos ouvidos”; 

- Outra caixa de cotonetes para quem só ouve o que lhe convém; 

- Uma embalagem de educação e bom senso para todos os já referidos... e mais alguns. 

Com tudo isto acho que já tens trabalho que te chegue... e sobre! Se calhar, vais deixar de ser aquele indivíduo que tem o melhor emprego do mundo, pois só trabalha um dia por ano, e vais ter que fazer horas extra... Contingências da crise... da crise de valores, claro! 

Um abraço 

Afonso 

P.S.: Já agora aproveita e deixa no sapatinho de cada mágico uma embalagem com... A TRIPLA FANTASIA!


E NÃO HAVIA BOLINHOS DE BACALHAU COM ARROZ DE FEIJÃO...


5 de Dezembro, 13 horas e 30 minutos. 

Entro num snack bar da baixa portuense onde almoço com frequência, após uma breve paragem para consultar a ementa afixada na respectiva porta envidraçada. A decisão estava tomada: bolinhos de bacalhau com arroz de feijão. 

Sento-me ao balcão e, imediatamente, me apercebo que algo de estranho se passa no outro extremo do mesmo, mais propriamente, na chamada “zona de serviço”. Faço o pedido ao empregado, mas sou confrontado com a triste realidade... dos bolinhos de bacalhau com arroz de feijão já se terem eclipsado! Opto pelo lombo assado e, enquanto espero pela correspondente meia dose, tenho oportunidade de me aperceber do imbróglio que despertara a minha atenção. 

A situação relata-se em duas penadas. Um cidadão de nacionalidade estrangeira (talvez, ucraniano) que tinha vindo comprar comida na opção take away, reclamava que o troco não estava correcto, pois tinha entregue 50 euros (para pagar um montante situado entre 10 e 15 euros) e, além de algumas moedas, recebera uma nota de 5 euros, uma nota de 10 euros e uma terceira nota, também esta de 5 euros. Numa primeira reacção o gerente (o sr. Jorge) foi à caixa registadora para “desfazer” o engano, mas, logo que a abriu, ficou seguro de que não houvera engano. De facto ele tinha a certeza que, antes de atender tal cliente, só tinha uma nota de 20 euros na caixa registadora. Como, nesse momento, já lá não tinha qualquer nota desse valor, era óbvio que teria que a ter entregue ao dito cliente. E, num flashback imediato, relembrou-se de uma cena perfeitamente idêntica passada algumas semanas antes, com o mesmo indivíduo. 

Não tendo dúvidas que estava perante uma tentativa de burla, recusou-se a entregar-lhe o montante reclamado como estando em falta. Entre frases proferidas num inglês mal arranhado e um mostrar dos bolsos do casaco, o citado cliente ainda tentou convencer que estava a falar verdade, mas o sr. Jorge aconselhou-o a chamar a polícia e ele achou por bem, retirar-se. Entretanto chega o lombo assado e, enquanto me entretenho com ele, assisto à conversa do sr. Jorge com dois clientes habituais da casa, que já haviam terminado o respectivo almoço. Para além do relato circunstanciado da ocorrência e da lembrança que tinha da burla anterior com que o mesmo sujeito o enganara, o sr. Jorge disse algo do género:

- Mas é fantástica a habilidade com que ele trocou a nota! Ele quase nem se virou, logo voltou para trás e a nota já estava trocada. 

E, ao mesmo tempo que exemplificava um empalme foleiro da nota dobrada, rematou: 

- Se calhar escondeu-a, assim, na mão. 

De imediato, um dos seus interlocutores sentenciou: 

- É como um ilusionista. É como o Luís de Matos. 

Acreditem que esta afirmação me entristeceu bastante mais do que o eclipse dos bolinhos de bacalhau com arroz de feijão, mas, infelizmente, a nossa Arte continua a ser objecto deste tipo de associação de ideias... E parece-me que tal só acontece com o Ilusionismo... Pelo menos, eu nunca ouvi ninguém dizer (para comentar um homicídio cometido com arma branca): - Pela precisão do corte parecia mesmo um médico cirurgião de bisturi em riste. 

Triste sina, a dos mágicos: ser bitola de comparação com conotações bastante negativas. Quando conseguiremos alterar esta situação? 

5 de Dezembro, 14 horas e 15 minutos. 

Saio do snack bar após pagar a conta, sem burlar o sr. Jorge, triste por não ter podido comer bolinhos de bacalhau com arroz de feijão. Por isso e não só... 

P.S.: Para permitir a alguns leitores uma total compreensão do texto, informo que, em dialecto alfacinha, diz-se "pastéis de bacalhau" em vez de "bolinhos de bacalhau"...