quinta-feira, junho 24, 2021

ALLAN SLAIGHT AWARD



É um orgulho poder partilhar com todos que Helder Guimaraes ganhou mais um prémio de grande relevância no mundo da magia (Sharing Wonder 2021), sendo o primeiro português a conseguir tal feito. 

Sendo assim, Helder Guimarães conquista um galardão que já contemplou os mundialmente conhecidos Derren Brown (em 2020) e Penn & Teller (em 2015).

A listagem global destes prémio pode ser vista aqui.

E a notícia da SICNotícias pode ser vista aqui.


sexta-feira, maio 21, 2021

MÁGICO HELDER GUIMARÃES VENCE `ÓSCAR` DA INTERNET PELO ESPETÁCULO VIRTUAL ESTREADO EM 2020


Este é o título da notícia da Lusa publicada ontem no website da RTP e que pode ser vista aqui. Seguidamente reproduzo, com a devida vénia, o respectivo conteúdo.

Mágico Helder Guimarães vence `óscar` da Internet pelo espetáculo virtual estreado em 2020

por Lusa

O ilusionista Helder Guimarães venceu o prémio Webby para Melhor Experiência Narrativa na Área de Acontecimentos Virtuais, pelo seu espetáculo "The Present", que estreou `online`, em maio de 2020, anunciou hoje a promotora do artista.

O galardão, atribuído no âmbito da edição de 2021 dos The Webby Awards, os chamados "Óscares da Internet", representa "o reconhecimento da mestria do mágico português" e da sua equipa, ao longo do último ano, tendo lidado com a situação pandémica, lê-se no comunicado da promotora.

"The Present", o espetáculo premiado de Helder Guimarães, surgiu "como um recurso face à inatividade das salas de espetáculo norte-americanas", lê-se no comunicado.

Lançado em maio do ano passado através da Geffen Playhouse, em Los Angeles, Estados Unidos, o espetáculo tinha a duração de 45 a 50 minutos, permitia interação entre o ilusionista e a audiência - os espetadores recebiam um pacote misterioso em casa, apenas para abrirem na hora do evento - e as suas sessões esgotaram, ao fim de poucas horas de venda de acessos, e durante meses, incluindo as edições internacionais.

The Washington Post, The New York Times e Los Angeles Times foram alguns dos jornais que elogiaram.

Em entrevista à agência Lusa, em agosto do ano passado, quando as sessões estavam esgotadas até outubro, Helder Guimarães disse que este espetáculo "tem coisas que são mais únicas (...), tem um conceito que é mesmo inovador, esta ideia de as pessoas poderem estar em casa a fazer magia, conectadas numa chamada de vídeo, vendo coisas que não acham possível serem feitas à distância".

"As pessoas são muito surpreendidas porque não têm uma expectativa em relação a isso muito alta", salientou.

A realização de "The Present" esteve a cargo de Frank Marshall, um `peso pesado` de Hollywood com várias nomeações aos Óscares no currículo, e o cenário teve a mão de François-Pierre Couture, com dramaturgia de Amy Levinson.

O calendário inicial era de um mês que, entretanto, se transformou em quase meio ano de sessões.

Guimarães explicou então à Lusa que um dos motivos para o sucesso de "The Present" teve "muito a ver com esta ideia de estarmos isolados, mas ao mesmo tempo conectarmo-nos uns com os outros".

Helder Guimarães disse ter-se inspirado num episódio da sua infância quando, devido a um problema de saúde, se viu obrigado a ficar em casa durante um mês, reconhecendo a importância dos "momentos de lazer e descontração".

Na entrevista então dada à Lusa, Helder Guimarães disse que o espetáculo tinha "uma dinâmica própria do teatro, interligada com magia, desafiando a ideia de que temos de estar no mesmo espaço para partilhar a sensação de um espetáculo ao vivo".

"The Present" teve mais 14 mil espectadores, e recebeu críticas positivas de atores de Hollywood como Helen Mirren, Hugh Jackman, Billy Crystal, Jennifer Gardner, Mel Gibson, J.J. Abrams, Busy Philips, Eric Idle, Henry Winkler, Rian Johnson, Darren Aronofsky, Brie Larson e Laura Dern, entre outros. Atores como Jennifer Garner e Billy Crystal também estiveram entre os espectadores.

"Uma das coisas comuns a todas as críticas é mencionarem que este espetáculo foi o mais parecido que eles sentiram a estar num teatro, numa experiência teatral", disse então o ilusionista à Lusa. 

Helder Guimarães, de 38 anos, é natural do Porto e tirou o curso de Estudos Teatrais na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE), da cidade.

Em 2004, foi o primeiro português a ganhar o Prémio Ascanio e, em agosto de 2006, com apenas 23 anos, sagrou-se Campeão Mundial de Magia com Cartas, em Estocolmo, sendo o primeiro português a entrar na lista de Campeões Mundiais de Magia.

Em 2012, com 29 anos, Hélder Guimarães ganhou também o prémio Parlour Magician of the Year, um dos maiores galardões na área do ilusionismo, dado pela Academia de Artes Mágicas de Hollywood.

Em 2019, o mágico português realizou o espetáculo "Invisible Tango", em Los Angeles, com a música composta por Moby, que esteve em cena na Geffen Playhouse.

Helder Guimarães vive há mais de dez anos em Los Angeles, e já apresentou espetáculos na Austrália, Japão, Coreia, Brasil, Argentina, Chile, além de Portugal e outros países europeus.


terça-feira, maio 18, 2021

Apenas 5 palavras...

 

Aqui fica o discurso de 5 palavras de Helder Guimarães ao receber o Webby Award.


segunda-feira, abril 26, 2021

Nomeação para um WEBBY AWARD

 

Helder Guimarães foi nomeado para um WEBBY AWARD, conforme pode ser lido aqui.


terça-feira, abril 20, 2021

CONDE D’AGUILAR, ESTRELA EM SALTA (ARGENTINA)


Há 52 anos (Abril de 1969) o consagrado ilusionista português Conde d’Aguilar foi cabeça de cartaz na Semana Internacional de la Magia y la Ilusión, organizada em Salta (Argentina) pelo Círculo Mágico Argentino em colaboração com o Club de Leones de Salta.


Seguidamente reproduzo uma página do respectivo programa, onde se pode ver que Conde d’Aguilar foi distinguido com a honra de encerrar os espectáculos em que participou.



Tal distinção está, naturalmente, de acordo com as referências elogiosas que Conde d’Aguilar mereceu numa das páginas do mesmo programa, a qual, seguidamente, se reproduz.




terça-feira, março 30, 2021

A vida efémera da S.P.I.


Em meados do século passado, houve uma tentativa de criar uma associação de mágicos em Portugal. Chamou-se Sociedade Portuguesa de Ilusionismo e teve vida efémera pois o Ministério da Educação Nacional considerou que o objectivo consagrado nos respectivos estatutos não constituía "expressão de cultura digna de ser considerada" (sic).


Toda a vida da Sociedade Portuguesa de Ilusionismo está resumida no número único do seu boletim O Tesouro da Magia, publicado em Abril de 1957.


Não é irrelevante, para esta decisão do Ministério da Educação Nacional, o regime político vigente em Portugal. No entanto é curioso verificar que, na Alemanha, em 1937 (portanto já com Hitler no poder), era permitida a comemoração do 25º aniversário do Magischer Zirkel com uma larga reunião de mágicos como o video seguinte documenta.

25 Jahre Magischer Zirkel


sexta-feira, março 19, 2021

JOFERK


JOFERK é o nome artístico do conceituado ilusionista português José Fernando Pacheco Coimbra. Nasceu no Porto em 22 de Março de 1939, filho de José Pinheiro Coimbra e Ana da Rocha Pacheco. Faleceu, igualmente no Porto, em 19 de Março de 2020.

Uma perspectiva mais alargada do seu percurso de vida pode ser obtida com a leitura do documento História de vida de José Fernando Pacheco Coimbra.

Percurso mágico

Em 1960 filiou-se como sócio do CIF (Clube Ilusionista Fenianos / Secção de Ilusionismo do Clube Fenianos Portuenses) onde, segundo as suas próprias palavras, teve na aprendizagem de ilusionismo os seguintes mestres: Professor Marcel, Eduardo Franco e Dr. Pires de Carvalho.

Em 1961 realizou a sua primeira actuação pública. No Boletim MAGIA (CIF) nº 11 (Setembro 1961) é dada notícia dessa primeira actuação de JOFERC (exactamente com esta grafia) no âmbito dos espectáculos promovidos pela agremiação.

Em 1962, culminando a sua reconhecida evolução como ilusionista, é nomeado responsável das escolas para principiantes do CIF. No Boletim MAGIA (CIF) nº 13 (Março 1962) é noticiada tal nomeação. No mesmo boletim já aparece a grafia JOFERK quando são noticiadas as suas actuações em espectáculo promovidos pelo CIF.

Em Junho de 1963, no Boletim MAGIA (CIF) nº 18, aparece a primeira colaboração técnica escrita por JOFERK. No Boletim MAGIA (CIF) nº 20 (Dezembro 1963) é noticiada a atribuição da Insígnia de Competência do CIF a JOFERK.

Em 1965 integra, pela primeira vez, os Corpos Dirigentes do CIF, na qualidade de Tesoureiro, conforme notícia publicada no Boletim MAGIA (CIF) nº 24 (Dezembro 1964). A partir daqui Fernando Coimbra (JOFERK) exerceu diversos cargos dirigentes no CIF e, igualmente, no Clube Fenianos Portuenses, do qual chegou a ser Presidente da Direcção e Presidente da Assembleia Geral.

Em 1973, no colóquio realizado no âmbito do 2º Festival Mágico da Figueira da Foz, apresentou uma comunicação intitulada “Charlatanismo, falsos títulos e a sua aceitação por quem superintende no mundo do espectáculo”, demonstrando que, a par da perfeição da técnica mágica, também tinha preocupação com a ética que deveria ser adoptada pelos ilusionistas.

A sua constante vontade de aprender levou-o a ser um participante assíduo de congressos e festivais de ilusionismo, destacando-se a sua participação nos seguintes Congressos Mundiais de Magia FISM:

1973 – Paris
1976 – Viena
1979 – Bruxelas
1982 – Lausanne
1985 – Madrid
1988 – Haia
2000 – Lisboa
2006 – Estocolmo

Em alguns destes congressos esteve na qualidade de delegado oficial do CIF.

Foi artista convidado de inúmeros festivais e congressos de ilusionismo e organizador de diversos eventos mágicos. Estava sempre disponível para colaborar (como organizador ou actuante) em eventos que tivessem o objectivo de divulgar e dignificar a arte mágica. Também foi membro do júri em diversos concursos de ilusionismo, de que é exemplo o Magicvalongo.

Era um amador de ilusionismo (porque amava a Arte Mágica), mas foi, igualmente, ilusionista profissional em part-time, com inúmeras actuações em todo o país, das quais se destacam as resultantes dos sucessivos contratos nos Casinos de Espinho, da Póvoa do Varzim, da Figueira da Foz e do Algarve.

Prémios e galardões

Os prémios e galardões obtidos em ilusionismo, como em qualquer outra actividade, não têm um valor absoluto, mas apenas um valor relativo, função do tempo e local a que se reportam. No entanto não deixam de ser pontos de referência de um percurso.

Seguidamente se apresentam os prémios e galardões obtidos por JOFERK.

1965 – Torneio de S. João Bosco (realizado no Porto)

1º prémio

1966 – Festival Mágico Internacional da Figueira da Foz

4º prémio – Manipulação
3º prémio – Magia Geral
Melhor mágico portuense

1973 – 2º Festival Mágico da Figueira da Foz

1º prémio – Magia Geral
3º prémio – Cartomagia (de mesa)

1975 – 3º Festival Mágico da Figueira da Foz

1º prémio – Magia Geral
1º prémio – Cartomagia
4º prémio – Invenção
Taça Simpatia (por votação dos participantes)

1977 – 4º Festival Mágico da Figueira da Foz

1º prémio – Magia Geral
1º prémio – Magia Cómica
2º prémio – Cartomagia
1º prémio – Micromagia
4º e 9º prémios – Invenção
1º prémio – Grandes Ilusões
1º prémio – Luz Negra (integrante do grupo mágico Aladinos)

1981 – XI Congreso Mágico Nacional (Espanha - Santander)

Micromagia – 3º prémio

1982 – 6º Festival Mágico da Figueira da Foz

1º prémio – Magia Geral

1986 – 7º Festival Mágico da Figueira da Foz

2º prémio – Magia Geral
2º prémio – Micromagia



Um ano sem Joferk…


Completa-se hoje um ano sobre a morte de Fernando Coimbra e a saudade permanece em todos os que com ele conviveram. Durante os últimos 11 meses coloquei, em posts do Facebook, alguns documentos para o lembrar. 

Pareceu-me apropriado, na passagem do 1º aniversário do seu falecimento, fazer algo diferente para o homenagear. Neste contexto surgiu-me a ideia de criar uma página na Wikipedia para juntar o nome de Joferk aos outros “Ilusionistas de Portugal” aí referenciados. Seria um espaço onde outros contributos poderiam ser acrescentados, de forma a perpetuar a memória do Coimbra numa biografia pública, acessível às novas gerações de mágicos portugueses.

Infelizmente a Wikipedia não me permitiu tal criação, conforme se pode ver pela imagem que, seguidamente, reproduzo.


Questiono-me sobre quais serão mesmo os critérios da Wikipedia quando verifico o nome de certos ilusionistas que “merecem” estar incluídos na mesma.

Perante a impossibilidade de concretizar a criação da página Joferk na Wikipedia, publicarei no próximo post deste blogue o conteúdo com que iria nascer tal página.


sábado, março 06, 2021

De quem será a culpa?



Neste post do Manuel Luís Goucha (colocado no Facebook) o que mais me chamou a atenção foi a frase entre parênteses: "lá vai tempo em que os artistas eram pagos e com toda a justeza já que esse é o seu trabalho" (sic).

E fiz a mim mesmo a seguinte pergunta: "De quem será a culpa?"

E fui analisando várias hipóteses de resposta...

Será culpa do apresentador do(s) programa(s)?... Parece-me que não. O apresentador faz o seu trabalho que é apresentar e nada tem a ver com a contratação de artistas.

Será culpa da produção do(s) programa(s)?... Parece-me que não. Quem no seu perfeito juízo iria pagar por um produto/serviço quando pode dispor de um produto/serviço similar gratuitamente? É evidente que, caso um produtor de TV tal fizesse, arriscava-se a ser despedido com justa causa.

Será culpa do artista que aceita tal situação? Dado que nenhuma das anteriores hipóteses teve resposta positiva, só me resta responder com um SIM a esta terceira hipótese.

Já pensaram que se NENHUM cantor (ou cozinheiro ou ilusionista ou comediante, etc) aceitasse participar nesses programas de TV, o respectivo apresentador teria que estar 2 ou 3 horas a "encher chouriços"? Ou talvez fosse despedido, pois ninguém precisa de um "motorista" para "conduzir um autocarro" quando ele está vazio!

Talvez seja necessário que apareça um novo "Francisco José" para "pôr o dedo na ferida" como foi feito em 1964, conforme se lê aqui.


sexta-feira, fevereiro 12, 2021

Sem CONDE D'AGUILAR há 33 anos...


Completam-se hoje 33 anos sobre a morte (aos 79 anos) de Saúl Fernandes de Aguilar, ilusionista que usava o nome artístico de CONDE D’AGUILAR e que, sem dúvida, era o nome mais conhecido do panorama mágico nacional em meados do século passado, tendo tido, igualmente, uma larga projecção internacional.

Para o lembrar escolhi um cartaz usado para promover espectáculos em França que tem uma particularidade curiosa: o nome artístico está traduzido para francês!



quarta-feira, fevereiro 03, 2021

HÁ 25 ANOS FALECEU HORTINY


Completam-se hoje 25 anos sobre a morte repentina de José Carlos Gomes, conhecido no meio mágico pelo pseudónimo HORTINY. Ele próprio explica a origem de tal nome artístico na biografia que integra o seu livro COCKTAIL MAGIC.

José Carlos Gomes nasceu em Gouveia a 1 de Agosto de 1942 e muito cedo "emigrou" para Angola. Foi aí que, em 1958, nasceu o "mágico Hortiny", numa festa de escuteiros. A partir daí desdobrou-se em inúmeros espectáculos e a sua veia artística explorou outros campos como, por exemplo, o teatro e rádio. Na área do ilusionismo ia construindo os aparelhos que necessitava para as suas ilusões antes de "descobrir" a existência de Martins Oliveira e da Academia Portuguesa de Ilusionismo, da qual passou a ser cliente.

Em 1975 regressou a Portugal continental, passando a residir em Coimbra. Em 1977, puxado pelo Fausto Caniceiro da Costa, participou no Festival Mágico da Figueira da Foz e, a partir desse momento, passou a ser um elemento muito participativo no âmbito da comunidade mágica portuguesa. E tal participação recrudesceu, a partir de 1979, com a criação do seu "HORTINY - MÃOS MÁGICAS ESTÚDIO"

Hortiny foi um mágico eclético (praticava Magia Geral, Grandes Ilusões, Micromagia, Cartomagia e Ventriloquia) premiado em diversos concursos mágicos nacionais e internacionais. Além das vertentes de actuante e "magic dealer", Hortiny destacou-se pela criatividade e originalidade com que procurava dotar os seus trabalhos e pela sua vontade de "remar contra a maré" e publicar livros e revistas sobre magia em português, mesmo sabendo que, à partida, tais projectos eram deficitários.

Como escreveu o saudoso Dr. Jorge Teixeira no Prefácio do livro supracitado:

"Pode gostar-se ou não de Hortiny. No entanto, há um facto que ninguém ignora: A PAIXÃO deste homem pela MAGIA.
Haverá alguns que não concordam com muitas das suas posições e opiniões acerca da nossa arte. Mas há um aspecto insofismável a não esquecer. Hortiny tem sido um trabalhador incansável, produzindo sem parar literatura mágica não só de carácter opinativo ou de magazine, mas também análise e investigação." (sic)

É precisamente esta vertente de Hortiny (a de escritor/publicador) que pretendo relevar, ao listar as seguintes publicações (que foram da sua responsabilidade editorial):

- Cartas Rasgadas e Outros Buracos (Ano: 1986)
- Top Hat Magic - Revista (5 exemplares publicados entre 1986 e 1987)
- Colectânea Mágica (Ano: 1987)
- Cocktail Magic (Ano: 1988)
- Da Carta Dupla (Ano: 1989)
- Outros Mágicos Rumos - Magazine (5 exemplares publicados entre 1991 e 1993)
- Ilusões - Revista (3 exemplares publicados entre 1994 e 1995)

A par das publicações referidas, Hortiny aproveitava a produção de circulares informativas do seu "Mãos Mágicas Estúdio" para as enriquecer com reportagens, opiniões e críticas. Na década 80 esse espaço de opinião e crítica tinha uma presença regular e intitulava-se "A PALAVRA CONTRA O MURO".

Por tudo o que atrás foi dito, percebe-se que a morte de Hortiny aos 53 anos (faleceu em 3 de Fevereiro de 1996) foi prematura, pois ainda havia muito a esperar do seu espírito empreendedor. As circunstâncias da morte de Hortiny estão descritas no artigo intitulado "Hortiny morreu" publicado na Folha Mágica (Boletim Informativo do C.I.F.) de Janeiro/Fevereiro de 1996. 

Em tal artigo é expresso que, no final do espectáculo, "Hortiny estava particularmente feliz" (sic). Mas estaria totalmente feliz? Teria sido uma noite perfeita? Não foi!

25 anos passaram e há memórias que não se apagaram. E, no final da 1ª parte do espectáculo, houve um momento em que, nos bastidores, o Hortiny ficou particularmente agastado. Aconteceu na altura em que Luís de Matos proferiu palavras de agradecimento ao receber o galardão "Mágico do Ano". Nesse breve discurso, Luís de Matos agradeceu a inúmeras pessoas, mas "esqueceu-se" de referir Hortiny.

Para quem se referiu a Luís de Matos como 'o "meu filho" Luís' (Ver Outros Mágicos Rumos nº2 - Pág.4) e escreveu 'Não exagero quando digo que ensinei mais ao Luís que a meu filho Bruno' (Ver Outros Mágicos Rumos nº5 - Pág.31) de certeza que a ingratidão de tal esquecimento tocou bem fundo.

Por tudo o que aqui foi escrito (e pelo muito mais que poderia ser) Hortiny, foi, sem dúvida, um mágico de relevo no panorama mágico português, no último quartel do século XX. A sua morte prematura deixou o ilusionismo português mais pobre. Como forma de singela homenagem deixo seguidamente o video da sua participação televisiva no programa Nunca Mais É Sábado.




UMA MEMÓRIA MÁGICA COM 25 ANOS


Como poderá ser lido na Folha Mágica (Boletim Informativo do C.I.F.) de Dezembro de 1995 o Clube Ilusionista Fenianos decidiu, nesse ano, atribuir três galardões “MÁGICO DO ANO”, em três áreas distintas de intervenção, aos seguintes ilusionistas:

Luís de Matos - Magia de palco

Jomaguy - Close-up

Maik Magic - Prestígio mágico

Em tal notícia também está expresso que os troféus seriam entregues aos “premiados no decorrer da Noite de Gala das Comemorações de S. João Bosco, a realizar no dia 3 de Fevereiro pelas 22 horas, no salão Nobre do Clube Fenianos Portuenses” (sic).

Faz, portanto, hoje 25 anos que subi ao palco do Salão Nobre do Clube Fenianos Portuenses para receber o troféu que a fotografia documenta. Aconteceu no final da 1ª parte da Gala do Festival São João Bosco 1996 organizado pelo C.I.F. (Secção de Ilusionismo do Clube Fenianos Portuenses). Tal como os restantes galardoados, no momento da recepção do respectivo galardão, proferi um pequeno discurso de agradecimento.

25 anos depois lembro esse dia com um misto de alegria e tristeza, pois a lembrança feliz correspondente ao recebimento de tal galardão é abafada pela memória triste do infausto acontecimento ocorrido no final da Gala, a morte súbita do mágico Hortiny. Mas este assunto será objecto do post seguinte, que irei escrever como singela homenagem a José Carlos Gomes “Hortiny”.



segunda-feira, fevereiro 01, 2021

TERÁ SIDO UM SONHO?


Ontem a SIC transformou o seu programa da tarde num “Domingão Especial Magia”. Fico feliz por verificar que a Arte Mágica teve honras de protagonismo num espaço tão alargado de programação. É pena que seja só no Dia Mundial do Mágico… Adiante…

Não vou comentar a escolha dos mágicos (e mágicas) intervenientes nem as respectivas intervenções. Apenas lamento que não tenha havido tempo/espaço para falar de associações mágicas e festivais mágicos, ou seja, no fundo, para falar de magia de forma mais global e abrangente. Mas reconheço que, provavelmente, não era o formato ideal de programa para o fazer.

Até aqui, falei de REALIDADE.

Creio ter lido, no Facebook, um “post” de um mágico que divulgava na hora a referida a emissão da SIC dedicada à Magia. Creio que li num comentário (feito por outro mágico) a esse “post” que a SIC deveria pagar aos artistas.

Hoje, já bem acordado, procurei tal “post” (com o referido comentário) e não o encontrei… 

Terá sido um SONHO?


quarta-feira, janeiro 20, 2021

THE FUTURE



Recebi hoje, dos Estados Unidos, o sinal de que um bom futuro se aproxima... E que bem que ele fica ao lado de boas memórias de um passado recente!

quinta-feira, novembro 19, 2020

TESTE DE CONHECIMENTOS MÁGICOS - AS RESPOSTAS

 

Há alguns meses deixei aqui um teste. Está na altura de revelar as respostas. Aqui vão elas.

Pergunta 1 
Resposta: C - Savil
(Fonte: Jornal de Notícias - 14/10/1983 - pág.6)

Pergunta 2 
Resposta: A - Joy
(Fonte: Notícias da Tarde - 28/12/1982 - pág.22)

Pergunta 3 
Resposta: B - Conde de Aguilar
(Fonte: Correio da Manhã - 22/10/1982 - pág.27)

Pergunta 4 
Resposta: B - Jodivil
(Fonte: A Capital - 17/11/81 - pág.24)

Pergunta 5
Resposta: B - Prof. Karma
(Fonte: Jornal de Notícias - 14/10/1973)

Pergunta 6 
Resposta: C - O Grande Zény
(Fonte: Jornal de Notícias - 20/12/1985 - pág.27)

Pergunta 7 
Resposta: C - Great Herby
(Fonte: Jornal do Incrível - 3/11/1987 - pág.12)

Pergunta 8 
Resposta: D - Luís de Matos
(Fonte: TV Guia nº832 - 14 a 20/1/1995)

Pergunta 9 
Resposta: D - Anork
(Fonte: Nova Gente - 22 a 28/12/1993)

Pergunta 10 
Resposta: A - Maik Magic
(Fonte: Sete nº842 - 5 a 11/10/1994)

Pergunta 11 
Resposta: D - Damião
(Fonte: Nova Gente - 18/10/1989)

Pergunta 12 
Resposta: A - Luís de Matos
(Fonte: O Público - 14/8/1993 - pág.23)

Pergunta 13 
Resposta: B - Paul Daniels
(Fonte: TV Guia nº709 - 5 a 11/9/1992)

Pergunta 14 
Resposta: C - Rovit
(Fonte: TV Guia nº507 - 22/10/1988 - pág.36)

Pergunta 15 
Resposta: A - Mr. Lapin
(Fonte: TV Guia nº507 - 22/10/1988 - pág.35)

Pergunta 16 
Resposta: A - David Copperfield
(Fonte: TV Guia nº512 - 26/11/1988 – pág. 43)



domingo, novembro 01, 2020

UMA VERGONHA...


É uma VERGONHA o que acabo de ver no Primeiro Jornal da SIC. 

Parece impossível que façam uma reportagem sobe o ÚNICO mágico português que conseguiu sagrar-se Campeão Mundial de Magia (FISM 2006) e NÃO consigam saber, sem qualquer sombra de dúvida, o respectivo nome correcto!... 

É uma VERGONHA referirem-se ao Helder Guimaraes como Helder Rodrigues! Uma total FALTA DE RESPEITO pelo entrevistado e FALTA DE PROFISSIONALISMO dos jornalistas responsáveis por tal ERRO COLOSSAL!... 

E nem sequer podem desculpar-se com o facto de ser uma peça jornalística de última hora. Como pai do Helder Guimaraes sei que a entrevista foi gravada há mais do que uma semana!

Aqui deixo a gravação de tal reportagem.


Entretanto, a reportagem apresentada online na SICNotícias foi encurtada para suprimir os erros detectados, conforme pode ser visto aqui.


segunda-feira, outubro 19, 2020

MÁGICO DO PORTO SURPREENDE HOLLYWOOD


Este foi o título da notícia (que pode ser lida aqui) da autoria de João Tomé publicada online pelo JN, ontem às 21:56. Seguidamente reproduzo, com a devida vénia, tal conteúdo.

Mágico do Porto surpreende Hollywood


Foi na madrugada de sábado para domingo que Hélder Guimarães, originário do Porto, mas a trabalhar na Califórnia, fez história no mundo da magia.

Com o seu espetáculo "O presente", transmitido através da plataforma Zoom, conseguiu ter 6250 famílias a assistir e a pagar bilhete: 43 euros para os que receberam previamente em casa uma caixa de magia, ou 21 euros para quem não queria interagir, mas apenas assistir.

Com dois óscares da magia no currículo e fãs absolutos vindos de Hollywood - de JJ Abrams a Helen Mirren, passando por Neil Patrick Harris, Ryan Gosling e Woody Allen -, Hélder Guimarães concluiu esta madrugada o espetáculo "The Present" ("O presente"), que criou para tempos de pandemia, com mais de 6250 pessoas a assistir e interagir ao vivo, em direto e online.

O que é que podemos aprender com a pandemia e com a quarentena e distanciamento social que tem sido necessário? O espetáculo de Hélder Guimarães, o mágico do Porto que tem espantado Hollywood e os EUA em geral há alguns anos, dá várias respostas, mas surge também como prova que os espetáculos (de teatro, magia e companhia) podem sobreviver, reinventar-se e distinguir-se também no formato online. Basta um pouco de criatividade, um público atento e sedento por algo que o surpreenda e, claro, várias pitadas de magia.

Criado durante a pandemia

O mágico português criou em abril - e tendo a pandemia e a quarentena como ponto de partida -, o espetáculo online "The Present". Inicialmente era feito a pensar no público da Califórnia, onde reside e trabalha há já alguns anos - já fez inclusive consultoria em magia para séries de TV e filmes (ensinou alguns truques a Sandra Bullock e Cate Blanchett em Oceans 8). Depois alargou para o resto dos EUA e, mais tarde, para o resto do mundo.

O espetáculo, para ser interativo (com participação do público) e íntimo, costuma ter só 25 participantes que recebem por correio uma caixa com artigos para eles próprios fazerem magia nas suas casas. Depois de mais de 250 espetáculos feitos online, a partir da sua casa em Los Angeles e de centenas de elogios de críticos reputados dos principais jornais dos EUA e de atores e realizadores famosos em Hollywood, "The Present" teve o seu último espetáculo este sábado (madrugada de domingo em Portugal).

E o Grand Finale teve uma novidade também ela criativa. Para além dos 25 participantes por Zoom, foram vendidos bilhetes para uma versão com transmissão de streaming em direto com duas modalidade: os que receberam também no correio uma versão mais pequena da caixa mágica, para fazerem magia nas suas casas (preços a rondar os 50 dólares/43 euros), e aqueles que compraram bilhete já em cima da hora só para ver o espetáculo sem adereços incluídos (bilhetes a 25 dólares/21,3 euros, neste caso).


Resultado? Mais de 6250 casas de família (já que em cada janela de Zoom víamos casais e famílias inteiras a assistir) espalhadas por todo o mundo - o espetáculo é em inglês - estiveram sintonizadas online a ver e participar (quem tinha o kit). Isto além dos 25 que puderam interagir e tentar influenciar a magia de Helder Guimarães (alguns dos participantes nesta última sessão eram atores e argumentistas de séries da moda nos EUA).

Cartas são a especialidade do portuense


O portuense, que se considera um mágico alternativo, até porque a sua área de especialidade são as cartas (ganhou dois Óscares da magia nessa categoria), dá um espetáculo bem mais amplo do que golpes de mestre de magia que surpreendem e deixam atónitos, de boca aberta e, em alguns casos com as mãos na cabeça, o seu público. Hélder mistura stand up comedy, com introspeções pessoais que acertam em cheio no bizarro presente que todos vivemos em pandemia - é dirigido pelo famoso produtor e realizador Frank Marshall, parceiro de Steven Spielberg em várias produções.

O performer português toma como ponto de partida a sua vida, quando aos 11 anos ficou em isolamento após um acidente que o deixou uns dias em coma e, confinado em casa por ordem do médico, acabou por se relacionar como nunca com o seu peculiar avô. É assim que começamos a perceber que este não é só um espetáculo de magia surpreendente e incrível, é também um espaço que nos deixa várias reflexões humanas pertinentes sobre o momento pandémico que vivemos e o que podemos tirar dele.

A lição final talvez seja mesmo que devemos usar o distanciamento físico necessário e a quarentena para expandir os nossos horizontes, ligarmo-nos a quem nunca nos tínhamos ligado e aprender algo que nos será útil para o resto da vida. Uma espécie de carpe diem, do Clube dos Poetas Mortos, versão mágica e de tempos de pandemia.


O lado mágico é mais difícil de descrever por palavras, já que tantas vezes são as emoções e entusiasmo que acaba por surgir. Em primeiro lugar há as interações com os 25 participantes por Zoom, que tentam tomar decisões para ver se dificultam as várias tarefas mágicas de Hélder - cujas reações vamos vendo e também enriquecem o espetáculo (um bom trabalho de realização, mesmo por Zoom, da organização - que é do famoso Geffen Playhouse, de Los Angeles). Depois, mesmo os restantes 6250 que veem tudo em streaming em direto - neste caso, os que têm o kit enviado por correio - também têm o seu espaço para ver magia acontecer nas suas próprias mãos, nomeadamente com algumas cartas que foram enviadas e acabam rasgadas por um motivo 'mágico' (só custa é no início rasgar cartas bem bonitas por sinal).

No final, com o "The Present" entregue e finalizado - mais de 250 espetáculos esgotados depois e três extensões de datas -, sobrou tempo para anunciar o "The Future" ("O futuro"), o próximo espetáculo por Zoom de Hélder Guimarães, com data marcada já para 4 de dezembro. E que promete, sem surpresa, abordar o futuro - as surpresas, como sempre, ficam para a performance.


Acabou THE PRESENT. Segue-se... THE FUTURE!


"Pode um espectáculo online vender 6250 bilhetes? Mágico do Porto surpreende Hollywood e o mundo" é o título da peça jornalística publicada po Dinheiro Vivo, que pode ser lida aqui.


quinta-feira, outubro 15, 2020

Documentário sobre PEPE CARROLL


Eis o anúncio da estreia do documentário realizado sobre PEPE CARROLL.


quarta-feira, setembro 16, 2020

terça-feira, agosto 25, 2020

THE PRESENT: A Grand Finale for Everyone



No próximo dia 17 de Outubro será realizada a última apresentação do espectáculo de Helder Guimarães, THE PRESENT.

Dado que, nos sucessivos prolongamentos da temporada, o espectáculo esgotou todas as sessões em menos de um par de horas, muitos potenciais espectadores ficaram sem possibilidade de assistir a tal espectáculo. Por isso esta última apresentação (anunciada hoje) terá características diferentes pois permitirá ter muitos espectadores a assistir de qualquer canto do mundo.

Mais informações podem ser vistas aqui.


sexta-feira, agosto 07, 2020

Faleceu GER COOPER


Faleceu ontem GER COOPER, mágico que, em 1979, vi sagrar-se Campeão Mundial de Magia e Grande Prémio FISM com o seu excelente número de manipulação. 

Foi, talvez, a par de TOMMY WONDER, o último expoente de qualidade da consagrada escola mágica holandesa. Paz à sua alma.

Em jeito de homenagem aqui deixo a gravação do seu número ganhador.


sábado, agosto 01, 2020

ESTOCOLMO 2006



Há 14 anos fez-se história em Estocolmo. 

Foi precisamente, no dia 1 de Agosto de 2006, que Helder Guimarães pisou o “palco” da FISM, concorrendo na disciplina de MAGIA COM CARTAS. E foi essa impecável actuação que lhe permitiu arrebatar o 1º lugar nesse concurso e sagrar-se o mais novo CAMPEÃO MUNDIAL DE MAGIA COM CARTAS de sempre. 


E, até hoje, tal facto continua a ser verdade… Tal como continua a ser, até hoje, o ÚNICO mágico português a quem foi outorgado um título de Campeão Mundial de Magia.


Nestes 14 anos, Helder desdobrou-se em projectos diferentes, onde procurou sempre deixar a sua marca. Realço os diversos espectáculos que deliciaram plateias esgotadas (“Nothing to Hide”, “Verso”, “Borrowed Time”, “Retrato Clandestino”, “Invisible Tango”, etc.) e a partilha da sua filosofia artística com a comunidade mágica, através dos DVD “Small Miracles” e “Red Mirror” e dos livros “Reflections” e “Secret Language - Vol.1”.


Mas tudo isto é passado. E, no presente, Helder Guimarães está a disfrutar um merecido êxito com o espectáculo THE PRESENT, ao ver a temporada ser sucessivamente prolongada por “exigência” do público. 
E, com uma carreira assim tão sólida, só se pode esperar que o futuro continue a ser brilhante.

segunda-feira, junho 29, 2020

O POEMA


Na entrada anterior deste blogue fiz referência a um poema rabiscado num guardanapo de papel que encontrei abandonado numa das mesas da esplanada do Café Bom Dia.  Tal como referi, o respectivo título captou a minha atenção e, por isso, o guardei para leitura atenta posterior. Para satisfação da curiosidade dos meus leitores, aqui deixo a transcrição de tal poema.

CONFISSÃO DE UM... COBARDE

Esta minha confissão
Qu’ aqui deixo com alarde
Não tem direito a perdão,
Pois sou um triste cobarde!

A coisa par’cia preta
Pois p’ra rimar com magia,
Como poeta da treta,
Eu só encontrei... bom dia.

Assim nasceu, pois, o título
Duma crónica foleira,
Que mostrou ser um capítulo
Ond’ escrevi muit’ asneira.

Não foi, porém, minha culpa,
Nem sequer foi “overdose”.
Acreditei, “mea culpa”,
No que diss’ o Meia Dose.

Fiz, pois, papel de palhaço,
A verdade é nua e crua,
Quis fazer estardalhaço,
Agora nem saio à rua.

Mais valia estar calado
Do que armar-me em Rui Pinto,
Pois fiquei bem entalado
E só me chamam... Rui Minto!

                    Autor: Cobarde anónimo 

segunda-feira, junho 22, 2020

E O JN JÁ ESTAVA ESGOTADO!...


Hoje, fui, mais uma vez, tomar o meu cimbalino matinal ao Café Bom Dia. Antes de me sentar numa mesa da esplanada que, estranhamente, estava totalmente vazia, passei pelo quiosque para adquirir o habitual JN. E qual não foi o meu espanto ao verificar que o JN já estava esgotado!

Não havia nada a fazer. Tomei o meu café descansadamente, desejando, secretamente, que os meus amigos Serafim e Afonso aparecessem, como era habitual. Já que não havia JN para ler, sempre haveria uma conversa entre Serafim e Afonso para escutar... E como essas conversas são interessantes!...

Mas, definitivamente, hoje não era o meu dia da sorte: Serafim e Afonso tardavam em aparecer. Decidi, então, levantar-me e ir pagar a despesa ao balcão, pois o empregado de mesa parecia ter-se eclipsado. Nesta viagem entre mesas vazias da esplanada, reparei num poema rabiscado num guardanapo de papel que estava abandonado numa delas. Peguei, maquinalmente, no guardanapo, dei-lhe uma olhadela e, como o título do poema era muito sugestivo, dobrei o guardanapo e meti-o no bolso, para uma leitura posterior mais atenta.

Após a despesa paga, saí do Café Bom Dia e rumei ao quiosque do Café Velasquez em busca do JN. Ao passar pela respectiva esplanada deparei, com espanto, que ali estavam, em amena cavaqueira, o Serafim e o Afonso. Dirigi-me a eles, não só para os cumprimentar, mas também para satisfazer a minha curiosidade quanto às razões da mudança de “poiso habitual”.

Afonso não se fez rogado e elucidou-me:

- É verdade, Jomaguy, decidimos mudar de ares... O ar do Bom Dia andava a ficar um bocado poluído... A presença duma certa “geração youtube” que se dá com (e aprova comportamentos de) vigaristas, oportunistas, lambe-botas e quejandos estava a tornar o ar do Bom Dia “irrespirável”. Estamos muito melhor aqui... Pelo menos, por enquanto...

Agradeci o esclarecimento e, após mais algumas palavras de circunstância, despedi-me e entrei no Café Velásquez para me dirigir ao respectivo quiosque. Comprei o JN e saí, passando perto de Serafim e Afonso, que, inevitavelmente, tinham retomado a sua amena cavaqueira. Apenas pude perceber uma frase solta de qualquer contexto, dita por Serafim:

- Pois é como te digo, Afonso, esses meninos não passam do que eu designo por “desperdícios dos espermatozóides paternos”...

No caminho até casa, fui pensando na frase ouvida e no quanto ela tem de verdade em casos que eu conheço de ginjeira. Chegado a casa, calcei as pantufas, sentei-me e embrenhei-me na leitura do JN.
 
Quanto estava quase a terminar a leitura do JN, uma ideia invadiu a minha mente.... O poema... Ainda não tinha lido o poema... Meti a mão ao bolso em busca do guardanapo rabiscado... Nessa altura, a minha mulher chamou-me para ir almoçar... Mais tarde, teria tempo para o poema... O “Bacalhau à Luís de Matos” é que não podia esperar!

P.S.: Portanto, os leitores desta crónica vão ter que esperar uns diazitos antes de lerem o poema... Convém manter os leitores em “suspense”...

sexta-feira, junho 19, 2020

Será Arte?...


Verdade incómoda publicada na newsletter de PASTOMAGIC, que, com o devido crédito, aqui publico.




quarta-feira, junho 17, 2020

DESFAÇATEZ, FALTA DE ÉTICA E “LAPSUS LINGUAE” PARCIAL DE LUÍS DE MATOS


No passado dia 13 de Junho, Luís de Matos (LM) foi entrevistado para o programa N’AGENDA do Porto Canal a propósito da “sua” mais recente criação: o Drive-In!... (Nota: o programa N'AGENDA pode ser visto aqui). Têm sido inúmeras as entrevistas que LM tem dado para promover esse projecto, mas foi a primeira vez que o vi abordar, igualmente, um outro projecto: o “Luís de Matos ZOOM”.

Vamos por partes. A edição do N'AGENDA dividiu a entrevista a LM em quatro partes, que foram apresentadas separadas por blocos de informação que divulgaram outros projectos. Nas três primeiras partes da entrevista tivemos o habitual LM, seguro de si e fluente na exposição do que pretendia transmitir, mas, na quarta parte da entrevista, apareceu-nos, em certos momentos, um LM muito diferente: titubeando, gaguejando e engolindo em seco algumas vezes. Qual seria a razão de tal desconforto? Não tenho dúvida nenhuma que a razão desse desconforto teve a ver com o tema tratado: o "Luís de Matos ZOOM".

Em 21 de Maio de 2020, LM anunciava, na sua página de Facebook, o "Luís de Matos ZOOM" nos seguintes termos:
 “Luis de Matos ZOOM”, um formato que inaugurámos no início deste mês e que nos permite estar perto... à distância. Fundamentalmente dirigido às empresas que gostam de estar próximo dos seus colaboradores e clientes, seja pela via da motivação ou do entretenimento. Absolutamente costumizável, faz acontecer a magia através do ecrã somando-lhe a tridimensionalidade que lhe falta. Dias antes, cada participante recebe todos os elementos físicos que contribuirão para uma experiência mágica, plena e original. A emissão, em directo do Estúdio33, com recurso a multi-camara e disponível em múltiplas plataformas, está desenhada para ser vivida por um conjunto de espectadores individuais ou em grupo. Com 25 anos de experiência na área dos espectáculos corporativos, estamos preparadas para tornar cada “Luis de Matos ZOOM” em algo pessoal e intransmissível...

Em 22 de Abril de 2020, ou seja, um mês antes, Helder Guimarães tinha anunciado, na sua página Instagram, o seu novo espectáculo (“THE PRESENT”) nos seguintes termos:
I so excited to announce this. I will return to Los Angeles' Geffen Playhouse—virtually—for the world premiere of my newest show “The Present”. Directed by Oscar nominee Frank Marshall (Jurassic World, Indiana Jones), this live, interactive online show marks the first full-length production of the Geffen Stayhouse initiative. “The Present” will take place virtually via a secure online platform with a maximum of 25 participants per show. Each participant will be mailed a sealed mystery package in advance, the contents of which will only be revealed during the course of each performance, as the story unfolds.
Do you want to experience MAGIC right now, in your own house and in your own hands?

Portanto, no passado dia 21 de Maio, toda a gente percebeu que LM tinha copiado o formato de espectáculo online criado por Helder Guimarães. Ou seja: DESFAÇATEZ e FALTA DE ÉTICA.

Se lermos com atenção o texto de divulgação do "Luís de Matos ZOOM", verificamos que não refere, em nenhuma passagem, que o formato é criação sua. A utilização da expressão  “um formato que inauguramos” (em vez de “um formato que criamos”, que, seguramente, seria usada caso fosse essa a realidade) pretende passar a ideia que tal formato é algo corrente e convencional. E não é, pois trata-se de um formato criado por Helder Guimarães com o espectáculo "THE PRESENT", cujo sucesso é inegável (Nota: a terceira extensão da temporada inicial esgotou em cerca de uma hora).
Agora, na quarta parte da entrevista supracitada (que começa por volta do minuto 18:21), poderemos ouvir LM dizer o que seguidamente se transcreve (Nota: apenas transcrevo o que considero relevante para a comparação da cópia com o original):

[...]
E, quando pensamos nisso, encontramos soluções verdadeiramente diferentes.... Aaah... Inventamos esta ideia do Drive-In para espectáculos ao vivo.... Aaah... Mas também criamos outras coisas, outras coisas que eu tenho feito e que não estão debaixo do escrutínio do público em geral... Aaah... Mas, hoje mesmo... Aaah... Tenho duas situações dessas que é...
Nós co... desenhamos uma experiência, um espectáculo, que se chama "Luís de Matos ZOOM"... e que é dedicado...  dedicado ah... eh... a empresas...
[...]
E o que fizemos foi nada mais nada menos do que aah... criar uma espécie de um mini-cenário em que aaah... conseguimos fazer a magia acontecer através do ecrã... E fomos um bocadinho mais longe...
[...]
Eu não tinha pensado falar sobre isso... olhei para ali e vi que tava ali... É só para... É só para te... dar este exemplo... que é... Aaaah... o Luís de Matos Zoom Aaaah... é esse formato que nós criamos.... e que no fundo Aaaah...   fizemos aaaah.... a...a...adaptamos o mais possível à... a... à... à... situação que estamos a viver.
Então... todas as pessoas que participam no "Luís de Matos ZOOM" nós enviamos por correio primeiro uma caixinha... esta caixinha tem uma série de coisas que são costumizáveis...
[...]
E isto é enviado com antecedência para as pessoas... as pessoas abrem só no momento em que estão em directo comigo e nós fazemos à distancia com q... fazemos com que a magia aconteça nas casas das pessoas... nos seus escritórios... onde estão a fazer teletrabalho...
[...]

O LM sabe que copiou descaradamente o formato do espectáculo do Helder Guimarães. E agora a DESFAÇATEZ e a FALTA DE ÉTICA aumentam exponencialmente quando se afirma criador do mesmo.

Não tenho dúvida nenhuma que, se o LM estivesse a pensar neste formato em 22 de Abril (quando o Helder Guimarães  anunciou o espectáculo "THE PRESENT"), desde logo viria a público publicitar o  "Luís de Matos ZOOM". Mais ainda... Não tenho dúvida que se, no momento que apareceu o anúncio feito pelo Helder Guimarães, o LM achasse que lhe interessava copiar o formato, viria, no imediato,  publicitar o seu projecto, afirmando que já estava a trabalhar nele. É, para mim, evidente que só algum tempo mais tarde o LM teve a certeza que lhe interessava copiar o formato criado pelo Helder Guimarães.

Mas, por vezes, o subconsciente é levado da breca e é capaz de trair o mais pintado. E foi precisamente isso que aconteceu nesta entrevista do LM ao Porto Canal. Conforme está transcrito acima, a certa altura da entrevista (por volta do minuto 19:21), o LM disse:
“Nós co... desenhamos uma experiência” (sic)

Não tenho dúvida que o subconsciente do LM é muito mais ético do que o seu consciente e que o estava a empurrar para dizer a verdade, ou seja: “Nós copiamos uma experiência”.

O “lapsus linguae” não foi completo, mas a evidência está lá, sem qualquer sofisma.



terça-feira, junho 09, 2020

RECORDAR É VIVER...

 

Escolhi o título "RECORDAR É VIVER" para este post que reproduz o post colocado hoje pelo Helder Guimarães na sua página do Facebook.


This was me. This was a performance in the final Gala before I received the trophy for World Champion of Card Magic. What people don’t know, and I thought it might be interesting to share, is that this routine (here edited by the TV Production company and not fully displayed) was quite controversial at the time. Not only it fooled the big majority of the magicians that were attending the convention but also part of the judging panel, composed by renowned magicians and that most didn’t know who I was. They thought that the person helping me was a stooge. And, if that was the case, I needed to be disqualified from the possibility of getting that award, and the title. Not many times in the history of magic this happened, but there was a precedent with the great Lennart Green, that in 1988 fooled everyone due to his unique strategies and techniques, and without any questions, was disqualified. Three years later, after that injustice, he came back as was crowned World Champion of Card Magic. In my case, there were two people in the jury panel that knew my work from before and knew that I would not use such a low tactic ever. Those were Camilo Vazquez and Roberto Giobbi, that have known me since I was probably 8, and 11 years old respectively. But, because there is never a certainty with these things, and not wanting to make the same past mistake, the judging panel nominated a representative of the FISM committee, sir Gerrit Brengman, to talk with me about this matter.

I still remember this conversation, like it was today. Gerrit Brengman explained to me that I had a good score but that some judges wanted to disqualify me because they couldn’t figure out how I achieved what I achieved. And that I had two options: one, I could trust him my with my secret, and he would let the judges know that it was indeed not a stooge. Or, I wasn’t forced to explain anything, but my score would suffer from that. Not many people knew or know today the secret of my act, maybe a handful of magic friends. But once magicians (and some lay-audiences) are faced with uncertainty, the easy way out is to assume it was a stooge. So, I made a decision of adding Gerrit Brengman to the shortlist of people with whom I shared the secrets behind the full act. I went into detail about how certain moments were accomplished and even invite him to witness the backstage perspective. He knew at the time and still knows, the amount of thought that went into developed those impossible moments I wanted to perform, and that none of them was accomplished with a stooge, for me the lowest of all "methods" in magic on par with camera tricks. He went over to the judging panel, and guarantee them that the performance was legit and that my score should not be affected. 

On August 6th, 2006, I had to repeat that same act with only 23 years, 8 months, and 21 days in front of the biggest crowd of magicians that I have ever performed for. This time, the judging panel decided who would be the spectator to interact with me on stage, to guarantee she wasn't a stooge. This is me, on that day, performing that act again. In the end, I received a standing ovation and also the title of World Champion of Card Magic, becoming the youngest ever to receive that award. I still love this act, and it holds such a special place in my heart. It represents 6 years of working towards one specific goal. Today, I understand that every second studying magic during those 6 years counted for all those things I have done since there and that, hopefully, I’ll keep doing in the future.

The way we choose to spend our time affects the outcome of certain events in our lives, and the only people that will never understand are the ones that are not willing to spend that time to create something unique and personal. That honest approach to the work is the quality I most admire in my peers and in other artists I follow. Without that commitment, any work rendered is pointless. This was me, without life experience, expressing an ideal of life I had at the time and that I believed in. Today, I still believe in it. It is good to be reminded that, although I would probably not dress like in the video again, I am still the same person I was. So much changed in my life since that moment till today, but knowing your roots is always a good way of keeping your soul intact. I am not an exoterical person, but I do believe that the universe balances things out and that if you put something positive you will be rewarded in much more than just money. On that day, the real reward was not the title of World Champion of Card Magic. It was seeing my all-time magic idol Juan Tamariz,  the person that made me want to be a professional magician who also was a World Champion of Card Magic, walk towards me in the middle of a sea of people and expressing his sincere congratulations for my act. Life is beautiful. 


segunda-feira, junho 08, 2020

THE PRESENT "extended by popular demand"


Mais uma vez o espectáculo THE PRESENT de Helder Guimarães foi "extended by popular demand" (sic). A temporada irá, portanto prolongar-se até 10 de Outubro de 2020. E haverá datas internacionais.

Vale a pena registar, sem adjectivos, que a temporada inicial de 4 semanas (7 de Maio a 7 de Junho) esgotou em menos do que duas horas, que a primeira extensão até 5 de Julho (mais 4 semanas) esgotou em menos do que uma hora, que a segunda extensão até 16 de Agosto (6 semanas) esgotou em 26 minutos e que, ao finalizar a temporada inicialmente prevista, é anunciada uma terceira extensão até 10 de Outubro (8 semanas).


quarta-feira, junho 03, 2020

MÁGICO PORTUGUÊS BRILHA NOS EUA COM ESPETÁCULO POR ZOOM


Este é o título da notícia da autoria de João Tomé publicada ontem às 20:40 na edição online do Diário de Notícias e que pode ser vista aqui. Seguidamente reproduzo, com a devida vénia, tal conteúdo.

Mágico português brilha nos EUA com espetáculo por Zoom

Pode um espetáculo por Zoom em tempos de pandemia ter sucesso? Mágico português está a surpreender a América com The Present, uma performance de magia feita a partir de sua casa que já maravilhou JJ Abrams e várias celebridades de Hollywood e conquista os críticos de New York Times e companhia.


É um dos mágicos mais respeitados e premiados a nível mundial e os seus espetáculos há já vários anos são acompanhados com atenção por alguns dos maiores atores e realizadores do mundo de Hollywood. Helder Guimarães vive e brilha nos Estados Unidos desde 2012, já fez espetáculos em Los Angeles - onde vive - e na chamada off-Broadway até foi um dos dois portugueses (o outro foi António Damásio) que participou no principal evento anual das TED Talks.

Agora, já em 2020 e em pleno confinamento devido à pandemia do novo coronavírus, criou um espetáculo pensado para o período de isolamento que vivemos não só na história e magia que tem, mas também na forma como é experienciado.

Chama-se The Present, estreou a 7 de maio e foi criado para a Geffen Playhouse, em Los Angeles, num formato "online", ao vivo a partir da sua casa e com direção artística do realizador Frank Marshall - que dirigiu Indiana Jones, Parque Jurássico e companhia.

Em vez de uma sala, o público está nas suas casas e vê (e participa) através da plataforma de videoconferências Zoom. O espetáculo permite ser visto por 25 domicílios - acabam por ser mais pessoas, já que cada casa pode ter vários a assistir. Os participantes, eles próprios, participam na magia e vêm muitas das surpresas acontecer na sua própria casa e nas suas próprias mãos. A ajudar está uma caixa de Helder envia por correio aos participantes onde, entre outros objetos, está um baralho de cartas.

O experiente mágico explica como é possível conseguir "ter sucesso a surpreender o público mesmo por videoconferência". Depois de algumas performances já feitas - são duas por dia, com descanso há segunda-feira, e mais alguns espetáculos privados -, Helder admite-nos que esta será uma solução que poderá manter como alternativa no futuro, mesmo quando as salas começarem a voltar ao normal.

O mágico português, que adora misturar ilusão, humor e alguma filosofia nos seus espetáculos, explica que teve de mudar o cenário habitual, para um formato mais pequeno já que usou a sua própria casa em vez da sala. "Os técnicos do Geffen Playhouse [um espaço icónico de peças de teatro em Los Angeles e que são os organizadores] montaram tudo com alguma segurança e prepararam tudo de forma a que não precisassem de voltar cá para cada performance", diz-nos Helder.

A ideia para o espetáculo surgiu do próprio período de isolamento. Aos 11 anos Helder foi atropelado, teve um ataque epilético e teve de ficar isolado em casa durante um mês (foi assim que ficou mais próximo do seu avô). Daí começou a montar "em tempo recorde" a história e as ilusões, com a ajuda do experiente Frank Marshall, com quem já tinha trabalhado noutros espetáculos e que estava com tempo até porque a produção do próximo Mundo Jurássico foi cancelada.

É a namorada de Helder que filma todos os espetáculos e, o que estava previsto ser performance para durar um mês já foi estendido até agosto. Os bilhetes esgotaram em alguns minutos no site do Geffen, custam a partir de 80 dólares e cada ingresso inclui a tal caixa. Para já, até por questões relacionadas com os correios, o espetáculo é só para os EUA, mas o facto de ser em modo virtual permite internacionalizar de forma mais fácil e esse é um dos objetivos para os próximos tempos - Portugal incluído. Isso e poder gravar algumas sessões para posterior publicação, embora Helder explique que se perde algo "por não haver nos vídeos o elemento de interatividade".

Na versão mais longa da entrevista, o mágico português admite que já recusou ter o seu próprio programa televisivo nos EUA por não sentir que fossem as propostas certas, com o controlo criativo adequado. Além disso vê a possibilidade de fazer algo para a Netflix com bons olhos.

A ideia de fazer um espetáculo interativo por Zoom é pioneira e Helder acredita que os espetáculos, nomeadamente no teatro ou na magia, "se devem reinventar nos próximos tempos" já que esse pode ser "um modelo de negócio", mesmo que sinta falta "da interação do público numa sala".

Críticas "mágicas" dos principais jornais nos EUA

As críticas que tem recebido nos EUA, nomeadamente em Los Angeles, são verdadeiramente promissoras para o talento português. Helder Guimarães está habituado a elogios da imprensa até noutros espetáculos seus, do New York Times ao Los Angeles Times. Apesar da originalidade de um espetáculo virtual, The Present não foi exceção. Reproduzimos algumas das palavras de críticos conceituados nos EUA sobre o novo espetáculo:

Los Angeles Times

"Guimarães é um mágico com que Jorge Luis Borges poderia ter sonhado. Um contador de histórias com ar filosófico e um sotaque de onde não conseguimos localizar" ; "É o mais próximo que estive de uma sala de teatro desde que a pandemia fechou tudo" ; "The Present tem o seu mais potente encanto ao transformar o estranho em familiar (...) Mesmo a ver sozinho pelo Zoom, eu estava novamente junto com a minha tribo, grato por estar ligado aos encantos".

The New York Times

"O que sei é que depois da meia noite, no meu portátil, Guimarães ia virando uma cartas com nomes, primeiro uma, depois outra, depois outra, até que cada janela [da videoconferência] mostrava um ou mais espectadores coletivamente a perderem a cabeça com o som em mute. Não sei como ele conseguiu. E pela primeira vez em muito tempo, não saber algo [referência à incerteza da pandemia] soube muito bem".

The Washington Post

"Este espetáculo de magia por Zoom entrega uma caixa em casa. Depois explode a nossa mente". O espetáculo de magia ao vivo por Zoom dura uma hora e 10 minutos, mas a sua capacidade para juntar encantos parece infinita. Não faço ideia como Helder Guimarães, o português virtuoso das cartas que concebeu esta produção digital sensacional para o Geffen Playhouve, consegue fazer o que faz. E espero nunca saber".

Variety

"Os ilusionistas são famosos por desviar a nossa atenção, distraindo-nos com uma mão enquanto a outra executa o truque. Olhando bem pelo ecrã, temos uma visão clara e bem iluminada das mãos de Guimarães o tempo todo. Mas ele ainda assim consegue-nos surpreender, concentrando a nossa atenção na magia enquanto o centro emocional do espetáculo - histórias de esperança na infância e de conexão humana servem para unir o público - se vai aproximando de nós. Talvez a magia possa derrotar o covid, afinal."

Um português à conquista da América

Helder Guimarães ganhou uma dimensão de estrelado nos Estados Unidos com espetáculos de magia que incluem comédia e storytelling. Não só tem como fãs do seu trabalho personalidades do meio artístico de Hollywood como JJ Abrams (com quem já falou várias vezes e que já lhe ligou a dar os parabéns pelo novo espetáculo por Zoom), Barbra Streisand, Jack Black ou Steve Martin, como já teve o ator e produtor Neil Patrick Harris a dirigir alguns dos seus espetáculos, bem como o realizador de Parque Jurássico e Indiana Jones, Frank Marshall.

Um currículo impressionante a que o portuense de 37 anos, Helder, junta dois dos chamados óscares da magia em 2012 e 2013 - foi o primeiro mágico a vender dois Parlor Magician of the Year e também conta com um prémio Ascanio.

Desde bebé que o pai lhe incutiu a paixão da magia e das cartas e aos 12 já participava em competições de magia. Já foi consultor em produções da NBC, Disney e Warner - sobre várias não pode falar por ter assinado acordos de exclusividade.

E em 2018 deu "lições" de magia a Cate Blanchett e Sandra Bullock para as preparar para o filme Ocean"s 8.


sábado, maio 30, 2020

PENSAMENTO DO DIA...


Um vigarista é e será sempre um vigarista!... No entanto se lhe dermos ouvidos, vai conseguir contar-nos uma história capaz de "fazer chorar as pedras da calçada"... Com um pouco de jeito, no final, ainda lhe vamos ficar a dever dinheiro!...

OS PALERMAS DA SILVA


(Nota introdutória: Com o meu pedido de desculpas, por falta de melhor inspiração, a todos os meus amigos de apelido Silva)

Durante muito tempo a taxinomia da palermice dividia o grupo dos palermas em dois sub-grupos cuja nomenclatura era “Palermas Estúpidos” e “Palermas Ignorantes”. E era fácil distingui-los, no dia a dia.

Portanto havia os palermas cuja palermice vinha à tona quando o seu QI não lhes permitia ser outra coisa senão palermas e havia os outros, os que eram palermas apenas porque a respectiva ignorância acumulada em doses industriais ao longo de anos os levava, também, para o campo imenso da palermice.

O advento da internet e a disseminação das redes sociais levou ao aparecimento de um novo sub-grupo de palermas. Não são “Palermas Estúpidos”, pois o seu QI é elevado, nem são “Palermas Ignorantes”, pois são detentores de amplos conhecimentos sobre as mais diversas matérias.

Não existe um verdadeiro nome para este terceiro sub-grupo de palermas, pois chamar-lhes, simplesmente, “Palermas” é demasiado redutor quanto às inúmeras palermices que proferem e preconizam. E tais palermices não têm nada de simplicidade... Bem pelo contrário!

Como tal sub-grupo está em clara fase de crescimento, acho bem encontrar uma designação com que possamos referi-los sem ambiguidade. E a minha sugestão é: “Palermas da Silva”.

“Porquê “Palermas da Silva”?” é provavelmente a pergunta que, neste momento, vos vem à cabeça. Ou não. Mesmo assim eu explico...

Em todos os sub-grupos anteriormente existentes desta elaborada taxinomia, “Palermas” funciona como nome próprio, sendo “Estúpidos” e “Ignorantes” os respectivos apelidos. Importava, pois, encontrar um apelido que desse uma ideia de grande disseminação e vulgaridade. Ora, desde que me contaram a anedota do Silva dos plásticos, ficou, em mim, enraizada a ideia que o apelido mais comum e vulgar, em português, é Silva. Outros apelidos há (como Costa ou Ferreira, por exemplo) que podem perfeitamente pedir meças a Silva no que se refere a disseminação e vulgaridade. Mas a minha sugestão vai mesmo para “Palermas da Silva”.

Exemplos de palermices de alguns “Palermas da Silva”:

- Tanto dizem que a internet já existia há 60 e tal anos como dizem que estava pouco divulgada há uma dúzia de anos;

- Não sabem ler o que está escrito;

- Distorcem, com objectivos pouco claros, aquilo que outros escrevem;

- Acham normal ter opinião sobre uma pessoa através daquilo que o respectivo pai escreve.

Enfim, neste mundo global em que vivemos, temos que levar com os “Palermas da Silva” que nos calham na rifa!

P.S.: Este texto não está directamente ligado ao tema de blogue que é ilusionismo. No entanto a existência de inúmeros palermas inseridos no mundo da magia, torna recomendável a publicação do mesmo aqui.

sexta-feira, maio 29, 2020

O TRILEMA...


Hoje, rumei cedo ao Café Bom Dia para o meu cimbalino matinal da praxe. Tão cedo que nem sequer o Afonso lá estava. Mas, passados 10 minutos, lá chegou ele, caminhando pausadamente com o seu JN debaixo do braço. Cumprimentou-me com um aceno de cabeça e sentou-se a 3 mesas de distancia.
Continuei a tomar, calmamente, o meu cimbalino, enquanto lia algumas das últimas graçolas que certos primatas de coluna vertebral bastante curva por lá escrevem... E o que eu me rio interiormente com tanto dislate que leio!...

Até encontrei um grupo de Facebook, em que um membro pedia ao administrador do grupo para eliminar um post que outro membro colocara!...  Pensar que, 46 anos após o 25 de Abril, há gente a solicitar o “lápis azul” deixa-me arrepiado... e MUITO TRISTE!

De repente, um timbre de voz que bem conheço, fez-me voltar ao PRESENTE, em que a DEMOCRACIA existe para bem de todos... Mesmo daqueles que gostariam de acabar com ela! O Serafim chegara e estava a sentar-se na mesa contígua à do Afonso.

[...]

- Bons olhos te vejam, Serafim – saudou Afonso – Estava a ver que já não aparecias hoje.

- Tu parece que não me conheces – respondeu Serafim – Eu adoro estes nossos encontros e só faltaria por um motivo de força maior, o que não é o caso.

Após um breve pausa para saborear o primeiro gole do café, que o empregado entretanto trouxera a pedido de Afonso, Serafim continuou:

- Desculpa lá o atraso, Afonso... Mas hoje, de manhã, vi uma notícia na CMTV sobre uma situação protagonizada por um cozinheiro, ao qual a jornalista apelidou de vigarista. E, com a história que foi contada, o termo vigarista pareceu-me pouco adequado... Por isso estive embrenhado a pesquisar em vários dicionários de língua portuguesa...

Afonso interrompeu o seu amigo, dizendo:

- Desculpa lá, Serafim, estou a leste desse assunto... Não queres fazer um resumo do caso, para eu conseguir acompanhar-te?

Serafim não se fez rogado e adiantou:

- O caso descreve-se em meia dúzia de palavras.... Um cozinheiro de renome internacional de nome Simon criou uma receita de bacalhau inovadora... Não, Afonso, não olhes para mim com essa cara pois não foi o Bacalhau à Luís de Matos... Chamou-lhe Bacalhau à Simon e partilhou, gratuitamente, a respectiva receita para download na respectiva página Web...

- Foi simpático e altruísta, esse tal Simon – comentou Afonso.

Serafim continuou:

- Tens toda a razão, Afonso... Mas apareceu um cozinheiro português, de nome Alexandre, que achou que podia ganhar um dinheirito com essa receita e tratou de imprimir tal receita e vendê-la a 15 dólares...

- Ahhhhhhhh – exclamou Afonso – Então foi esse cozinheiro Alexandre que a jornalista chamou vigarista, deduzo eu.

- Exactamente – confirmou Serafim – E eu acho que seria mais lógico chamar-lhe oportunista...

- Ou “chico-esperto” – alvitrou Afonso.

- Sim, claro – anuiu, de imediato, Serafim – De qualquer maneira estaremos de acordo que quem assim procede não é muito recomendável... Certo, Afonso?

- Totalmente de acordo, meu caro Serafim! – respondeu Afonso, sem hesitação.

Afonso respirou fundo e olhou para o céu, como que agradecendo a qualquer divindade celeste o facto de, finalmente, haver um assunto em que estava totalmente de acordo com o seu amigo Serafim. Este esboçava um sorriso que parecia querer transmitir algo mais ao seu amigo. Sem reparar em tal sorriso, Afonso não pode deixar de verbalizar os seus pensamentos:

- Sabes, Serafim... Fico contente por hoje termos encontrado um assunto em que estamos totalmente de acordo...

- Claro que estamos – interrompeu Serafim – E sabes porquê, Afonso?... Porque não estamos a falar de ilusionismo!

Afonso ficou estupefacto e respondeu:

- É mesmo... Nem tinha reparado nisso... E nós que só costumamos falar de temas de magia...

Com um ar enigmático, Serafim contrapôs:

- Se calhar até estivemos...

Seguiu-se um silêncio, durante o qual Afonso tentava dar sentido àquela frase enigmática do amigo, o qual se mantinha impávido e sereno, aguardando a inevitável pergunta de Afonso. Por fim este não se conteve e disparou:

- Agora vais explicar-me essa treta bem explicadinha, pois não estou a entender nada de nada...

Sem fazer esperar o amigo, Serafim respondeu:

- Ok, Afonso, vou esclarecer-te porque não quero que fiques na ignorância... O que acabo de te contar é uma metáfora e não mais do que isso... Tive medo que, se te falasse no caso real, com os verdadeiros protagonistas do meio mágico, tu começasses a dar desculpas esfarrapadas para os comportamentos pouco éticos, como já tens feito...

Afonso balbuciou, entre dentes:

- Não é bem isso... É que...

Serafim interrompeu-o e continuou:

- Ok... ok... Eu sei que, às vezes, só o fazes para me contrariares e me fazeres falar mais do que eu próprio quereria... Mas, voltando à vaca fria... A história verdadeira é a que te vou contar... No ano 2004 o Simon Aronson tinha, no seu website, para descarga gratuita, um PDF com o título “Memories Are Made of This – an Introduction to Memorized Deck Magic” e o Alexandre Figueiras colocou à venda no seu website "The Wonder Shop" esse mesmo livrinho... Ou seja, fez a descarga gratuita e imprimia o livrinho para vender por 15 dólares...

- É pá!... – exclamou Afonso – Isso é que é mesmo “chico-espertice”... Ou será oportunismo?... Se calhar é mesmo vigarice...

- De certeza que é uma tremenda falta de ética e de princípios – afirmou Serafim.

- Sem dúvida – anuiu Afonso pensativo.

Serafim, pareceu adivinhar o pensamento do amigo e comentou:

- Afonso, eu até sei o que estás a pensar...

Perante o olhar interrogativo de Afonso, Serafim continuou:

- Estás a pensar: "O Luís de Matos deve estar muito contente ao verificar que é gente deste jaez que sai a terreiro para "tomar as suas dores"...

Afonso permaneceu em silêncio e, de repente, como se uma súbita ideia lhe tivesse ocupado a mente, disparou:

- Pensando bem, tenho ideia que, na época, esse assunto foi denunciado pelo Jomaguy no fórum ILUSORIUM... Será para não ser reconhecido por esse comportamento que o Alexandre Figueiras mudou de “nome” para Alex D’Arcy?

Serafim ficou em silêncio. Há perguntas pertinentes que deixam qualquer um sem palavras.

[...]

Estava na hora de regressar a casa. Sem dúvida tinha que consultar o dicionário para esclarecer se existe a palavra “trilema”... É que eu estou perante o seguinte “trilema”: OPORTUNISTA, VIGARISTA ou “CHICO-ESPERTO”?